António Eloy

A moral e a política Uma bazuca contra o clima ou? (II)

A moral e a política

Uma bazuca contra o clima ou? II

“Só vemos bem com o coração”

Ste Exupéry

Outro tema central é a agricultura, a agro-silvo-pastorícia, a agro-ecologia que deve ter centralidade. Referi a reintrodução do lobo no Sul, a luta contra a doença do azinho, e também do sobro, temas que agora deixo no éter, mas para tal é essencial pôr fim ao regadio e investimentos para esse, quantas novas e inúteis barragens se propõem?, fim ao estufismo, fim a lógicas de intensivismo agrícola, depauperador dos solos e ajudante das emissões, e rever as barragens existentes e iniciar um programa de desmantelamento de, muitas dezenas, obsoletas.

A agro-silvo-pastorícia, é base de uma correcta agro-ecologia, deve  limitar a quantidade de cabeças e privilegiar raças autóctones, ovinos, caprinos, suínos, bovinos e touros ( que permitiram o regresso do abutre negro, e como nos dizia Ribeiro Telles são fundamentais para a ruralidade e a manutenção das populações no território, as suas festas e tradições culturais). Apoios ás produções agro-artesanais (azeite, vinho, mel, carnes certificadas, etc), assim como ao sequeiro, articulado com aproveitamentos silvícolas.

Mencionei ainda o desenvolvimento e investimento industrial apropriado, falei sobre políticas de educação, ambas com a matriz ecológica e mencionei o meu contacto pessoal com Ivan Ilitch e as suas ideias, e nesse quadro , aproveito para mencionar mais uma contra a bazuca:

Apoiar sistemas de saúde de maior proximidade, centros de saúde equipados devidamente em vez de apostar em novas grandes unidades, reforçar as que já existem numa lógica de articulação com essas, incentivar as redes de cuidados pré hospitalares e desenvolver lógicas de envolvimento das pessoas.

Apoiar o desenvolvimento das redes de termalismo assim como integrá-las no SNS, e aí voltei a referir a geotermia.

-Não podemos esquecer  o ambiente e ordenamento do território e  nosso sistema de classificação e protecção da natureza, hoje sobre graves ameaças e que tem que ser radicalmente revisto, Criar novas articulações dos espaços, mal, muito mal protegidos, por ausência de investimento, com autarquias e associações e integrá-las com os planos municipais de ordenamento, mas, desde logo,  criando uma supervisão qualificada a nível central, e também prever algumas reintroduções de espécies.  E  a recuperação de territórios ex-minerados, por exemplo, e as ridículas políticas de reciclagem e tratamento de efluentes ou resíduos, que temos por cá..

Só tudo isso articulado é  receita para combater as pavorosas alterações climáticas, que se não forem detidas transformarão o Terreiro do Paço! Em S.Marcos, o resto é conversa fiada. E contra as bazucas e o crescimento, melhor e outra coisa, agora que entramos no centenário de nascimento de um homem maior do nosso ambiente (Gonçalo Ribeiro Telles) temos que dar caminho ao seu caminhar.

*António Eloy – Escritor, coordenador do Observatório Ibérico de Energia

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