“ARS NOVA” brilha no primeiro concerto

Grupo concilia músicas tradicional e clássica

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O grupo “ARS NOVA” foi anunciado no final do ano. Cerca de um mês depois, surge o primeiro concerto. A estreia ocorreu no passado sábado, dia 24 de janeiro, na Igreja da Misericórdia, em Vouzela. O talento das quatro jovens, naturais de Manhouce, surpreendeu a plateia. Sobre a direção musical de António Alexandrino, também no órgão e no piano, o “ARS NOVA” apresentou um programa diverso e arrojado. Nasce assim uma nova esperança para a preservação do património imaterial de Lafões, mas, sobretudo, quatro vozes que têm muito para dar. A Gazeta da Beira esteve na estreia e relata, agora, tudo sobre um concerto que fica na memória.

Adriana Gomes, 20 anos; Ana Rita 17, Cíntia Gomes 16 e Susana Alves 19 são as quatro vozes que formam o “ARS NOVA”. Todas iniciaram a sua carreira no “Grupo Vozes de Manhouce”, no qual receberam formação, também sobre a direção de António Alexandrino, durante cerca de 5 anos. Agora ingressam neste novo projeto. Apesar da tenra idade, o talento é já evidente. Um caminho que se inicia agora e que, avaliando o “feedback” dos presentes, augura um futuro promissor.

O concerto foi dividido por dois momentos. Na primeira parte, a música tradicional da região esteve em destaque. “Maçadeiras”, de Manhouce; “Senhora Santa Combinha”, de Cambra; “Eito Fora” da Região de Lafões foram algumas das músicas interpretadas pelas quatro jovens que provam assim ser fiéis às suas raízes.

Já a segunda parte foi dedicada à música clássica, com o diretor musical a defender que estas duas vertentes da música são completamente compatíveis. Como referiu António Alexandrino “aqui, nós não temos esse preconceito”. “Canção de Embalar” de José Afonso; “Nessun dorma” de G. Puccini; “Natal não é em Dezembro” de Augusto Mesquita foram alguns dos temas em destaques. Músicas que deram oportunidades às quatro interpretantes de chegar a notas arriscadas a que a plateia reagiu com fortes aplausos.

Os três momentos musicais protagonizados por António Alexandrino, no órgão também impressionaram. Destes, sublinha-se o “Pedalexercitum -BWV 598, em Sol menor, de J.S.Bach”, na qual o músico usou apenas a pedaleira, ou seja os pés.

Município de Vouzela quer valorizar a música da Região

Coube a Rui Ladeira a apresentação do concerto que deu garantia “de uma noite com muita qualidade”; “com vozes extraordinárias e sobre a direção do Professor Alexandrino”.

O Presidente da Câmara, que apoio este evento, destacou a importância da música para a Região e mostrou-se disponível para, no futuro, voltar a apoiar este género de iniciativas. O autarca mostrou-se satisfeito com o surgimento de um novo grupo musical em Lafões e destacou o papel que o Diretor Musical, António Alexandrino, têm desenvolvido, ao longo destes anos, em prol da cultura, em especial da música, na Região.

 

“ARS Nova”, uma nova forma de fazer música

No primeiro concerto do “ARS NOVA” houve espaço para se justificar a escolha do nome. Segundo António Alexandrino “ARS NOVA” é uma expressão latina que significa “Arte Nova”. Esta expressão foi utilizada em 1322 para designar um novo estilo de música com um espetro mais vasto do valor das notas. Simboliza, ainda, a mudança da Idade Média para o Renascimento, da escuridão par a luz.Redação Gazeta da Beira