À Junta de Freguesia de Couto de Esteves

Fundação Solidários da “Casa da Fonte”

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• Mário Silva

Com o fim anunciado da Fundação Solidários, e depois de numa fase inicial (novembro de 2014) se ter pensado na criação de uma nova associação (“Casa da Fonte Solidária – Associação para a Cooperação e Desenvolvimento Comunitário”) que incorporasse todo o património da referida Fundação, chegando para tal a ser criada uma Comissão Instaladora, surgiu a possibilidade, por vontade dos “fundadores”, daquele património reverter para a população da freguesia de Couto de Esteves, através de um contrato de doação à Junta de Freguesia.

Após muitos meses de negociações e ultrapassados que foram alguns obstáculos de ordem jurídica, eis que no passado dia 8 de abril foi assinada a tão aguardada escritura de doação, sendo a Fundação Solidários representada pelos senhores Luís Nunes (Óbidos), Emília Brás (Santo Tirso) e José Linhares (Barcelos), na qualidade de membros do “Conselho de Fundadores”, e a Junta de Freguesia representada pelos senhores Sérgio Soares da Silva, Maria Idalina Martinho e Miguel Lopes da Silva, na qualidade de, respetivamente, presidente e vogais daquele órgão autárquico.

Através deste contrato, foram doados à Junta de Freguesia um prédio urbano, vulgarmente conhecido como “Casa da Fonte”, composto de um edifício de três andares, dependências e pomar, sito em Fonte, e um prédio rústico, composto de terreno a pousio, sito em Nogueiras, com as seguintes condições, a respeitar pela donatária: manter, cuidar e melhorar o património construído (parte construída dos bens doados); conservar o arquivo histórico e documental da Fundação Solidários e de acordo com os seus valores e sensibilidade manter a abertura a outras comunidades e povos; colocar o património (bens doados) ao serviço da população da freguesia de Couto de Esteves, suas associações ou outras para que possam desenvolver atividades que contribuam para o desenvolvimento pessoal, social, cultural e ecológico da população local e de outras regiões; que os “fundadores” da Solidários, seus filhos, respetivos cônjuges e netos possam usufruir gratuitamente das instalações e espaços verdes do património doado, sempre que pretendam, mediante reserva com a antecedência mínima de 15 dias e após confirmação de disponibilidade por parte da Junta de Freguesia ou em quem esta delegue (esta condição extingue-se ao fim de 40 anos); este património (ora doado) não poderá ser alienado, devendo ficar sempre no domínio público de modo a garantir a prossecução dos objetivos atrás especificados.

Por fim, uma palavra de sentida e eterna gratidão à agora extinta Fundação Solidários, não só pela filantropia e alcance do seu ato, bem como pelo extraordinário trabalho desenvolvido em prol das gentes de Couto de Esteves ao longo destas últimas três décadas. Recordo que nenhum dos homens e mulheres que criaram a Fundação Solidários, em julho de 1985, são naturais ou residentes no concelho de Sever do Vouga, o que mais nobilita a sua passagem por Terras de Santo Estêvão e Sever do Vouga.

Quanto à Junta de Freguesia, desejamos que saiba estar à altura deste enorme desafio, preservando e valorizando um património arquitetónico e natural ímpares no concelho. A rica história da Casa da Fonte, o laborioso povo do Couto de Baixo e as gentes das Terras de Santo Estêvão merecem-no.

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