Bernardo Bica
Praga de Drosophila Suzukii na região centro

Recentemente a produção de frutos na região centro sofreu uma nova ameaça a uma economia já de si debilitada. Num ano marcado por perdas causadas por imprevistos meteorológicos, os pomares que sobreviveram intactos enfrentam agora uma peste invasora que devido a condições anómalas e falta de preparação dos agricultores tomou proporções alarmantes.
Falamos da espécie Drosophila Suzukii, que se revela de momento uma ameaça séria a uma enorme variedade de culturas frutícolas.Semelhante a outras moscas da fruta que se encontram normalmente mas com a importante particularidade de ser a única espécie de mosca da fruta capaz de danificar fruta sã. Isto deve-se a um ovipositor modificado que permite ao animal perfurar a casca de frutos saudáveis. Isto vem dificultar a sua detecção sobretudo em pequenos frutos onde a apanha não facilita a inspecção dos frutos individualmente, fator que propicia a entrega de frutos contaminados e uma ação tardia no controlo da praga o que por sua vez facilita a propagação do animal.
Se a estes factores aliarmos uma velocidade de reprodução considerável e uma aparente falta de medidas de controlo que se revelem verdadeiramente eficazes é de prever que esta ameaça se venha a intensificar nos próximos anos, sobretudo se as condições climatéricas se mantiverem ideais para a reprodução da espécie e se não for desenvolvido um esforço de controlo unificado pela parte dos produtores.
Em todas as reuniões que assisti o principal tema é a procura de seguros e apoios monetários, mas tais medidas permitem apenas mitigar os danos causados numa campanha, tornando-se irrelevantes no panorama a longo prazo. É perfeitamente irrealista considerar que aí se encontra a solução para o problema. Tendo em conta o número de espécies hospedeiras, domésticas e selvagens, tudo indica que a espécie está presente para ficar uma vez que o seu ciclo reprodutivo e a disponibilidade de abrigos seguros sugerem que uma qualquer população sobrevivente é mais do que suficiente para iniciar um novo surto se as condições se revelarem propícias. Posto isto, o que realmente necessitamos é de medidas de controlo reais, e de apoio técnico no terreno, mais do que qualquer visita política uma vez que dificilmente será encontrada uma real vontade política para apoiar o agricultor, queiramos ou não, uma praga de mosquinhas nunca tem o mesmo impacto visual de uma queda de granizo, apesar de este aparecer um ano e rapidamente ser esquecido pelas massas. Talvez não fosse mau a visita de mais técnicos e menos deputados
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