ASSOL, há 25 anos “a alargar mundos e a realizar sonhos”

Associação lafonense assinalou as bodas de prata

Ed649_ASSOL-DSC_0807No passado dia 13 de fevereiro, a ASSOL (Associação de Solidariedade Social de Lafões) assinalou 25 anos de história, numa cerimónia realizada no Cineteatro Dr. Morgado, em Oliveira de Frades. Uma homenagem sentida que juntou diversas individualidades em prol de uma associação que tem lutado pela diferença e tem feito a diferença em Lafões, contribuindo, decididamente para uma região mais inclusiva.

Mário Pereira, diretor da ASSOL, em entrevista à Gazeta da Beira, fala-nos do passado, do presente e do futuro da associação.

• Patrícia Fernandes

Gazeta da Beira (GB) – 25 anos é já uma história longa. Que balanço se pode fazer desta Associação? Que contributo tem dado à sociedade e à região?

Mário Pereira (MP) – A ASSOL conseguiu ao longo deste 25 anos cumprir o essencial dos objetivos para que foi criada. Partindo duma situação em que não havia nenhum apoio às pessoas com deficiência nos concelhos de Lafões, conseguiu criar uma resposta que permite responder, com um nível aceitável, a todas as pessoas, não havendo hoje lista de espera para nenhum dos nossos serviços. Além da região de Lafões estendeu alguns serviços a Tondela e Castro Daire para ajudar na solução de problemas concretos dessas comunidades.

A história da ASSOL poderia grosso modo ser dividida em três etapas: de 1986 a 1989 – os anos da gestação; de 1989 a 2001 – anos da criação dos serviços; de 2002 ao presente – corresponde a uma fase de alguma maturidade e têm sido anos de contínuo aperfeiçoamento técnico e metodológico.

A ASSOL pode, sem falsas modéstias, afirmar que os seus serviços são reconhecidos, no sector de atividade, como uma referência pela inovação metodológica e pela filosofia que os enforma.

A Certificação EQUASS de Excelência em Serviços Sociais (atribuída por uma organização de âmbito europeu) obtida em 2013 constitui a oficialização dessa qualidade. Este reconhecimento chega-nos por muitos meios, mas têm especial significado o facto de em 2013 os técnicos da ASSOL terem sido convidados para fazerem cerca de 200 horas de formação para outras entidades

 

GB – Quais os principais objetivos, projetos para o futuro, perspetivas e próximas iniciativas?

MP -O grande projeto é sobreviver à crise sem afetar a qualidade dos serviços.

O grande objetivo da ASSOL continuará a ser o de ajudar pessoas a terem uma vida melhor e a atingirem um nível de participação social adequado às suas expectativas.

A curto prazo, os objetivos passam por conseguir manter a qualidade dos serviços mas fazê-lo aprofundando a relação com a comunidade e reforçando as parcerias que a ASSOL mantém com as empresas, as autarquias e os serviços públicos que ainda resistem na nossa região.

O lema da ASSOL é: “Alargar mundos e Realizar Sonhos” e o desafio é não deixarmos que a crise nos roube esses sonhos às pessoas com especiais fragilidades.

 

GB – Já que falamos em aniversário, se a ASSOL pudesse pedir uma prenda o que é que seria? Atualmente, o que é que faz mais falta a esta associação?

MP -Para que a ação da ASSOL seja mais eficaz uma boa prenda seriam políticas públicas mais voltadas para a inclusão social e a cidadania das pessoas afetadas por algum tipo de deficiência e também que se abandonasse a ideia que as pessoas com deficiência precisam de ser confinadas a sítios especiais.

Em concreto, esperamos que a ASSOL venha a ser financiada para gerir uma rede de famílias de acolhimento o que evitaria que algumas pessoas fossem colocadas em lares, podendo continuar a usufruir de uma vida socialmente integrada.

Outra prenda também boa será a generalização da medida de apoio ao emprego, que permite ao estado apoiar financeiramente o emprego de pessoas com grandes limitações na capacidade de trabalho, para que possa chegar a todos os que precisam.

GB – Considera que na generalidade, e tendo em conta o exemplo concreto da ASSOL, o Estado está a faltar nas suas obrigações perante as pessoas com deficiência? Como é que está a situação económico-financeira da associação? Tem sido efetivados cortes?

MP -A ASSOL sempre associou duas vertentes de ação: a que se vê no terreno e se materializa em edifícios e serviços e uma outra complementar desta procurando ser um agente transformador da sociedade e das políticas e daí que a ASSOL valorize a participação nos mais diversos fóruns representativos.

O dinheiro só é necessário na medida em que satisfaça necessidades das pessoas e a ASSOL espera nunca se desviar deste princípio.

Em 2013, o Ministério da Educação reduziu o financiamento para a equipa técnica que faz o apoio à integração escolar de cerca de 150 000 euros para pouco mais de 95 000 euros. O que levou à necessidade de reduzir alguns apoios.

Os apoios da Segurança Social tiverem uma pequena melhoria em 2013 e os Apoio para as medidas de Formação Profissional e apoio ao emprego também não tiveram problemas.

A política deste governo tem afetado mais as pessoas em concreto que as organizações sociais de apoio, o que tem como consequência que as pessoas acabem muito mais dependentes das instituições.

Muitas das pessoas com alguma deficiência ou as suas famílias sofrem também da pobreza. E os cortes no RSI mais a dificuldade em obter outros apoios sociais criam situações de pobreza extrema.

Exemplos do que tem acontecido e não faz muito sentido é cortar o RSI – que seria um direito das pessoas – e a seguir financiar uma cantina social onde essas pessoas podem ir comer por não terem dinheiro para comprarem comida e cozinharem em casa ou, em algum dia extraordinário, irem ao restaurante

Hoje em dia o grande risco é regredir ao tempo em acesso aos apoios sociais eram um acto de caridade de quem pode e não um direito de quem precisa e contra isto a ASSOL lutará como e onde puder.

 

GB – Nestas comemorações foi ainda apresentado o livro “preciso de falar contigo às duas”, porque é que foi apresentado nesta data e quais os principais temas que retrata?

MP -Na ASSOL como em todas as organizações há necessidade de transmitirmos as nossas tradições, cultura e vivências aos mais novos. É um facto que na ASSOl já trabalham pessoas que não eram nascidas em 1989e por isso não têm obrigação de saber o aconteceu nesses tempos.

Com esse objetivo foi pedido a todos os trabalhadores que escrevessem sobre um momento marcante, uma experiência ou algo que os tenha tocado. O resultado é este conjunto de 72 pequenas histórias que refletem situações vividas na primeira pessoa.

Quem nunca teve ligação à ASSOL poderá ter uma visão do nosso dia a dia. Quem tem alguma ligação poderá reconhecer situações familiares. Por sua vez quem é mais ligadas às questões técnicas e teóricas poderá encontrar exemplos de como se refletem na prática.

É um livro que faz a história da ASSOL, não a partir de datas e acontecimentos, mas de vivências e que pode ser encontrado nas instalações da ASSOL ou pedido pelo email assol@assol.pt

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