António Gouveia
Espigos, respigos e respingos outonais, um molho de grelos
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Nelson de Souza, ministro do Planeamento, vai recrutar 1.000 jovens universitários para aprenderem a planear o futuro de Portuga, deduzo assim que não há planeamento no país, percebo agora porque anda assim. Aplaudo a decisão, foi distração inadmissível, erro e falta de visão de sucessivos governos, paralaxe, não apenas ótica. Estes tempos são rápidos e urgentes, como tal, a sua falta distrai e maximiza o desenrrascanço onde, dizem, somos bons. Mas o desenrrascanço resolve no momento, é preciso voltar para corrigir e não se volta. O Ministro Souza percebeu, todos nos esquecemos, é pena, que recuperar, faz bem. Recordo os três planos de fomento de Salazar, o I, o intercalar e o II, e ainda o do plano Marshall americano, em 1948, no pós-guerra cujos fundos, “orgulhosamente sós,” não queria aceitar. Aceitou, precisava muito e, logo que as finanças o suportaram, mandou que o MNE pagasse. O governo americano não queria, mas, teimoso e desconfiado, obrigou o embaixador a entregar de novo o cheque par saldar contas, Salazar tinha lido e traduzido a Eneida, conhecia a história do cavalo de Troia, ardil e embuste da incautos. Outros tempos, tempos com muito tempo para planear, nada do que se vê agora apesar das ferramentas, anda tudo ao monte e fé em deus, concursos suspensos, estradas e ferrovias que não arrancam, ficamo-nos pelas ciclovias, do mal o menos.
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Saiu a listagem 2017 do índice (base 100), do Poder de Compra (PdC) dos 308 concelhos, resultado de múltiplas variáveis: IRC, IRC, compras em cartões e TPA, empréstimos bancários, etc. Cresceu um pouco e continua a surpreender, sobretudo os vivem no interior, no enorme desnível das pontas (220 versus 52), exuberante e poderoso, a desigualdade social instalada e incapaz de correção, campeia por todo o país com exceção de Lisboa (220), o concelho que mais se destaca, seguido do Porto (158), algo distante, e Vise, mais ainda (94), % já < à base. Na região Viseu Dão Lafões (80), é Mangualde (82) que, depois de Viseu sobressai, a PSA Citroen ajuda. Mas é Oliveira de Frades (77) que mais surpreende, bate todos os restantes concelhos, Tondela, incluído, um conjunto de empresas na zona industrial de Vilarinho faz toda a diferença ainda que se comecem a notar sinais de abrandamento da economia no país e na Europa.
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Este respigo leva-me a outro tema e notícia, a ganhar mais força e suscitar curiosidade e mais adeptos: a Regionalização. No referendo 1998 votei contra, aconteceu agora no Brexit, no UK, maior a teimosia da divisão do que a do esclarecimento. Os que votámos contra, entendiam que ela comportava um risco enorme, uma luta feroz por mais poder, cargos e funções (leia-se, ‘tachos’); consequentemente, mais despesa orçamental. Entretanto, 20 anos passados, aceitei o repto para integrar liderar um órgão executivo para meter as mãos na massa e perceber melhor como funciona a política no terreno, função diferente do espalhafato e palavreado das assembleias onde há muitos egos. E, passados os tempos de aprendizagem e perguntas, comparação com o que se faz nas empresas, percebi e dei conta de alguns problemas: falta de coordenação e descoordenação dos vários serviços e órgãos do poder; sua captura feroz por Lisboa (repartições Terreiro Paço e adjacentes); multiplicidade de freguesias, municípios e entidades públicas; burocracia administrativa poderosa e inútil; legislação dispersa, abusiva e confusa, prenhe de remissões e tentacular (a advocacia defende e gosta, dá-lhe trabalho e fatura mais); pessoal a mais e o que sobra, muito mal distribuído; salários baixos (mal geral no público e privado). Ora, só uma regionalização bem pensada e planeada resolverá estes e outros graves problemas do país. Portugal, enquanto nação antiga, independente e soberana (?), deixará de existir se não trilhar este caminho, o ponto de interrogação na soberania é propositado, já não somos soberanos, é (sempre foi) pouca a riqueza a distribuir e a pouca que temos vai sempre para o mesmo sítio, como se verifica, também produzimos pouco porque não somos competitivos, não menos importante, consumimos muito e não poupamos, logo pedimos dinheiro emprestado mais do que é desejável. Por que nos queixamos? Políticos somos todos, os que governam e os que, governados, devem saber escolher os melhores e exigir o melhor.
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