Avultadas perdas agrícolas em Lafões e Sever do Vouga exigem intervenção do Governo

O levantamento de todos os prejuízos em dezenas de explorações agrícolas ainda não está realizado, mas é evidente que a saraivada intensa que se abateu no início da semana sobre a região entre Sever do Vouga e São Pedro do Sul provocou uma autêntica calamidade, com a destruição de quase toda a produção agrícola, de forma particularmente grave no que respeita aos pequenos frutos vermelhos (mirtilo, amora, framboesa e groselha). Há produtores que vivem exclusivamente da atividade agrícola e que perderam a totalidade da colheita de mirtilos, que deveria iniciar-se em finais de maio.

ANTES

DEPOIS

 

 

Presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga promoveu reunião de produtores e entidades comercializadoras para levantamento dos prejuízos

Segundo o presidente da Câmara de Sever de Vouga, a produção de mirtilos, além da importância que tem na economia familiar de cada um dos produtores, tem forte impacto na economia local. Com este nível de prejuízos, chega-se a temer que esteja em causa a Feira Anual do Mirtilo de Sever do Vouga.

As quatro organizações presentes na reunião de avaliação em Sever de Vouga – AGIM, Mirtilusa, Bagas de Portugal e Qtª da Boucinha, referiram que os prejuízos são enormes, em muitos casos atingem uma perda de 100% da produção e terá impacto também no próximo ano, pela destruição dos ramos que deveriam produzir após a colheita deste ano. Uma das empresas presentes, que comercializa mirtilos de outras regiões do país, afirmou que no seu volume total de vendas as perdas de Sever de Vouga representam, pelo menos, uma diminuição de 20%.

Os produtores, na generalidade pequenos e muito pequenos produtores, queixam-se das seguradoras por praticarem preços demasiado elevados. Uma produtora de São Pedro do Sul afirmou que uma seguradora lhe pediu 13 mil euros por hectare para um seguro de colheita de mirtilos, outra produtora falou de quantias entre 15 e vinte mil euros por hectare e disse que perante estes valores resistiu de fazer um seguro. Com estes preços, dizem, é impossível pagar os seguros, ninguém tem seguros.

 

Victor Figueiredo, no encontro com produtores da Lafoberry disse que governo não tem dinheiro para apoiar os produtores

O Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, em visita á exploração de mirtilos de Paulo Paiva para um encontro com produtores da LAFOBERRY e observar no local o nível dos prejuízos, disse estar solidário com os produtores mas que este tipo de problemas devem ser prevenidos com seguros de colheita. Victor Figueiredo disse ainda que estava em contacto com o Gabinete do Ministro da Agricultura, que declarou não haver possibilidades de apoio concreto por parte do Governo a esta situação. “Não há dinheiro e Bruxelas não permite” – afirmou Victor Figueiredo que, na sua intervenção aludiu a outras culturas atingidas pela tempestade, incluindo as flores dos jardins municipais.

Os produtores defendem não só uma intervenção do Governo para regular a atividade dos seguros agrícolas, que está a deixar os agricultores desprotegidos e à mercê das intempéries, mas que também sejam acionados mecanismos nacionais e europeus de apoio aos produtores e ao restabelecimento da capacidade produtiva.

 

Carlos Matias esteve com agricultores e exige medidas do governo

O deputado Carlos Matias (BE), da Comissão parlamentar de Agricultura, participou na reunião de Sever de Vouga e esteve em São Pedro do Sul, com os produtores da LAFOBERRY, a principal associação de produtores de pequenos frutos de Lafões.

Após ter visitado alguns pomares e perante a situação desoladora provocada pela intempérie, Carlos Matias questionou “se isto não é uma calamidade, o que será calamidade?”, ao ver pomares completamente destruídos com perda total da colheita deste ano e parte da colheita do próximo ano comprometida.

Todos os produtores presentes declararam perdas acima dos 60%. “Tinha aqui umas plantas que eram um orgulho, vinha cá todos os dias, preparava-me para a colheita e agora… isto é uma calamidade.” disse Paulo Paiva, presidente da LAFOBERRY -Associação de produtores de Pequenos Frutos de Lafões, com uma enorme tristeza no olhar.

Este dirigente associativo refere que se trata de um enorme prejuízo para os produtores, mas também para a região e para o país. Todas estas explorações resultaram de forte investimento público através do PRODER e dos produtores. A grande maioria destas explorações são de jovens agricultores, que as mantém com muito trabalho e muito sacrifício.

Presente também um produtor de vinho e de fruta em modo de produção biológico (MPB), Dirigente da INTERBIO, Ângelo Rocha, da Quinta da Comenda, que declarou ter sofrido perda total também nestas culturas. Um produtor de cogumelos em estufa fez questão de mostrar a sua exploração onde, por ação do granizo e do vento, viu a estufa destruída e com ela a madeira onde produz os cogumelos seca pela exposição sem proteção ao sol.

Carlos Matias registou todas estas declarações e comprometeu-se a levar o problema, na próxima quarta feira, à reunião da Comissão de Agricultura onde participará o Ministro Capoulas Santos. O deputado bloquista vai exigir que o Governo declare a situação desta região em estado de calamidade, proceda ao rápido levantamento dos prejuízos, defina apoios de emergência aos produtores e acione as medidas do PDR2020 que se destinam à reposição do potencial produtivo das explorações agrícolas.

O deputado do Bloco comprometeu-se com os produtores, em colaboração com as suas associações e organizações, a estudar e propor na AR medidas de proteção a este tipo de riscos, devidamente adaptadas e estas culturas muito sensíveis e com elevado potencial exportador. Referiu que “a pequena agricultura familiar está a modernizar-se, a ganhar capacidade e a criar postos de trabalho, nomeadamente no interior, não pode ficar sem apoios quando sofre uma calamidade destas, não bastam declarações são precisas ações.”

 

Câmara de Sever do Vouga apela a ajuda urgente para fazer face aos prejuízos

Granizo destruiu toneladas de mirtilo em Sever do Vouga

• José Manuel Silva (AGIM)

A forte queda de granizo que caiu ao final da tarde da passada quarta-feira na região de Sever do Vouga destruiu largas toneladas de mirtilo que se encontravam em fase de maturação. A intempérie, de proporções nunca vistas nesta região, destruiu ainda citrinos, groselha, maracujá, vinhas e hortícolas e colocou em causa o sustento de muitas famílias.

Para fazer face aos avultados prejuízos, o Presidente da Câmara Municipal de Sever do Vouga, António Coutinho, apelou às entidades competentes uma ajuda urgente para minimizar os danos do que apelidou de “situação de catástrofe”. “É necessário e urgente encontrar um tipo de apoio de emergência para podermos minimizar os prejuízos e não colocar em causa o futuro e as instâncias governamentais têm que nos ajudar”, sublinhou o autarca de Sever do Vouga.

Em conferência de imprensa realizada ontem ao final da tarde, e que contou com a presença da AGIM, Mirtilusa, Bagas de Portugal, entre outras entidades ligadas à comercialização, além de dezenas de produtores afetados, a autarquia comunicou que já foi feito no terreno um primeiro levantamento dos prejuízos e apelou aos proprietários de culturas afetadas que documentem os prejuízos e os façam chegar à autarquia o mais rápido possível. Câmara Municipal, AGIM e entidades comercializadoras de mirtilo vão entregar ao ministro da Agricultura, Comissão de Agricultura da Assembleia da República e Direção Regional de Agricultura um relatório dos prejuízos causados pelo granizo em todas as culturas do concelho.

Muitos produtores perderam metade da colheita, outros têm 80% do mirtilo perdido e, em alguns casos, a queda anormal de granizo levou à destruição de 100% da colheita para este ano. No caso de algumas plantações de mirtilo, além da perda total para este ano, também os anos seguintes estão comprometidos devido à destruição das plantas. Para fazer face a esta situação, a AGIM vai lançar um programa de apoio técnico destinado aos produtores afetados para que a recuperação das plantas seja possível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.