A espectacular derrota de Macron nas Legislativas
Manuel Silva

Após ter sido eleito P.R. da França, Macron obteve uma derrota nas legislativas que se seguiram. Ainda que o seu partido “centrista” fosse o mais votado, ficou em minoria no parlamento francês. As extremas direita e esquerda obtiveram um forte aumento de votos. Os partidos de Marine Le Pen e Mélanchon, somados, quase formavam maioria. Os partidos socialista e comunista praticamente desapareceram, aliando-se a Mélanchon, que tem muito em comum com o Bloco de Esquerda. A direita tradicional gaullista, os agora apelidados de “republicanos” tiveram uma votação pouco mais que irrisória.
A esquerda e a direita moderadas definham, os extremos avançam. Imagine o leitor uma situação idêntica em Portugal: Chega e Bloco de Esquerda terem quase uma maioria de deputados na A.R!
Os resultados destas eleições em França não são novidade na Europa. Os governos da Hungria e da Polónia, eleitos pelo povo, são claramente reaccionários. Violam princípios da UE. Os demais países de leste aderentes ao espaço comunitário, de um modo geral, vivem em democracias de opereta, imperando a corrupção entre os seus governantes. Porque não há coragem de expulsar tais países da UE?
Na América do Sul, nas eleições presidenciais mais recentes, a opção tem sido entre candidatos de direita radical e marxistas. Estes últimos têm sido sempre vencedores. Também nestas paragens os partidos moderados e seus candidatos definham.
Um pouco pelo mundo inteiro, há um avanço dos extremos e um recuo das forças democráticas e reformistas. Ou seja, começa a haver um aroma a anos 1920/30 no ar.
Naquelas décadas do século passado, as democracias eram débeis, pelo que avançaram o fascismo, o nazismo e o comunismo, lançando as duas primeiras ideologias a II guerra mundial que perderam, tendo posteriormente as democracias liberais saído fortalecidas política, económica e socialmente.
Os regimes democráticos actuais não são tão débeis como os seus congéneres daquele tempo, mas estão a enfraquecer, embora os motivos sejam diferentes.
A falta de visão dos governantes actuais, a subida da inflação, o principal factor que levou Hitler ao poder, a submissão da legislação nacional à legislação europeia, que faz avançar o nacionalismo, o neo-liberalismo e a correlativa globalização, que têm agravado as desigualdades sociais, tornado os pobres mais pobres ainda ou miseráveis e proletarizando as classes médias, concentrando a riqueza nas mãos de poucos, a financeirização e terceirização da economia, destruindo as forças produtivas, lançando em todo o mundo milhões de operários no desemprego, são os factores na origem desta viragem política. Recordo que Mussolini e Hitler tinham forte apoio na classe operária.
Quem deverá estar a rir-se no cemitério de Highate, em Londres, é Karl Marx, vendo mais uma vez confirmar-se a sua frase: “A História repete-se primeiro como tragédia e depois como farsa”.
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