Auto da Barca do Inferno “mais severense de sempre” com quase mil espectadores
Projeto envolveu a comunidade

Três apresentações, três casas lotadas, quase mil espetadores. São estes os números do Auto da Barca do Inferno mais severense de sempre. Uma projeto levado a cabo pela Severi que deu atualidade às personagens de Gil Vicente e envolveu a comunidade. A última apresentação decorreu no passado dia 4 de Janeiro, no CAE. No final, a Severi fez um balanço positivo do projeto que levou a palco 20 severenses. Mais uma vez, a peça fez jus àquele que é um dos propósitos da Severi que aposta numa cultura de proximidade.
Terminou mais um projeto da Severi que, à semelhança dos anteriores, consegui bater recordes de bilheteiras, no total 983 pessoas assistiram ao “Auto da Barca do Inferno”. A estreia foi em Pessegueiro, em Junho. Seguiram-se duas apresentações no CAE em Novembro e Janeiro. Os severenses aderiram em peso. “Estamos muito gratos por as pessoas continuarem a ter por este projeto um enorme carinho. Deixa-nos felizes e orgulhosos, mas, dá-nos, também, uma responsabilidade extra para continuarmos e abraçarmos desafios cada vez mais exigentes”, destacou Patrícia Fernandes, no final da apresentação, aproveitando para pedir desculpa “a todos os que não conseguiram bilhete”, referindo-se “às muitas pessoas que contactaram a associação para obter bilhetes, mas a sala já estava lotada”.
A Presidente da Direção explicou que trazer a cena a obra de Gil Vicente foi um grande desafio. “Avançamos com este projeto porque sabemos que faz parte das memórias das nossa juventude, já que é um clássico da dramaturgia que grande parte dos severenses teve a oportunidade de estudar. Para além disso, esta farsa, continua extremamente pertinente e atual. Finalmente, quisemos também dar a oportunidade para que os alunos que estão a estudar esta obra pudessem ver a peça ganhar vida. Tivemos casos de algumas pessoas que nos fizeram chegar exatamente essa ideia. Que trouxeram os filhos par ver a peça e que isso os ajudou a perceber a obra. Para nós é um enorme orgulho. Estamos a fazer serviço público e a cultura e a educação devem estar sempre interligadas”.
O Auto da Barca do Inferno mais severenses de sempre contou com várias alusões a Sever do Vouga e também a adaptação aos tempos atuais. Em destaque esteve a personagem coletiva os caveleiros que foi levada a palco por oito elementos da comunidade. “Tal como na obra de Gil Vicente, estes cavaleiros dos nossos dias são também heróis. Neste caso, heroínas. As oito mulheres que abraçaram o desafio vestiram o papel de personagens comuns, com problemas comuns. Quisemos, também deixar aqui um momento de reflexão sobre a sociedade atual. A igualdade de género, a tolerância, a solidão na terceira idade, o respeito pelo meio ambiente foram alguns dos temas abordados, de uma forma muito bem-humorada, mas que, ao mesmo tempo, acreditamos, deixou as pessoas inquietas, depois do espetáculo”. Trabalhar com a comunidade continua a ser uma das premissas da Severi. “Cultura de proximidade, trabalhar com e para a comunidade continua a ser a nossa marca. A Severi nasceu há quase três anos e já se nota diferença no território. Os severenses estão mais próximos da cultura e sabemos que, ao envolver a comunidade diretamente em projetos culturais, estamos, também, a criar público consciente e mais sensível para o trabalho desenvolvido em palco”, frisa a dirigente.
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