Aurora Simões de Matos

A IGREJA MATRIZ DE PARADA DE ESTER

 

Ao passar na Estrada Nacional que atravessa a nossa terra, vinda de Castro Daire rumo a Castelo de Paiva, por entre vegetação de árvores, arbustos variados e zonas de cultivo, o viajante é surpreendido pela bela e sugestiva torre da Igreja de Parada, a anunciar que, a partir dali, de onde se avistam montes sem fim, românticas aldeias cercadas de pinheirais e seus campos sempre verdes a fazer adivinhar o rio, a Matriz se impõe, com a carismática força daquilo que representa. Que, a partir dali, no meio dos seus, terá, como desde há séculos tem, uma palavra a dizer, por um sentido de vida tão comum e tão arreigado na grande maioria dos habitantes destes lugares estendidos nas encostas.

Pelas ruas empedradas de íngremes caminhos, os paradenses sabem que todos os destinos vão dar à sua Igreja Paroquial, onde gerações após gerações têm cumprido os rituais do Catolicismo, a religião abrangente de praticamente toda esta região. Sabem-no os paradenses e sabe-o toda a freguesia. Por isso, em cerimónias sempre solenes, como as Eucaristias dominicais, baptizados, confissões, comunhões, sermões, casamentos, festas ao padroeiro, funerais, etc., ocasiões sempre especiais na vida de cada um, é ali que se expressam boa parte dos sentimentos da beira- Paiva.

A paróquia de Parada de Ester pertence à Diocese de Lamego e é seu Orago S. João Baptista. Em tempos remotos, foi Abadia do Padroado Real, no distrito eclesiástico do Douro. Já nas Inquirições de 1258, reinado de D. Afonso III, há informação de que a Igreja estava situada numa herdade do rei. Também do século XIV há documentos que se lhe referem. E no século XVII, são mencionadas as capelas de S. Pedro, em Parada; Santa Comba, em Eiriz; Santa Catarina, em Mós; e S. Bartolomeu, em Meã, como sendo de fundação medieval. Não admira, pois, que o nosso património religioso e artístico, traduzido em construções antiquíssimas e valiosas peças de arte, quer de escultura em pedra, quer de escultura em madeira, assim como a riqueza das suas talhas douradas e policromadas, seja um hino do nosso orgulho.

A Igreja Paroquial foi sofrendo, ao longo dos séculos, profundas obras de remodelação. A presente construção data do século XVIII. São belíssimos os seus caixotões com santos pintados a forrar o tecto; o arco triunfal a pleno centro, policromado; o retábulo principal e os laterais em talha barroca dourada e policromada; como em madeira policromada é o coro-alto, com varanda de balaústres. No corpo da nave, o pavimento de madeira, com a sequência de sepulturas numeradas.

Já no exterior, do lado esquerdo da entrada, figura um busto de bronze sobre base de granito polido, homenagem da Freguesia de Parada e da Câmara Municipal de Castro Daire ao ilustre Bispo, D. João Crisóstomo Gomes de Almeida, natural e por muitos anos residente em Eiriz e Figura relevante da nossa região.

 

A nossa Igreja faz parte das nossas vidas, com a carismática força daquilo que representa. A partir dali, de onde se avistam horizontes sem fim, e surpreendendo o viajante com a sua romântica torre branca, estende o olhar e a sua acção pelos íngremes ou aplanados caminhos que atravessam estas terras do Médio Paiva, na zona ribeirinha do Montemuro.

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