Bem-vindo à “Quinta de Vouzela”

De facto: “…não há no mundo / Um lugar assim!...”

VOUZELA, o Coração do Centro, brilhou, encantou e brindou os visitantes do V Festival Gastronómico da Vitela de Lafões e Produtos Regionais com mais uma magnífica e bem organizada edição recheada de ingredientes gastronómicos e actividades culturais, recreativas e ainda um serão cheio de glamour.

Após o adiamento de uma semana devido às condições climatéricas, a edição deste ano decorreu de 1 a 3 de Junho e integrou no seu programa a iniciativa de promoção do comércio local com o Desfile de Moda “Florir Vouzela”, que este ano contou com a participação do Agrupamento de Escolas de Vouzela e com os alunos de design de moda da Escola Profissional de Vouzela. O desfile decorreu no serão do dia 2 na Avenida João de Melo e teve a participação de cerca de 160 modelos e contou com a adesão de 16 casas comerciais. A organização foi premiada com uma moldura humana entusiasmante que encheu por completo a Avenida e que se rendeu por completo ao desfilar dos modelos, principalmente os de tenra idade, que tiveram uma belíssima postura.

Foi também apresentado ao público o vídeo “Montras Floridas” e conhecidos os 28 espaços aderentes.

O desfile de moda foi uma promoção do Município de Vouzela e da Associação Empresarial de Lafões para atrair mais visitantes ao Concelho, ao promover novamente a iniciativa “Vouzela Concelho Florido”. Assim, com a forte adesão por parte dos munícipes, comércio local e diversas instituições, o Concelho fez jus à sua imagem associada à natureza e ficou embelezada com as ruas e espaços públicos floridos, bem como os estabelecimentos comerciais, janelas, varandas e jardins.

 

Concelho bem ornamentado, com certeza será mais visitado.

A Autarquia e os Munícipes uniram-se e fomentaram um sentido de comunidade, melhorando a habitabilidade, e atraindo mais turistas para valorizar e mostrar as suas potencialidades. Conseguiram assim transformar as freguesias num autêntico jardim e seus espaços habitacionais, patrimoniais e de comércio não foram apenas estruturas em pedra construídas pelo Homem e deram lugar a um Concelho alegre, florido, com coloração primaveril, e perfumada apelando a todos os sentidos.

Sentidos esses que para a grande afluência de pessoas que visitaram o Festival seriam mais apurados à medida que se aproximavam do coração da Vila rumo à Alameda D. Duarte de Almeida, local onde decorreu o certame, e o olfacto ia sentido o cheirinho da confecção da Vitela de Lafões – IGP (Indicação Geográfica Protegida) e o palato ia ansiando pela sua prova.

 

Festival da Vitela de Lafões na “Quinta de Vouzela”

“Bem-vindo à Quinta de Vouzela”. Eram estas as palavras junto da antecâmera de entrada onde decorreu o Festival. Antes da Abertura Oficial, anunciada para as 19 horas, era visível a alegria dos empreendedores expositores de venda de produtos endógenos que ultimavam os preparativos para a abertura e recepção das Entidades Oficiais e convidados. Na quintinha dos animais já estava tudo preparado e no espaço de restauração davam-se os últimos retoques no embelezamento das mesas.

“Festival da Vitela de Lafões” era o outro slogan que se lia na antecâmera junto à porta de entrada. À medida que a hora da Abertura Oficial se ia aproximando, iam chegando os representantes das Entidades Locais, bem como os promotores e apoiantes da iniciativa, alguns ilustres convidados, o Eurodeputado Fernando Ruas, os Membros da Confraria dos Gastrónomos de Lafões, a população do Concelho e alguns turistas.

Percorrendo a Avenida João de Melo em direcção ao espaço do Festival, fizeram-se ouvir os acordes musicais da Sociedade Musical Vouzelense, que com a pompa e circunstância da sua longa tradição que uma histórica banda formada em 1880 tem para oferecer, confirmou aos presentes com as suas afinadas sonoridades filarmónicas que se mantem em forma, tendo-se perfilado junto das individualidades num cerimonial protocolar para se dar início à Abertura Oficial da porta da “Quinta de Vouzela”.

Ainda se ouviam os acordes filarmónicos e já as individualidades visitavam, um a um, os stands de venda de produtos locais, cumprimentando e escutando o que os expositores tinham para oferecer, tais como artesanato, frutas, legumes, vinhos, compotas, mel, entre outros e em alguns casos demonstrando com provas gastronómicas e enológicas os seus produtos.

A visita continuou até à quintinha dos animais, onde se apresentavam uns belos espécimenes autóctones e foram dadas algumas explicações pelos criadores, que também responderam a algumas perguntas, desde as dificuldades encontradas após os grandes incêndios de 2017 até aspectos mais relacionados com a gastronomia, como a idade de abate e as partes específicas do animal para cada tipo de confecção da carne.

Foram servidos alguns acepipes aos presentes na Abertura Oficial e mostrado o que de melhor Vouzela tem no fabrico de cerveja artesanal. A marca Vaucella apresentou a sua recém criação: A Weizenbier. Apresenta-se como tipicamente Vouzelense, com o toque da tradição alemã pelo fabrico de cervejas. Uma cerveja turva por natureza, fermentada com uma levedura especial que lhe confere um sabor único e extremamente leve. Foi óptima para acompanhar os salgadinhos. Trata-se de uma cerveja refrescante à base de malte de trigo e de cevada. O teor de álcool é de apenas 4,8% mas contudo deve ser bebida com moderação.

E eis que as “Maria Malucas” começaram a fazer das suas, no âmbito da animação de rua do programa do Festival. Viveram-se momentos verdadeiramente hilariantes logo nos primeiros instantes da sua actuação, algumas mesmo de ir às lágrimas. Interagiram com o ex-autarca de Viseu, Fernando Ruas, com a equipa da edilidade e com os demais membros e visitantes.

O programa abrangeu todo o tipo de visitante: caiaques e rappel para os mais radicais, touro mecânico para os mais aventureiros e insufláveis para os mais pequenos. A quintinha dos animais foi também uma mais valia para as crianças, em que o animal mais requisitado para interagirem foi o pequeno cavalo. Foi também possível observar ao vivo a arte de construção de alfaias agrícolas, demonstradas pelos artesãos dessa bela arte.

Houve também passeios de charrete e de comboio turístico. O comboio incluiu o passeio ao mundo Rural para conhecer esse mundo e onde cresce a Vitela de Lafões, com uma visita a um produtor de Vilharigues no sábado e a um produtor de Vouzela no domingo. Esta actividade registou uma assinalável afluência de 72 pessoas no sábado e 30 no domingo que se aventuraram num dia de chuviscos.

Durante os três dias do festival esteve novamente presente uma iniciativa de louvar: CLDS 3G Vouzela. Uma organização sem fins lucrativos que no espaço Produtor Local promoveu e divulgou produtos gastronómicos locais e regionais sob o lema “O que é de Vouzela é bom”. Na edição deste ano expuseram, divulgaram e comercializaram cinco novos produtores. Assim, às 15h30 de sábado e domingo e às 22h de sexta-feira, sábado e domingo era apresentada a “Hora do Petiscar’te”, em que o Prof. Jorge Abílio confeccionava vários petiscos com os produtos locais, dando a provar aos visitantes a qualidade das iguarias. Também apresentou o Showcooking – Oficina de Cozinha – “Vitela de Lafões com cogumelos e ervas”.

As várias formas de cozinhar a Vitela de Lafões – IGP, ficaram a cargo dos seis restaurantes presentes no recinto do Festival que satisfizeram o palato dos milhares de visitantes do certame nesta V edição, que além dos pratos de Vitela tinham também outras opções, bem como petiscos. Para acompanhar a refeição havia as águas e sumos e o vinho com o sabor distinto e característico da Região. Para a sobremesa a variedade era grande, desde fruta aos doces mas a preferência ia para os famosos e saborosos Pasteis de Vouzela.

No desfecho do Festival contabilizava-se que já tinham sido servidas mais de 1600 refeições, com esmagadora maioria para os pratos de Vitela. Quer seja assada, grelhada, de raça Arouquesa, Mirandesa ou até do cruzamento das duas raças, sendo os temperos de qualidade, o tempo de abate sido o certo, e a parte da carne ter sido o correcto para cada forma de cozinhar, é sempre tenra e suculenta. Daí ser muito importante a origem do animal ser certificada com a Indicação Geográfica Protegida (IGP), pois assim há a garantia que o sabor é genuíno e economicamente ser uma mais valia para os produtores locais. Só assim Vouzela continuará a ser a Capital da Vitela de Lafões e continuará a ter sucesso as edições vindouras.

O programa ainda fez as delícias dos visitantes com o magnifico Desfile de Cavalos, que foi acompanhado pela Sociedade Musical, Cultura e Recreio de Paços de Vilharigues. Banda idealizada nos anos 20 do Século passado para abrilhantar a Páscoa de 1928 e que continua até aos dias de hoje com toda a sua energia sonora.

A nível musical o evento foi também de diversidade com as actuações do Grupo de Cavaquinhos e Cantares da Beira, do animado e divertido Grupo GiraFoles, do Grupo de Cavaquinhos de Alcofra, Rancho Folclórico de Carvalhal de Vermilhas e do Coro Mozart que brilhou com as vocalizações afinadas dos vários tipos de música que encantaram os presentes e que levaram o público a cantar em conjunto e em pé. Tendo ainda o Maestro desafiado o Sr Presidente da Autarquia a subir ao palco, que num breve discurso realçou a força dos habitantes do Concelho devido às adversidades que tiveram com o incêndio de 15 de Outubro e que este evento serviu para reforçar toda uma pujança de um povo, levando a acreditar no renascer das cinzas.

Durante o período de jantar, os resistentes do último dia do certame foram brindados com uma surpresa: O Coro Mozart improvisou no espaço da restauração, uma série de canções que fizeram da degustação da última refeição de Vitela de Lafões do V Festival, regado com o saboroso vinho da região, um momento ainda mais agradável. O ponto alto foi com a música: “We Are The World”… Que dispensa palavras.

A actuação de encerramento ficou a cargo dos fados do Grupo de Canto e Guitarra do Orfeão de Viseu, com uma actuação digna de um final de Festival com uma importância Regional e de afirmação Nacional. A actuação foi interrompida quando já se encaminhava para o final, devido à chuva que se tornou mais intensa, tendo os músicos ainda resistido algum tempo mesmo com tempo adverso a atuar ao ar livre.

Mas o final da 5ª edição do Festival não estaria completo sem se ter ouvido o emocionante Hino de Lafões, cantado por um grupo de pessoas que se encontravam numa mesa de um restaurante.

De facto: “…não há no mundo / Um lugar assim!…”

• Texto e fotos de Aníbal Seraphim

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