António Gouveia
2017 – O ano do Galo e dos Tramputineiros

Chegou 2017, o ano do galo. Segundo o horóscopo chinês, o ano das incompatibilidade e choques e lutas que interferem no relacionamento. Bate certo, por isso me atrevo a um neologismo para o ano que começa: tramputineiro, no caso, plural, são dois. O leitor, que é inteligente e culto (por isso lê jornais e sabe informar-se), já percebeu que esta palavra é parecida com uma outra, trampolineiro, sucedânea, a mesma onomatopeia e cadência, mas maior gradação (tudo figuras de estilo). E, como esta, tem o sufixo nominal eiro, que informa as palavras com um sentido de ocupação, ofício ou profissão, por um lado; uma ideia de intensidade ou aumento, por outro; e, por último, a noção de coletivo. Assim, por exemplo, trampolineiro refere pessoas que não inspiram confiança, que procuram enganar e ludibriar, pessoas com ofícios ou profissões com forte intensidade, enfim um coletivo (de chicos-espertos e corruptos). Ou (daí o radical trampolim, equipamento utilizado na ginástica para saltar, subir, cavalgar e projetar os atletas mais alto e mais além) aqueles que têm como objetivo intensivo o querer atingir determinados fins, sem olhar a meios, isto é, a qualquer preço. É a doutrina renascentista (séc. XV e XVI) ensinada e escrita no Príncipe pelo escritor, político e filósofo Nicoló Machiavelli, secretário na chancelaria da corte florentina de Lourenço de Medici. Descobri esta nova palavra por associação de ideias e pessoas logo que Donald Trump foi eleito presidente dos EEUU. Ao contrário da palavra popular similar, este neologismo a que dou corpo e forma é composto pelos dois nomes que vão estar na berlinda em 2017, conluiados (mesmo que não pareça) para dividir território e negócios e empurrar a China para dentro da sua muralha. Por isso este é o ano do Galo, das incompatibilidades e choques, e lutas que interferem no relacionamento, o horóscopo chinês bate certo, uma coincidência. Trump (tramp, assim a pronúncia do arguido), o novo líder americano, escondido na hipocrisia do seu primeiro nome, Donald, enganar incautos com a figura simpática do pato famoso de Walt Disney; e Putin, o líder russo pós perestroika eternizado ora no poleiro ora no galinheiro (outra coincidência o ano do galo, é todo um jogo de capoeira) o qual divide com um galináceo, figurante e cantador sem voz, Dmitri Medvedev?. São estes os dois novos senhores (ou figurões) que podem virar o Mundo às avessas agora que – dizem por aí – há um rio de ferro a arder e a correr veloz no interior da Terra e nosso planeta como se ele já não andasse a arder desde há anos, cá em cima, na Síria, Líbia e Iraque, podendo alastrar as lavas inundando o Mundo com a terceira guerra mundial. “Si vis pacem, para bellum”, será bom prepararmo-nos. Sinceramente, não quero ser pessimista, mas não auguro nada de bom com esta dupla infernal, este rio de ferro,
O Presidente da República, na sua primeira mensagem de Ano Novo, trouxe-nos, como lhe compete, mais otimismo e alento além dos afetos, na pequena revisão que fez de 2016: aumento do “nosso amor-próprio”, confiança na “estabilidade política, na paz e concertação, no rigor financeiro e no cumprimento de compromissos externos”; e deixou conselhos para 2017: “mais e melhor economia, maior justiça social, proximidade entre poder e povo”, isto é, boa política, mais democracia e melhor cidadania. Pediu que se acabe com o que chama a “gestão do imediato” substituindo-a pela “gestão a prazo e crescimento económico”. Esta é, infelizmente, a pecha negativa e o facilitismo do governo (deste e dos anteriores), também do das autarquias, é o comodismo e a preguiça da navegação à vista da costa com medo de arriscar o mar alto sem penedos ou rochedos, o mar das grandes transformações, mas que nos levou longe no passado, um objetivo bem mais No penúltimo dia do ano levei os alunos da minha freguesia para o campo para passarem o dia em desportos radicais, escalada e slide e dizendo á jornalista da RTP1 que nos visitou que era para não pensarem que o mundo é só cidade, há também o campo e a aldeia. Pois bem, como já não temos o mar para galgar, está tudo descoberto e já regressaram as caravelas em 1975, por que não galgamos o interior despovoado e descobrir um Portugal outra vez esforçado e produtivo? Bom Ano, fica o repto neste ano do galo, a ave mais estimada na minha terra, Oliveira de Frades, tem honras de poleiro em rotunda.
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