António Nazaré de Oliveira – Continua entre nós
Fernando Luís
No passado dia 22 de Janeiro, na cidade de Viseu, partiu o bom amigo Dr. Nazaré de Oliveira, ilustre pedagogo, historiador e escritor. A missa na igreja da Imaculada Conceição e a cerimónia no cemitério velho da cidade decorreu de uma forma simples adequada à maneira singela e recatada como viveu. A maioria dos seus antigos alunos e dos fiéis leitores não tiveram conhecimento do triste desenlace. De outro modo, muitos deles manifestariam o seu pesar e o acompanhariam na hora derradeira.
Não fui seu aluno, mas esta coisa dos jornais cria muitas amizades. Ao longo das últimas décadas, foi com muito prazer que ouvi os seus conselhos como quem bebe a água mais pura da fonte do saber e da experiência.
Com o passar dos anos, as limitações físicas reduziam-lhe as deslocações, mas não lhe tolhiam a memória prodigiosa e o pensamento lúcido que sempre revelava. No auge da publicação das crónicas, dizia-me que assuntos para escrever não lhe faltavam. Infelizmente, pelo último telefonema, apercebi-me que a lei da vida é o último entrava ao nosso querer.
As obras publicadas aí ficam e o resto a publicar não deixará de ter o tratamento e o destino que as suas filhas por bem irão decidir.
O seu currículo profissional, ligado ao ensino, e a sua obra de escritor e historiador estão bem patentes no trabalho que a Paula Jorge publicou na última Gazeta.
Na conceituada revista Beira Alta, ao lado do Dr. Alexandre Alves, teve papel relevante. Aos sampedrenses deixou talvez a melhor obra que se escreveu sobre as Termas de S. Pedro do Sul.
As crónicas que foi publicando neste jornal eram literatura pura e revelavam uma adequada observação e uma minúcia artística só semelhante aos traços que os bons pintores deixam na tela.
Pela obra que nos deixa, o Dr. António Nazaré de Oliveira continua entre nós. Ficará na memória de quem com ele privou e as futuras gerações encontrarão nos seus escritos elementos fundamentais para conhecer a história da nossa terra e a geografia humana que marcou as últimas gerações. Por tudo isto, para além de repetir que as suas crónicas merecem ser publicadas, sou de parecer que a autarquia da sua terra não deixará de dar o seu nome a um espaço de instrução e cultura.
Lembrei-me do edifício do antigo estabelecimento prisional que, em boa hora, a Câmara Municipal projetou transformar em biblioteca municipal. Ora, seria adequado que esse espaço recebesse o nome do professor, historiador e escritor António Nazaré de Oliveira.
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