António Bica

Os produtores de arvoredo florestal preferem, com razão, árvores com produção a prazo não muito longo

Como é conhecido o rendimento das culturas florestais é obtido em prazos em geral largos. Porque os donos dos terrenos a destinar a floresta preferem obter rendimentos dela em prazos curtos, tem sido dada preferência à florestação com eucaliptos para pasta de papel, que podem ser cortados em prazos de cerca de 10 anos, sendo o seu preço em pé (2017) de cerca de 30 euros por tonelada; com pinheiros-mansos para pinhas, que se podem colher anualmente depois de entrarem em produção, sendo pagas a 0,70 euros por kg. (2017). O prazo de entrada em produção dos pinheiros mansos pode ser significativamente reduzido por enxertia dos pinheiros jovens. A bolota dos sobreiros pode ser anualmente vendida como pastagem para porcos de montanheira. A cortiça por eles produzida, que é extraída de 9 em 9 anos, tem boa procura.

Mas a primeira cortiça só pode ser tirada quando o tronco das árvores tem perímetro mínimo de 60 cm, o que ocorre, em média, ao fim de 20 a 30 anos de vida da árvore. Se a plantação dos sobreiros for feita em terreno bem mobilizado ou em covas de suficiente profundidade e largura, e se for feita adequada adubação de fundo de fósforo, cálcio e potássio e posterior adubação de cobertura (azoto, de preferência ureia), esse prazo poderá ser encurtado em 5 a 10 anos. Se os sobreiros plantados forem regados, poderão desenvolver-se em menor número de anos. Mas não deverão ser regados senão nos primeiros anos, para que o enraizamento em profundidade não seja prejudicado, o que levará posteriormente a maior stress hídrico nos anos menos pluviosos e a menor resistência aos ventos fortes.

Depois da plantação ou da sementeira de sobreiros para montado o solo não pode ser pastoreado para não prejudicar o desenvolvimento das plantas jovens, mas o mato que se desenvolve entre elas tem que ser eliminado periodicamente para que se não corra risco de incêndio que venha a destruir ou prejudicar a plantação, a não ser que se faça pastoreio de ruminantes entre as árvores jovens, o que obriga a que cada jovem sobreiro seja protegido por estrutura metálica com rede como já vai acima referido.

Assim a plantação de montado de sobro tem o custo da plantação e das podas de formação dos chaparros até cerca de 20 a 25 anos. Para reduzir ou compensar essa perda de rendimento deverá a plantação ser feita com protecção adequada de cada árvore jovem durante esse tempo.

O rendimento futuro do montado é muito compensador para o dono da terra onde se vai instalar o montado e também compensador para a economia do país por contribuir para a fixação da população rural, para o desenvolvimento da indústria de transformação de cortiça e a exportação da cortiça transformada. A venda de pastagem de montado para porcos vindos para esse efeito periodicamente de Espanha aumenta o rendimento do montado estando a ter cada vez maior peso nas exportações.

Pelo referido justifica-se que sejam dados apoios suficientes à plantação de montados de sobro, não apenas no Alentejo e Ribatejo, mas também nas largas áreas mato na serra do Algarve e no centro e norte do país onde as condições de clima e solo forem adequadas, que são as situadas até 500 metros de altitude com boa drenagem, isto é que não encharquem. No ano de 2017 em que arderam no país, sobretudo no centro e norte, cerca de 240 mil hectares de terrenos a mato e a arvoredo florestal, talvez se deva dar apoio majorado ao repovoamento com sobreiros das áreas queimadas.

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