António Gouveia
Rui Rio, o PSD sem norte e este futuro incerto

Temos vindo a assistir a um ataque surpreendente a Rui Rio desde que foi eleito presidente do PSD como há muito não se via. A oposição ao PSD é nela a parte mais benévola. Os enquistados nos lugares do PSD não se conformam, democraticamente, com esta eleição e tudo têm feito para abater o líder e abalar a sua credibilidade, mais até os eleitos na AR com maior poder de fogo, sabendo alguns ter os dias contados não integrando as listas nas próximas legislativas. E até a distrital de Viseu joga com um pau de dois bicos, vão longe, muito longe, os dias do cavaquistão com maiorias avassaladoras, salazaristas e injustificáveis. Todos estes jogos de poder, convenhamos, de pequena e baixa política, pouco impacto terão na opinião pública apesar dos “casos” vindos a lume por eles semeados e alimentados na intriga política que julgam dar dividendos. Não os quero analisar, defendo uma ética política à prova de fogo enquanto objetivo de qualquer eleito, mas nem por isso devo arredar a fragilidade humana (os seus pecadilhos), agravada por genética desviante muito portuguesa, traduzida na astúcia bacoca e na chicoespertice, seja para ultrapassar o outro, seja para conseguir benefícios através da cunha, quando não e pior ainda, da corrupção. Ela continua na moda nos últimos tempos (Viseu fustigada). Sem consequências, a justiça é pouco célere e o código processual civil é mais protecionista e garantista dos arguidos depredadores do que das vítimas, infelizmente.
É verdade que as sondagens não dão alento a Rui Rio – et pour cause! -, a perseguição infame dos correligionários e de alguma comunicação social que gosta de se alinhar com o poder e não tem coragem de o afrontar, deixa-nos estupidificados e impotentes. Mas não acredito que, lá para o verão, António Costa e o PS tenham a vida facilitada e consigam a maioria desejada, o PCP e o BE pouco têm feito, bem ao contrário, a paz social está em causa. A menos que esta seja a forma encontrada para forçar a entrada no próximo governo e, aí sim, já o escrevi aqui, melhor seria vê-los “meter as mãos na massa” para perceberem quanto é difícil governar com uma manta financeira rota, retalhada e de dimensão desadequada, sem margem para atacar e diminuir esta dívida pública sufocante com tendência para evoluir negativamente se faltar o apoio do BCE e as taxas juro começarem a subir. Rui Rio, se bem o conheço e à obra que deixou no Porto, nos bairros sociais, nas que estavam paradas há meses um pouco por toda a cidade em 2001 e terminando em 2013 com as contas em ordem, irá conseguir e levar o PSD a um bom resultado nas legislativas de outubro. Capacidade, experiência e competência não lhe faltam, mesmo vencido, político consistente e sensato, não confunde política com futebol, enquanto governação em disciplina orçamental, dela tem um sentido ético e de serviço, o país está antes do próprio partido, sabe que o PSD terá ganhos de causa. Não acredito em maiorias em 2019, por isso um bloco virtuoso e abrangente, forte e realista (até o PCP está mais solto, aberto, moderno e convencido) para levar por diante as grandes reformas, duas boas utopias, desentorpeceriam Portugal que não pode continuar sem glória a cumprir os mínimos e a não descolar da cauda do pelotão. É uma exigência a que todos os políticos, sem exceção, não se poderão furtar sob pena de o país real lhes retirar a confiança e os abjurgar de vez, decisão terrível para a democracia. Por mim, que não sou radical nem tenho peias ideológicas, gostaria que as várias forças políticas percebessem as linhas vermelhas que Portugal não pode ultrapassar quando falamos da Europa e dependência política enquanto país pequeno, periférico, num perímetro financeiro ou estrutural que nos deve proteger num tempo de incerteza, a do Brexit do Reino Unido e a da Itália, ela própria com a grave crise resultante da viragem à direita populista e que não facilita (não diria extremista), a questão dos refugiados é difícil de resolver, a Itália tem razão, abandonada perante este grave problema social e as suas cidades transformadas em acampamentos de estrangeiros sem eira nem beira clamando por apoio e solidariedade, ou caridade, a palavra certa que saiu do léxico, não sabe o que fazer e pode fazer asneiras, a raiva é má conselheira, há um fascismo latente que está à espreita. Seria terrível e muito nefasto regressarmos ao passado.
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