António Gouveia
Pandemia e Economia, não há-de ser nada
De novo em cima do pântano, o pânico está instalado, permanente e insistente, não é bom. Com medo e pânico têm sido os povos severamente violentados ao longo dos tempos: fascismo, nazismo, estalinismo, maoismo e outros ismos. Pior: a América (USA), pátria de liberdade, passa por um momento terrível, dividida em dois blocos, depende muito do resultado das eleições. Se se mantiver na liderança a estupidez e grosseria de Trump, vigarista impreparado e insolente, a situação do mundo agravar-se-á e a China, paulatinamente na sua filosofia confuciana, continuará a tecer a teia para nos cobrir com um modo de vida que não estamos talhados, a cultura ocidental não é essa. De Putin, pouco sabemos, a TV exibiu-o agora, montado no alazão, em tronco nu. Já o tínhamos visto, mas, desta feita, carregando Marcelo atrás, o tronco nu flácido, esta montagem do Eixo do Mal não é boa para o nosso PR, entre Nim e Putin, deve avaliar melhor o peso político da intrépida, destemida e sem meias tintas, Ana Gomes. E mudar de tática e atitude perante António Costa, o PM anda perdido entre o Governo e um PS que não lidera, a militância, esfomeada, abocanhou muitos lugares e tachos por esse país fora, muita gente impreparada e incompetente na autofagia do poder, erótico, por vezes pornográfico. Teimoso, quer governar em minoria sem uma coligação minimamente credível como aconteceu no mandato anterior, destrata a oferta do PSD e Rui Rio, quer forçar o namoro com o BE e PCP, às mijinhas, ao que veem, medem e sabem, dele fogem a sete pés. Não sabe que o primeiro mandato correu bem porque a herança recebida ajudou muito, a limpeza feita por Passos Coelho foi sôfrega e impiedosa, outro teimoso e obstinado, bruniu com ferro de chumbo o burel onde derramou muita água e lixivia, intoxicando uma classe média que não lhe perdoou e tirou o tapete em 2015. Esperava uma condecoração? Devia saber que quem cria riqueza e não desperdiça são as pequenas e médias empresas, comerciantes e empresários, enfim, a classe média de trabalhadores e funcionários. Para que outros possam gastar.
Agora, esta pandemia mortífera, ninguém sabe até onde vai chegar. Foi preanunciada em 2015 por Bill Gates quando alertou para o desperdício de muitos triliões em armamento a alimentar uma economia de guerra, também mortífera, dando jeito aos Trump mundiais, tipo AFA (America First Again): Xi Jinping, Putin, Erdogan e outros, em vez de os investirem na preparação do ataque ao vírus que ia chegar. E chegou, no início do ano, cinco anos depois, após 2 500 anos de pestes, mais uma, escreve J. Nogueira Pinto no seu didático livro Contágios. Temos de contar com um SNS em grande desalinho, impreparado e sem plano de ataque à Covid, não aprendeu com os erros nem com o exemplo dessa mesma China que em 45 dias levantou um hospital para a tratar em exclusivo, libertando os restantes para as consultas e cirurgias habituais. A ministra da saúde tem uma cara laroca, mas é muito ideológica, temida de nome e teimosa (outra), não quer os privados no SNS, mas foi à Luz Saúde chinesa que mandou comprar milhões de artigos importados. E nem percebe que os problemas do SNS foram agravados (antecipei aqui essa tolice) com a redução laboral das 40 para 35 horas, em 2013. Faz que não vê o pessoal dos hospitais centrais num virote e frentes de batalha, esgotado, em risco, desalentado, mal recompensado, incrédulo perante o seu e dos seus ajudantes blablá diário nas TV. Dos parentes pobres do SNS, centros de saúde, nem é bom falar, nem as minudências resolvem, muito menos agora, as comunicações e marcações atafulhadas, os telefones fora do repouso, não têm vacinas, nem competência, nem formação, ouço a quem lá trabalha, desanimados, ainda há por lá muitos carregadores de piano, salvam a honra do convento. Enfim, um país sempre a correr atrás dos prejuízos no já proverbial desenrrascanço e reza: “Por Deus e Nossa Senhora, não há-de ser nada”. É, sempre foi assim: na saúde, nos incêndios, no orçamento, outra toleira e teimosia do PM. É este o problema insolúvel do país e portugueses, mão estendida à caridade, mais uma vez na esperança da bazuca (mais uma) de fundos comunitários com destino traçado: 135 minutos em viagem de comboio entre Lisboa, Porto e Vigo e, já agora, acudir às desgraças TAP, Novo Banco e Montepio, a seguir. Esta gente (nós) é teimosa e não tem juízo, não se governa nem se deixa governar, diziam há 2 000 anos de nós os romanos, menos 500 que todo este tempo de pestes. E ai, Jesus. Que Ele nos proteja.
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