CÃO DE LOIÇA por Rui Chã Madeira

A letárgica mudança no sistema de ensino português

O ano letivo está a terminar e portanto todos os envolvidos, alunos, pais, professores, responsáveis diretivos e assistentes operacionais e técnicos, ávidos de uma golfada de sossego, iniciam o reparatório processo de diminuição do estado generalizado de sufocação. Existem, de facto, diversos estudos, debates e reflexões relacionados com o sistema de ensino, desde as normativas governamentais à cabal avaliação e rendimento dos alunos, passando pelos conteúdos programáticos, pelos métodos de ensino, pelos comportamentos e em estado avançado ao comprometimento da saúde mental de todos quantos habitam neste ecossistema. Não desacreditando as metódicas e ponderadas conclusões científicas, parece-nos importante equacionar as bases, as quais, em nossa opinião não são suficientemente consideradas da forma crucial que deveriam ser. Porventura, se for realizado um questionário aos alunos sobre se gostam ou não gostam de frequentar a escola, retirando da equação o facto de estarem com os amigos, muito provavelmente a resposta será um claro e objetivo não gostam. Poder-se-á dizer, tal como é lido nas entrelinhas de muitos estudiosos, que os discentes não querem saber nem prestam atenção ao seu presente e ao seu futuro. Em nossa opinião essa premissa é uma falácia dado que os alunos, como qualquer outro cliente, demonstram mais felicidade e têm melhores resultados quando todo um sistema funciona tendo como método o incentivo dos seus interesses. Se partirmos do princípio que a resposta será, na esmagadora maioria negativa, então o procedimento a seguir será equacionar os fatores que levam à resposta e as soluções que revertam a insatisfação da mesma. Pode parecer um lugar-comum, mas torna-se incontornável não escrever que o sistema de ensino está desatualizado, que existe muita burocracia e obstáculos na gestão, que as disciplinas são extensas, que não existe espaço para a independência, que não existem condições físicas otimizadas e que o cansaço inicia ainda antes do início de cada ano letivo. Considerando que a maioria dos intervenientes desempenha a sua função com brio profissional e empenho pessoal e que a maioria das famílias presta a devida atenção ao percurso académico dos seus educandos, parece-nos importante, à parte de militâncias partidárias, associativas e sindicais, estimular para a mudança. Apesar de ser uma palavra com árduo significado, mudança significa sempre uma opção para fazer diferente e para que esse ato seja exequível, antes de estar à espera que outros o façam, quem melhor conhece a comunidade escolar é de facto quem lá trabalha. Se existem, no nosso país, exemplos de métodos de ensino com caraterísticas diferenciadoras e geradoras de mudanças, qual o motivo de todos os intervenientes não o poderem fazer? Evidentemente que não é uma atitude pacífica, mas se assim fosse, provavelmente, os discentes responderiam, na sua maioria, que gostam de frequentar a escola. Não é o que interessa?

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