Apresentação de dois LIVROS de DULCI FERREIRA em Castro Daire
• Texto de Fernando Morgado

Teve lugar no Auditório da Câmara Municipal de Castro Daire no dia 1 de Dezembro a apresentação de dois LIVROS de DULCI FERREIRA, UTOPIAS DO PENSAMENTO VOL. I e II – entre o sonho e a realidade, prova poética. A mesa constituida pelo Dr. Armando Lemos da Câmara Municipal de Castro Daire, Drª Ana Nunes, Gestora do Santuário da Lapa, concelho de Sernancelhe, Dr. João Lopes, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Mangualde, o Escritor-Poeta Alexandre Gonçalves e a Poetisa Dulci Ferreira. Houve momentos de poesia e também musicais, ao piano o Francisco e nas vozes os jovens JOANA e MIGUEL, que deliciaram todos os presentes. Todos os elementos da mesa de honra usaram da palavra. Quem apresentou a Poetisa DULCI FERREIRA, foi a Drª Ana Nunes, Gestora do Santuário da Lapa. Mas quem é DULCI FERREIRA: Natural da Freguesia de S. Joaninho, concelho de Castro Daire e nasceu a 1 de Maio de 1963. Casada e Mãe de duas filhas. É licenciada em Estudos Artísticos pela Universidade Aberta, empresária no ramo dos Transportes Internacionais e foi premiada nas Categorias CONTO e POEMA, nos Jogos Florais Vale Varosa-Tarouca em 2016. Foi homenageada como poetisa, pelo Grupo ASAS DE POESIA, na Biblioteca Municipal Dr. José Vieira de Carvalho, da Maia-Porto, em Maio de 2016. Tem 4 obras publicadas e é coautora em inúmeras antologias e colectâneas. DULCI FERREIRA é uma mistura de racionalidade e coração e vai trilhando caminhos de Sonho e Amor, em cada trabalho divulgado, resvalando paulatinamente em cada reflexão, que de utópico só resistirá aos trilhos, olhos de quem as suas obras não consiga descobrir. Duradouro é o apólogo que nos eleva à Luz.
RADIO LAFÕES de S. Pedro do Sul foi convidada. GAZETA DA BEIRA e ECOS DA GRAVIA, estiveram representados por Fernando Morgado.
Transcrição do texto lido por Ana Nunes na apresentação dos livros de Dulci Ferreira
Querida Dulci Ferreira
Ex. mos constituintes da mesa
Nobre plateia…
Frederic Nietzsche escreveu um dia:
“E se a verdade fosse uma mulher?”
Utópico?! Certamente, responderiam afirmativamente muitos ainda neste nosso século XXI.
É bem conhecido o problema existencial que este filósofo detinha com as mulheres, mas possivelmente reformularia os seus pensamentos se residisse neste século, conhecesse e acompanhasse Dulci Ferreira, mulher e obra.
Maria Dulcídia de Almeida nasce (Dia assinalado mundialmente como dia do trabalhador) 1 de Maio de 1963 na freguesia de São Joaninho, Concelho de Castro Daire, distrito de Viseu, ou seja; é uma “MONTEMURANA” de gema!
Oriunda de uma família simples, não se descuidaram os seus progenitores de a dotar a ela, e aos seus 6 irmãos de uma educação tradicional onde imperaram princípios e valores conservadores no qual a religiosidade e solidariedade eram práticas de família.
Crescendo em sabedoria e graça, divulgando constantemente aptidões para voos maiores, na supremacia da Serra do Montemuro detém atributos para contemplar as remanescentes perspetivas através do seu infantil olhar.
Nas décadas da infância de Dulci a comparência na serra é dura, ingrata, detém períodos que não se compadeceram de ninguém. Fraco futuro espera a jovem Dulci, criança simples e pobre. Possivelmente uma jornada de servidão!
Cedo se revolta perante as injustiças da vida e da sociedade em que está inserida. Guardadora de cabras e de sonhos, com uma proximidade muito forte ligada á figura paterna, a admiração e reconhecimento do esforço e carácter do pai, moldam-lhe a personalidade, onde impera na quantidade perfeita e explosiva a rebeldia e o inconformismo, características estas, que a irão acompanhar pela vida fora, assim como a solidariedade e a proteção do mais fraco.
Detentora de uma fértil imaginação, aliada ao seu gosto pela leitura, vai dando à menina mulher aqui presente, um mundo só dela em que a perceção entre a realidade e a fantasia se complementam. Começa a ficcionar vivências e histórias ao mesmo tempo que vai transformando conhecidos com quem priva em personagens de contos que ousa elaborar para ela mesma.
Com as obras infanta/juvenis “Aventuras dos 5” ousa criar outros mundos paralelos ao dela e “dar o salto” para eles, onde constrói a sua carapaça sentindo-se venturosa no mundo utópico que neles reina.
Revoltada, irreverente, vaidosa, justiceira, sonhadora, audaz, solidária e protetora, assim a existência apurou o caracter e a personalidade de Dulci Ferreira, formatando uma guerreira de opção, completamente aprontada para as batalhas que houve travar pelo tempo fora, para as quais continuamente fruiu uma postura combativa, e, até hoje, arrojou transpô-las com resolução.
Fora do sistema educativo no qual jamais se reviu, ingressa no mundo do trabalho aos 16 anos incorporando os quadros de uma serração, trabalho duro este, mas toma-o ela como uma punição imposta a si própria de feição a penalizar-se pelo não sequência do seu caminho natural que deveria ser o académico, o qual a sua essência a dotou. Casa, constitui família e persegue em frente, há que continuar.
O seu formato irreverente não alcança estar quieta, cria a sua própria empresa no ramo da construção civil, mercado na altura muito masculinizado, opta por uma postura fria e vertical mas nunca se afasta da sua forma feminina de sentir, de ser mulher.
Durante 18 anos foi uma empresária de sucesso.
2008 A crise económica que afeta o país, faz as suas maiores baixas no ramo da construção civil, obriga-se Dulcí a tomar a decisão de cerrar a empresa e encetar outra etapa na vida.
Ela é uma mulher da serra recupera vigores nesta para novamente reiniciar a luta.
Ah! Mas os livros, esses, os seus colossais e verídicos amigos, continuaram a acompanha-la pela vida fora, e como a própria escreve; “… era através deles que vivia as maiores aventuras, integrava guerras, redigia acordos de paz e dava asas aos sonhos/’
Agatha Christie Eça, Camilo, Homero, Dante, Shakespeare ou Cervantes, a composição do saco do arroz, o panfleto publicitário do supermercado… tudo lhe servia para descomprimir e viajar com a imaginação.
Pela mão da já então crescida filha mais velha, retorna à vida académica, inscreve-se no programa ” Novas Oportunidades”, e conclui o 129 ano com distinção. Desafiada a dar continuidade à sua formação académica em 2011 inicia o ensino superior em Estudos Artísticos o qual finaliza em 2014. Entre os trabalhos académicos e o término da licenciatura ainda arranja tempo em 2011 para publicar o seu primeiro trabalho, “Na companhia das letras” dois anos depois (2013) lança a sua segunda obra poética “Envolvência”, ainda nesse ano principia a sua mais importante batalha, uma luta extenuante pela vida que ainda hoje mantêm sob alçada e controle.
A 3 de dezembro de 2016 publica aquele que até hoje é o seu “Best-Seller” ” Rosas Brancas”, um romance que tem tanto de biográfico quanto de sublime.
Não sendo de todo uma pessoa de demonstração de grande afetos exteriores, tem dons únicos que vêem de berço e lhe foram incutidos pela boa educação que usufruiu nos exemplos vividos na primeira pessoa, o da solidariedade é um desses, certamente herdado de sua mãe.
Além de postura social de apoio ao próximo tão profundamente vincada, possui conjuntamente uma forma de interveniência social bastante ativa. Escreve para a imprensa local, gere as suas páginas nas redes sociais onde intervém ou expõe os seus trabalhos com bastante sucesso.
Com vários projetos em curso quer pessoais quer em equipa, ainda é coautora de imensas obras em várias coletâneas publicadas e vai participando noutras, é detentora de alguns prémios e homenagens.
Estamos todos aqui presentes hoje Dulci pafa te ajudar a colocar mais dois baluartes no teu percurso bibliográfico já deveras acentuado, sem que exista necessidade de provares seja o que for para que te reconheçamos o mérito de escritora consagrada. Mesmo assim presenteia-nos com duas excelentes obras, (falo “excelentes” com conhecimento de causa, eu já as li), “UTUPIAS DE PENSAMENTO, Volume I e II,
Seguindo o atributo que caracteriza a autora, mais uma vez teremos o cariz social de beneficência presente, contribuindo assim ela com uma parte dos lucros da venda destes livros para uma obra de solidarização com o próximo. Bom seria que muitos abraçassem também esta causa apoiando– a com a compra das obras. Este não é de todo um pensamento utópico, mas sim uma constatação da realidade.
E para finalizar que mais poderei dizer? Tão-somente Dulci Ferreira escreve por prazer e para nosso prazer com criação, arte e engenho.
Como alguém escreveu numa das sinopses das tuas obras
Ela (Dulci) é força que da natureza prima. Tudo nela se transverte em “Raiva ou Rima”
Como poderão constatar ” Raiva ou em rima” está entre aspas sinal que é uma citação.
Paulo Leminski in Caprichos & Relaxos
AMOR Amor, então, Também, acaba? Não, que eu saiba. O que eu sei É que se transforma Numa matéria-prima Que a vida se encarrega De transformar em raiva. Ou em rima.
Dulci, ainda bem que no teu caso se transforma em rima!
Duradouro é o apólogo que nos eleva à luz!
Continuação de uma excelente tarde para todos vós!
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