António Eloy
A moral e a política - Contra as fronteiras marchar, marchar II
“A nação é uma ilusão, cheia de mentiras e invenções, de sons e de fúrias, e de facto não significa nada”
adaptado de Shakespeare
“ Contra os bretões, marchar, marchar, pela pátria lutar, lutar”
original da Portuguesa
1 – A história inventa muito, sabemos hoje que grande parte dos mitos da história nacional são invenções totais ou parciais, Viriato desde logo só existe a partir do século IV, Aljubarrota foi uma escaramuça numa poça, e em 1640 o heroísmo foi atirar um amante da Duquesa pela janela. No final do século XIX quando um rei, ao largo da Povoa de Varzim, perguntava a uns pescadores se eram portugueses ou espanhóis ouviu em resposta que não senhor eram…. poveiros.
2 – Em todos os países a construção da nação dá-se a partir do século XIX, com a criação do exército permanente (a conscripção) e de estruturas financeiras centrais (os bancos nacionais, sendo que já os havia desde o século anterior privados). É dessa altura que temos os parlamentos a aprovar os orçamentos, também.
É também do século XIX que temos os grandes falsificadores, alguns sendo, também, é certo eméritos historiadores, caso de Alexandre Herculano, que moldam um passado que nunca existiu, ao serviço da dita. Adiante.
3 – As guerras, todas as guerras tem pois que ver com outros pretextos que não o de miríficas pátrias, ou a putativa defesa de nação. As guerras tem a ver com interesses mercantis, jogadas do capital financeiro, projectos de controle de recursos, obtenção de áreas vitais para o escoamento da produção, ou a escravização de mais valias produtivas. Nenhuma guerra foi iniciada ou concertada em nome desses mitológicos valores ditos nacionais.
4 – Assim já aqui o escrevi esta da Ucrânia, assim como a contra guerra para a qual políticos imbecis, completamente imbecis, se deixaram arrastar. É óbvio que o imperialismo russo, acossado é certo, é totalmente culpado da invasão, da guerra que desencadeou. E deve ser punido. E é também óbvio que a oligarquia ucraniana aproveitou a imbecilidade dos nossos dirigentes europeus para nos arrastar todos para a guerra, que pode acabar com todas as guerras, mas esse é tema para próximo artigo (mas não posso deixar de referir, que ninguém abre a boca, que a administração americana já reconheceu, que são os ucranianos que estão a bombardear a central nuclear!). Pois como é possível que um discurso de só duas palavras, repetidas é certo milhares de vezes, tenha sido obedientemente seguido sem a mínima, a mínima análise global e das suas consequências? Armas, armas, armas e boicote, boicote, boicote, boicote, sem que houvesse a mais mínima análise dos impactos e do futuro desse beco sem saída? Sem que houvesse a mínima capacidade política ou geo-estratégica (claro inventaram logo dezenas de generais que como verdadeiros idiotas foram promovidos a comentadores!) de pensamento, de como sair deste vespeiro.
5 – Não tarda nada, sem que sejamos vistos nem achados a guerra proliferará, com ela a fome, a miséria (a peste), e a morte ( 4 do Apocalipse) por toda a Europa, porque não tivemos o mínimo bom senso, desde logo não houve, nunca, qualquer interesse em discutir, negociar, falar, porque outros económicos, financeiros e territoriais mandaram sempre mais. Milhares já morreram, milhares continuam a morrer e só vemos os nossos comentadores (por cá todos zelenkados) a gritar mais, mais, mais.
6 – O discurso não violento, da resistência civil radical, do pacifismo e do diálogo, o discursos dos Resistentes à Guerra não encontra senão espaço escasso, muito escasso. Eu próprio já fui duas vezes censurado num jornal nacional por questões, segundo o censor, de estilo. Pois o estilo…defendia a paz. E não me venham com conversas fora do tema. Só não é possível o que não se tenta. E só a morte é definitiva. Em próximo artigo irei falar das mentiras e hipocrisias do boicote (sabiam que a Rússia fornece 40% do urânio ao Ocidente, e….. nada!), e dos riscos que estamos a correr, montados nos ginetes do apocalipse.
*Escritor, coordenador do Observatório
Ibérico de Energia
13/10/2022

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