António Eloy
Se queres a paz não faças a guerra
“Se a guerra não tivesse a desorbitada estupidez profunda dos fenómenos cósmicos, se a produção de uma guerra dependesse de uma engrenagem de vontades claras e precisas, determinaria e fixaria a pequenez humana com mais claridade do que qualquer outro facto ou argumento – mais que o derrubamento de um milhão de toneladas de pedra sobre as nossas costas. A pequenez humana é indescritível. É absolutamente indiferente que o homem pense ou não pense- que o homem acredite ou não acredite.”
J. Pla
O Conselho de Deontologia do Sindicato dos Jornalistas recentemente emitiu um parecer que contesta a parcialidade, ou melhor a propaganda, em que o jornalismo ou melhor os jornalistas se converteram, sem imparcialidade nenhuma, fazendo notícias por encomenda e sem ouvir senão uma parte. E há várias partes, eu sou membro do grupo informal Resistentes à Guerra, formado por objectores de consciência e pacifistas com pergaminhos. Sempre contestámos todas as guerras e toda a violência e fomos mesmo vítimas de violência, eu estive detido na RDA (ainda se lembram?) e em Portugal fui, com muitos companheiros agredido e expulso de manifestações pela paz soviética, e até respondi numa comissão da Assembleia da República sobre isso. E nunca, mas nunca mesmo alguém nos perguntou fora o que fora.
Defender a paz é sempre contestar o discurso da guerra, seja esse maquilhado como se fora de paz. A não violência política e a desobediência civil, a recusa da guerra e do seu discurso é difícil, é um caminho à beira do abismo, mas não há outro a não ser mais guerra. E os nossos média, todos ou quase todos, recusam outro discurso a não ser o da guerra, e todos, quase todos no espaço público o são, sendo o do P.C.P. o reverso da moeda, como o era o do C.P.P.C. /U.R.S.S.
O discurso da não violência política tem grandes mestres internacionais, Gandhi, Luther King, Lanza del Vasto, Nelson Mandela, e vai até J.C. que o encarnava também, como hoje o notável Papa Francisco o vem fazendo, mas contestar o armamentismo ( e as armas, a sua produção e as consequências do seu uso estão fora dos acordos climáticos e são directa e indirectamente, talvez, a 2ª ou 3ª maior fonte de gazes de efeito de estufa). A guerra é, também, por via do armamento (e das centrais!) nuclear o maior risco que a humanidade enfrenta, e não o mundo que esse sobreviverá sem os racionais que pretendemos ser.
As ligações entre os fautores de guerra, os grandes empórios económicos, as empresas de comunicação social, as trilaterais que moldam o pensamento e o transformam, entre-muros e de sentido único, que dominam os espaços públicos e são, como aqui referi já no caso da CNN, dominadas pelos mesmo detentores do capital meta-financeiro, já sem qualquer origem na produção e na economia.
É difícil orientarmo-nos por entre as florestas de pseudo-informação de, também com auxilio dos vómitos que são as chamadas redes sociais, na maior parte das vezes um mero algoritmo instrumentalizado para produzir falsa informação, dar corpo a autênticos “non-sense”, disparates sem sentido, desde a Terra oca (fantasia já dos nazis) ou plana, aos delírios do domínio mundial por vampiros ou pedófilos. Hoje infelizmente escassos órgãos de informação ainda nos vão dando algumas referências, mesmo quando também já partilham as lógicas dos donos de hipermercados ou empresas de produção química alimentar, ou a indústria da nuclear, com tudo o que ela acarreta, como o caso(CNN) acima referido.
Guerra contra a Terra é o que assistimos, e não vale a pena socorrermo-nos de literatura que já a antecipava e metermos a cabeça no buraco. Temos que agir antes que seja tarde. O relógio não pára.
Aqui, desde há quase três anos (sem que deixe de ser uma fonte de informação privilegiada) https://obseribericoenergia.pt temos procurado selecionar e divulgar as fontes de informação do universo não cartelizado, que com os jornais locais e outros específicos, vai resistindo ao rolo compressor e procurando não ser esmagados pelo muro.
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