António Gouveia
Factos políticos em Oliveira de Frades (e não só)
Apesar do cerco do PS (1500 votos), o PSD venceu as eleições (1914 votos). Nós Cidadãos, o partido ‘barriga de aluguer’ que permitiu a Paulo Ferreira vestir a armadura e revoltar-se contra a modorra, o tachismo e a incompetência do PSD, desapareceu de cena, 41 votos. O PS conseguiu surfar a onda, subiu alto (só Manuel Almeida e João Moitas, ex-PSD’s, conseguiram bom score em 2005). O PSD já não é o que era, por isso se percebe a dificuldade de Rui Rio em “empurrar os bois para o rego”, perdoem a expressão, bois ou boys são palavras homónimas, quase homógrafas. Ainda assim, espero, não deve atirar a toalha ao chão, desejo que se recandidate e ganhe. Conheço-o bem, o PSD precisa, o país precisa, sem RR irá “esfrangalhar-se” (M. Ferreira Leite dixit, corroboro). A democracia está instalada em Oliveira, é bom, antecipo autárquicas em 2021 cheias de garra e disputa. Precisa dos melhores.
No caso de Oliveira, há também desaforos, alguns sem pingo de vergonha: o caso da rede de abastecimento de água é um deles, a infraestrutura básica que só está assim por culpa de executivos PSD. Instalação da rede antiga, da UN de A. Salazar/M. Caetano, sempre foi mal gerida e administrada; mais, desde a construção da represa das Cainhas, decisão menos feliz, ali tudo correu ma. E continua, também nos equipamentos de tratamento de resíduos e filtragem (depósitos, ETA e ETAR), irresponsabilidade recorrente, continuada e ataques ambientais da autarquia, executivos e serviços, distraídos a fazer obras de fachada, pouco importantes e prioritárias para a população. Mas é o PSD que vem pedir contas, dislates, pasmo, nada tem a ver com o problema. No largo da Feira tivemos a sua renovação recente tardava e não ficou mal, um ou outro erro de conceção do projeto na ausência de baias de estacionamento ao longo da rua Maria Céu Neves, é normal. Mas a sugestão de abater as tílias frente à capela foi muito infeliz, alguém que não vive ali, azar meu, Melibeu, das folhas para os chás, do perfume agreste das flores amarelas, do zumbido e mel das abelhas em tardes de verão, outra tolice ambiental. Na queda da árvore, a vereação PSD instou o município a antecipar o valor da indemnização ao cidadão lesado apesar de existir seguro, foguetes de estalaria, não sabem o que é gerir dinheiros públicos, instigam a ilegalidade. Também Porfírio Carvalho (PC) tem discreteado no NdV sobre o mesmo grave e antigo problema da qualidade da água, depois do esclarecimento, na AM, do vice-presidente Carlos Pereira, objetivo sobre as patologias desta importante infraestrutura. Perseguido e levado à barra pelo “atrevimento” desta denúncia deste grave problema em tempos, conhece-o como poucos e culpados. Dirigente de topo no município, deve saber que a responsabilidade política é dos políticos, mas a responsabilidade técnica é dos serviços municipais, a de acompanhar e fiscalizar infraestruturas e equipamentos, propondo soluções aos executivos. O que quer insinuar? Que, no município, só havia um capataz, agindo à revelia da macroestrutura e organograma definidor de funções e responsabilidades, “tudo ao monte e fé em Deus”? Profissionalismo e trabalho de equipas, precisam-se, longe o tempo dos capatazes e audazes, a revolução administrativa autárquica e da Administração Pública começou em 2008.
Boa notícia, compensa a anterior, o Governo vai ter uma nova ministra e um novo ministério: Ana Abrunhosa, a ainda presidente da CCDR-C, vai dirigir o novo Ministério da Coesão Territorial. Afeta ao PSD da Meda, esta é uma prova de confiança, de inteligência e isenção do PM António Costa, na avaliação muito positiva do seu trabalho, muito meritória na pessoa que desenvolveu excelente trabalho na Direção Coordenação Regional Centro, também no acompanhamento e avaliação do grande desastre dos incêndios há dois anos. Todos os projetos (foram muitos) foram decididos atempadamente e já estão financiados. Empresas e fábricas já a laborar. Ouvi ontem na reportagem da SIC, comparativamente, os serviços da CCDR-N e o seu colega presidente ficam muito mal vistos, os projetos ainda andam a marinar. Vale a pena pessoas assim competentes no Governo, dão o seu melhor à causa pública e política, nem tudo é mau. Oxalá que o seu ministério fique com a secretaria de estado do interior e não seja esta decisão uma forma subtil de travar a regionalização, a única solução para aumentar a competitividade das regiões pois é na competitividade e nos grandes desafios que os portugueses se afirmam, contribuindo para maior produtividade e mais riqueza. Parabéns para a Dr.ª Ana Abrunhosa, o seu sucesso será o nosso sucesso, também o do objetivo da Coesão Territorial, precisa de muita vontade e força políticas.
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