António Gouveia
Diabos e papões à solta nas legislativas 6 de outubro
Era esperado, quase em cima das legislativas, apareceu o diabo, já o suspeitávamos, a família socialista é useira e vezeira em meter a mão onde não deve, Neves, secretário de Estado do MAI, deveria ter-se demitido em julho, não o fez e enforcou-se agora com golas pecuniárias, instrumento de fogo e incandescente, forma bizarra de, politicamente, morrer carbonizado: Se o tivesse feito no tempo certo, era só chamusco, depressa esqueceríamos a tolice, este tempo não é só de fake news, é também de fast news e explico: somos hoje intensamente bombardeados notícias de todo o tipo, são tantas e tão fustigado o nosso cérebro, o hipocampo, o hipotálamo, córtex, lobos e cíngulas, neurónios e sinapses, que não temos outro remédio para lubrificar a memória senão esvaziar o seu armazém mandando para a reciclagem o imprestável. Mas, nesta confusão e pressa (fast), também despejamos informação prestável ao conhecimento. Não são só os media tradicionais, imprensa e TV, é tudo o que nos aparece nas redes sociais, bom, mau, muita aberração. A poucos dias das eleições, já não há tempo para mandar entulho para vazadouro, o antigo autarca da Arouca conventual perdeu-se. É o diabo, de que serve ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma?
Também começaram a aparecer agora alguns papões, diabinhos encapotados, zombeteiros, de preto vestidos e corninhos vermelhos de enfeitar em contraste. Na maioria dos partidos, com destaque para o PSD e o BE, esgrime-se o papão da maioria absoluta socialista, ânsia propalada não há muito, mas que – et pour cause! – perde folgo. Um perigo, convenhamos; se em maioria relativa, apoiada na geringonça e desenrascanço, o PS usa, abusa e se porta tão mal, como seria com o poder todo? Quem de mete com o PS, leva, estamos avisados há muito, não há desculpas. Maiorias absolutas, carta branca em democracia, num tempo tão ingrato e indefinido, geraria totalitarismos de todo o tipo. Outro ainda: a magnífica tolice do Magnífico Reitor Coimbrão, a proibição do consumo de carne de vaca na universidade, entusiasmo para André Silva que não engordará a votação no seu PAN, emagrecê-la-á e o seu entusiasmo, alguém engorda sem bife do lombo, 50 g/semana que seja? Ingovernabilidade: António Costa, cidadão inteligente, reclama som o exemplo de Espanha, poderia ter falado também na Grã-Bretanha e na Itália. De nada lhe vale, não nos engana e não é este o problema, em Portugal não temos nem Barcelona nem Catalunha, só Benfica e Porto, uma brincadeira. O povo, que é fino, apenas quer que os partidos se unam e entendam nas muito necessárias reformas estruturais, delas precisa e tardam: melhor administração pública, mais descentralização, melhor legislação eleitoral, segurança social, saúde, educação, segurança, flexibilização legislação laboral, combate à precariedade e baixos salários, andamos a dormir, está tudo preso por arames.
Assiste-se também a uma viragem, impensável há pouco tempo: Catarina Martins diz que o BE é social-democrata, desapareceram os amanhãs que cantam, portanto. Se não for jogada política de puro oportunismo e propaganda, mas um momento de humildade, mea-culpa, arrependimento e arrepio de caminho, é bom. São muitos os partidos a concorrer, 21 ou mais? O risco de pulverização de votos é outro papão. Há, isso sim, mais um diabo à espreita, tem tanto de esperto como de velhaco, é a abstenção. Nas europeias rondou 70 %, não é um papão, mas pode ser o diabo travestido a ajudar o PS no objetivo da maioria absoluta, tantos são os portugueses com mau conceito da política e dos políticos, vivendo nesta ilusão estúpida: sem política e sem políticos, seria melhor. Não seria, só o caos a desordem, a revolução, o pior dos diabos à solta. Não temos alternativa, há muitos partidos por onde optar e escolher, votar é cumprir um dever de cidadania, “o voto é a arma do povo!”, grito e slogan do 25 de abril.
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