“Aldeia Viva” no coração das montanhas mágicas

Texto e fotos de Aníbal Seraphim

No coração das serranias mágicas há um lugar paradisíaco, onde rodeado pelas majestosas montanhas apetece lá ficar, apetece lá relaxar, sentir o ar puro e onde dá vontade de viver e conviver com as suas gentes. Gentes humildes, laboriosas, que comungam com os habitantes oriundos de diversas nacionalidades e que se integram com os locais num verdadeiro sentido de viver em comunidade.

Para se sentir esse ar, basta ir e observar a interacção do grupo que tem de tão heterogéneo como de empreendedor e visitar as suas feiras de artesanato e produtos locais, assistir aos seus teatros e cinema ao ar livre ou com as animações de fim-de-semana. Ou melhor ainda, participar no evento anual.

Esse lugar mágico tem um nome… Landeira.

O evento anual, organizado pela Associação Os Bairristas da Landeira e com o apoio das Entidades Autárquicas, decorreu nos passados dias 7 e 8 de Julho e mostrou aos visitantes, logo na abertura, as suas Artes e Ofícios com trabalhos ao vivo de Cestaria e Talha de Madeira e prosseguiu com as Oficinas de Mandalas “Olhos de Deus” e com a de Ervas Medicinais. No segundo dia houve mais Oficinas de Mandalas, no espaço infantil, de Cosmética Natural e Teoria Rítmica.

Nas questões relacionadas com a Mãe Natureza, as actividades foram dedicadas à Palestra de Joni Vieira, Arquitecto Paisagístico (Montis), com o tema “Gerir para a Biodiversidade na Floresta” e com a conversa aberta com o Movimento Gaio (Reflorestação na Serra da Freita) subordinada ao tema “Floresta do Medo ou Floresta da Esperança”. Realizou-se também o percurso tradicional matinal de identificação de Ervas Medicinais.

A aldeia tem recantos e encantos pelos quais se pode e deve deambular, onde nos podemos cruzar e conversar com os locais, e descobrir a aldeia que durante o fim-de-semana passado tinha o atractivo de se poder aprender a confecção dos artigos artesanais, tais como a bijutaria e roupa feita à mão, e visitar os stands de artesanato. Para os mais pequenos havia um recinto de animação infantil que durante os dois dias esteve sempre animado.

Como caminhar pela aldeia abre o apetite, o cheirinho ao porco no espeto para o almoço de domingo e a pizza no forno a lenha para o jantar de sábado foram um bom repasto para os visitantes, que poderiam também degustar-se com os variados petiscos que faziam parte do menu. Para o acompanhamento, além das bebidas tradicionais havia também cervejas artesanais. Mas a gastronomia não ficaria completa sem a já afamada Oficina de Broa de Milho Tradicional, que tem sempre muita afluência de visitantes.

E foi após essa Oficina que decorreu o espectáculo de Teatro de Fantoches “Não erres nos 3 Rs” integrando assim o programa cultural e musical do qual se destacou o animado e divertido concerto de sábado à noite por parte da Banda Daguida, anunciado como música “prapular” portuguesa, e que não defraudou as expectativas dos presentes, que até participaram no concerto, na forma de entrevista que os músicos proporcionaram.

O acontecimento musical de domingo à tarde, que decorreu na pequena Capela de Santa Susana, ficou celebrizado com a actuação por parte do grupo de Canto Gregoriano, Schola Cantorum de Lafões, um nome a memorizar, pois trata-se de um grupo recém-formado mas que se apresentaram a público com uma belíssima participação. O espaço foi pequeno para acolher o público que à medida que os seus cânticos iam encantando com as suas portentosas vozes, a Capela foi-se enchendo para verem de perto o concerto e em que as pessoas ora permaneciam em pé, ora se sentavam também no chão. Alguns optaram por apenas ouvir ao redor da Capela.

A participação do Rancho Folclórico e Etnográfico da Tileira encerrou o programa das festividades do evento anual, que se espera continue a brindar quem gosta de passar um fim-de-semana com actividades rodeado de um ambiente equilibrado que tem tanto de tranquilo, como de divertido.

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