As castanhas voltam a estalar na caruma na Associação Fragas Aveloso

Texto de Paula Chainho

2 de Novembro – a caruma queimada crepita lá fora e evapora a humidade da chuva recente, enquanto o/as associado/as da Associação Fragas-Aveloso discutem os novos projetos que querem vir a desenvolver num futuro próximo.

O Convívio da Castanha já marca o calendário da semana do Dia de Todos os Santos em Aveloso de Sul. O/as associado/as de longe vêm matar saudades das Fragas, onde há sempre água a correr nos regos e nas minas. O Diamantino Beleza traz a caruma seca que guardou para o evento e Bernardino Fontinha, o “guardião das Fragas” prepara as castanhas que vão assar rapidamente no fogo fugaz das agulhas de pinheiro. Como a Assembleia da associação Fragas Aveloso parece nunca mais acabar, as castanhas acabam de assar, apenas acompanhadas pelas crianças que saltam a fogueira. Apesar do “Beleza” sublinhar que não faz sentido fazer o magusto tradicional sem estarem todos lá, a discussão do Festival das Fragas 2020 e da futura Quinta da Água continuar a prender o/as associado/as e amigo/as da Fragas Aveloso.

Quando termina a Assembleia, enchem-se os copos com o vinho morangueiro produzido pelo Bernardino, com a jeropiga trazida por todos, e provam-se as morcelas, os doces da Lúcia Ferreira, as batatas-doces e os marmelos. A merenda acaba por apaziguar os que ficaram zangados porque a Assembleia roubou o público do magusto e porque os cantadores ao desafio, que aguardavam os tocadores de concertina, que não vieram porque outras festas os requisitaram. A gaita-de-foles de Miguel Quitério embala as conversas e partilham-se novas ideias para as atividades da Fragas-Aveloso para o próximo ano.

3 de Novembro – O Outono desabou sobre Aveloso de Sul: a ribeira da Vagem escoa um caudal que cobre as pedras mais altas do leito, as folhas das árvores exibem a paleta de amarelos, vermelhos, laranjas e castanhos que convida à fotografia, as lamparinas reluzem no cemitério de Sul… e, numa das lápides do cemitério está o musgo verdejante que decora a lápide onde recordamos Paula Tavares. Paula, a tua mãe emocionou-nos hoje com o livro que regista o que te escreveu ao longo deste últimos longos 10 anos. Enquanto ela nos explicava como estes textos tinham sido a forma de fazer o luto pela perda de uma filha… a luz do sol brilhava sobre a igreja e o cemitério de Sul, por entre as nuvens cinzentas carregadas de chuva. Os testemunhos da Manuela e do António Tavares reforçaram a convicção de que o teu legado é demasiado importante para se perder, a forma como tocaste todos à tua volta faz com que fiques presente para sempre e a Fragas-Aveloso é a forma de o concretizar.

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