António Gouveia
Tempo de mudar de agulha

Continuamos um tanto perdidos, tal como o minotauro, neste labirinto pandémico não é nem será o último do século, a I guerra mundial e pneumónica entre 1914-18, com muitos milhões mortos, foi igualmente brutal, não tanto o naufrágio do Titanic, em abril 1912, sim a surpresa do desastre e 1.500 mortos, também a revolução russa, outubro 1917, os muitos ismos cunhados que se lhe seguiram, fascismo, comunismo, bolchevismo, menchevismo, nazismo, muitas facas, armas, balas e crueldade que despoletou a sua ideologia, o brutal assassinato da família Romanov e czar Nicolau II, mulher e cinco filhos ainda jovens, abatidos sem compaixão e misericórdia, em julho de 1918, numa cave onde estavam presos, a Grande Depressão em 1929, dobrou e devorou o capitalismo efervescente, mais tarde a II guerra mundial de 1939-45, Mussolini, Estaline, Hitler, Churchill e Roosevelt.
Por cá temos a morte do condecorado Marcelino da Mata, os Mamadu do costume querem reeditar e resgatar a História, uma impossibilidade, foi o que foi, todas as guerra foram injustas e sem explicação, mas existiram e continuarão, debitam uma ignorância confrangedora do que foi a História de Portugal ao longo dos séculos, vitórias e derrotas, eterna dicotomia entre fortes e fracos, exploradores e explorados, ricos e pobres, crentes e descrentes, racistas de todo o tipo. Cuidado, muita atenção: racista, fascista, comunista, filho da p …* são tudo expressões ou palavras polissémicas hoje, nada têm a ver com o que eram no passado quando cunhadas, trocam-se por aí como arremesso de arma ofensiva, já não têm o mesmo valor, a liberdade sexual, por exemplo, deu cabo da expressão que, por recato, acima trunquei com asterisco, também o racismo nada tem a ver com a cor da pele, existe entre brancos e entre pretos e amarelos, é um estado de espírito ou, melhor, um preconceito entranhado nas nossas mentes, é toda uma abordagem sem sentido, discussão estéril e inútil, túnel escuro com fundo imenso donde nunca surgirá um pirilampo.
Ora, se assim é, se esta pandemia começa a dar sinal de abrandar, se a campanha de vacinação ameaça melhorar a logística e só peca por falta de vacinas – bem andaram os israelitas em arriscar comprar caro, por isso na frentes destacados, não vale a pena esconder o col com a peneira, não temos cheta -, elevemos o pensamento, precisamos muito pensar positivo martirizados há muitos meses, com vontade de agredir tudo e todos, temos de ter calma, a desordem não leva a lado nenhum e, os mais atentos e observadores, percebem que anda tudo inquieto e insatisfeito, o que, convenhamos, tem razões além do drama e consequências da pandemia. Preparemo-nos para as eleições autárquicas que se aproximam, não sei se adiadas por um ou dois meses, acho que seria uma boa decisão, exortando os líderes políticos a uma boa escolha dos melhores e mais competentes para nos representarem nas várias autarquias. Procurarei dar contributos, agora que estou no final da comissão de serviço (a política é, deve ser, um serviço aos outros), também destruir ideias e preconceitos que não correspondem à realidade, a política precisa de todos, somos poucos, não há assim tantos eleitores disponíveis a “dar o corpo ao manifesto”. Disso e muito mais falarei, uma experiência de 20 anos como autarca pode ser útil, alimentando o debate, daqui convoco quem me ajude, devemos contribuir para um Portugal melhor, bem precisamos, às malvas a pandemia e o bota abaixo.
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