“Acolher” quer dar vida às aldeias e fixar jovens em S. Pedro do Sul

Ao potenciar o turismo no concelho

“Acolher” é o novo projeto da associação Fragas-Aveloso que tem como objetivo promover uma nova forma de turismo em meio rural. Para isso, propõe-se a criar pontes entre os jovens e as mulheres das aldeias. A apresentação pública do projeto foi ontem, dia 27 de maio, no Salão Nobre da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul. “Acolher” já está no terreno, a Gazeta da Beira conta-lhe tudo.

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“Acolher”: Cooperação Intergeracional para um Turismo Ético e Responsável em Meio Rural é o novo projeto da Associação Fragas, Aveloso. Apoiado em 85% pela Calouste Gulbenkian, através do Programa Cidadania Ativa, conta com a parceria da Binaural, Nodar. O objetivo, como explica a coordenadora Manuela Tavares, passa por criar um novo conceito de turismo que valoriza os saberes da região e em que as populações locais são as principais beneficiárias. “Estamos a falar de um turismo diferente, um turismo ético e responsável em que os visitantes querem partilhar os seus saberes, a sua cultura, a sua gastronomia. É um nicho económico e social que se pode potenciar, no qual os turistas gostam de se relacionar com as pessoas, viver a verdadeira realidade do quotidiano e não algo fabricado para os turistas”, explica.

Criar dinamismo nas aldeias

Os protagonistas deste novo conceito de turismo são portanto a comunidade. “Acolher” quer potenciar as pessoas e as potencialidade S. Pedro do Sul. “O projeto é criado em ligação com a população local, em especial mulheres, que nas aldeias possam criar condições de acolhimento de visitantes de outras regiões do país ou de outros países e que, paralelamente, possam ainda, contribuir com outro tipo de serviços. Por exemplo, as refeições”, explica Manuela Tavares.

Por um lado, o “Acolher” quer dar vida às aldeias serranas, por outro, trazer alguma sustentabilidade económica para quem as habita. “É importantes as mulheres sentirem que os seus recursos podem ser aproveitados”, explica Manuela Tavares.

Por estes dias, as técnicas do projeto têm passado por algumas aldeias de S. Pedro do Sul. Covas do Monte, Covas do Rio, Sequeiros, São Martinho das Moitas, Macieira são alguns exemplos. As mulheres têm aderido ao repto. Como revela a coordenadora, “constatamos que as mulheres veem com bons olhos o facto de as suas aldeias serem valorizadas. No fundo, estamos a quebrar o isolamento que existe nas aldeias. As pessoas gostam de nos receber, sentem que alguém chegou aqui, alguém se lembrou de nós”.

 Jovens moderadores

Este é um projeto intergeracional. Acolher” já está na estrada, à procura de 20 jovens para abraçarem o projeto. Serão os moderadores e farão a ligação entre os turistas e as mulheres da aldeia. Estudantes, jovens à procura do primeiro emprego, desempregados, jovens que tenham uma atividade rural e que possam encontrar aqui um complemento para sua própria vida, todos podem aderir. Para isso, numa primeira fase, vão ser dadas uma série de sessões de capacitação, na sede da Fragas-Aveloso. Levantamento histórico e cultural; aprendizagem sobre o turismo ético e responsável, ambiente e recurso naturais; formação sobre a elaboração de roteiros, capacitação para a formação de pequenas iniciativas são as áreas de formação previstas.

Depois, os jovens estarão preparados para entrar em ação e criar o seu próprio emprego num conceito novo e invulgar e sem ter que sair da sua terra Natal. Os 20 jovens serão capazes de elaborar e divulgar mapas e percursos, estabelecer parcerias, apoiar na criação de casas de acolhimento, acompanhar o turista, dinamizar atividades e fomentar as relações intergeracionais.

“O projeto “Acolher” visa, portanto, criar emprego numa área inovadora, numa área que potencia os recursos da região e que pode ser bastante atrativa. No fundo, queremos, também, contrariar a ideia de que os jovens só têm solução se saírem daqui”.

O projeto “Acolher” tem um período de execução de 11 meses, prolonga-se até 30 de março de 2016.Redação Gazeta da Beira

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