Agostinho da Silva

OS CAMINHOS DO ADVENTO

Num curto espaço de tempo a Igreja Católica faz a apresentação e o chamamento para duas fases litúrgicas: a primeira versa o términos do ano litúrgico que encerrou com a Festa de Cristo Rei, e convida especialmente todos os católicos a tomarem consciência da realeza de Jesus Cristo, deixando no entanto claro que essa realeza não pode nem deve ser entendida á maneira do poder político deste Mundo (o poder temporal, o poder dos reis). E no que se aceite da realeza de Cristo ela só pode ser entendida e exercida na doação ao próximo. Assim sendo, S. Paulo recorda-nos que Cristo “sendo de condição divina”(..) se despojou a si mesmo tomando a condição de servo e obedecendo até á morte de Cruz. Morte esta infamante, não recatada ou comedida, mas aberta a todos os insultos desde os que pedem a sua crucificação até aos soldados que o insultam e escarnecem quando já colocado no suplício da cruz. E por paradoxal que pareça a cruz é encimada pela inscrição “Rei dos Judeus”! Como é esta realeza se não está sentado num trono mas pendente numa cruz, indefeso e condenado a morrer? Só numa perspectiva de Deus, a realeza de Cristo é visível, e assenta na entrega, do poder do Amor pelo próximo. E tal como refere Bento XVI, no “Ângelus”, o seu poder é aquele que do mal sabe obter o bem; de enternecer um coração endurecido; de levar a paz ao conflito mais áspero; de ascender a esperança na escuridão mais cerrada. Serão então estes os pressupostos do seu Reino – Amor e Entrega – celebrados na festa de Cristo-Rei.

A segunda fase litúrgica foi a entrada no Advento – preparação para o acolhimento do Natal –. Esta liturgia nos estimula para a prática e para o reviver de muitos dos valores cristãos. O Advento é tempo de recordação – recordação da vinda a este mundo de um Homem que deu exemplos de vida como nunca teriam existido! Mas não podemos deter-nos só no passado. Teremos efectivamente de ligar aos exemplos deixados por Jesus Cristo e quiçá darmos novo esforço à nossa vida. Será tempo de neste emaranhado de contradições que quantas vezes nos fazem sofrer, de acordarmos para a esperança. Esperança para a melhoria de muitas das coisas que nos rodeiam e que nos dizem respeito, e a libertação de muitas misérias, que infelizmente grassam entre nós neste tempo presente: desde os que estão submetidos ao desemprego, os que não têm pão nem abrigo, aqueles a quem a doença mergulhou no desespero, em suma os que sofrem muitas dificuldades e tribulações na vida. Mas conformados de que será na preparação dos caminhos da nossa vida, que há-de renovar-se a presença do Deus Menino, caminhemos no sentido da perseverança de sermos e vivermos como homens e mulheres dignos desse nome, para acolhermos a renovação da vinda do Senhor.

Mas para que essa vinda seja sentida e vivida com autenticidade, cada homem no particular, mais ou menos ligado aos ideais cristãos, tem de ser o obreiro de “endireitar” o seu caminho, o seu espaço, limpando tanto o “entulho” como as “ervas daninhas” –  mudança de atitudes -, que quantas vezes vão ao encontro do incumprimento dos deveres de cidadania reflectindo-se no Global e na Construção de uma Sociedade mais Justa, mais Fraterna  e mais Humana.

“Gloria in Excelsis deo”

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