Entrevista a Ana Paula G. D. Ribeiro

Formadora/ Consultora/ Escritora

“Acredito que num futuro próximo nos tornemos mais dependentes da cultura e por conseguinte mais ricos e mais equilibrados.”

“Gente Que Ousa Fazer”

• Paula Jorge

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

 

Ficha Biográfica

Nome: Ana Paula G. D. Ribeiro.

Idade: Tenho esquecido que ainda sou jovem e em nada me identifico com o tempo dos homens.

Onde vive: Tondela.

Profissão: Formadora/ Consultora/ Escritora

Livro: Vários. Afirmo, no entanto, que um dos autores portugueses, género clássico com que mais me identifico é Almeida Garrett. Adoro romances com picos de mistério e filosofia. Assim como também gosto imenso de devorar livros de filosofia, metafísica, neurociência, neurolinguística, inteligência emocional, científicos, etc.

Música: Depende do estado de espírito, aprecio música clássica, rock, música pop, reagan, romântica, etc, etc.  Sobretudo, hoje sou muito seletiva nas minhas escolhas, tento sempre ir buscar à música uma mensagem positiva, o que significa que de há uns anos a esta parte, aprecio imenso temas para relaxar, temas de bem-estar para o corpo e mente, uso a música como terapia de forma a elevar as minhas hormonas de bem-estar, todo o meu sistema parassimpático e harmonizar todo o meu o ser, como parte do todo, na expansão da grande consciência. Encontrando a harmonia, tudo flui como a água do rio, tudo se enquadra, tudo tende para a perfeição.

Destino de sonho: Médio Oriente.

Personalidade que admira: Que pergunta mais difícil. Não vou falar de ninguém em particular. Admiro pessoas nas suas diferentes personalidades, mas há uma ou outra coisa que admiro muito em todas elas: o bom carácter que decifra a honestidade, a coragem, o conhecimento, a criatividade, a delicadeza, a disciplina, a liberdade, a solidariedade, o equilíbrio, a humildade e a evolução espiritual. Tudo isto se traduz em riqueza interior.

Muito obrigada, Ana Paula Ribeiro, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio. Paula Jorge (PJ) – Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?

Ana Paula Ribeiro (APR)- Licenciatura em Gestão. Mestrado em Estudos Europeus na vertente de Economia (continuo a estudar áreas relacionadas com a filosofia, algo que abandonei e retomei na fase madura da minha vida, estudo sem pressa, só com o prazer de entender e saborear).

Profissionalmente iniciei o meu percurso como colaboradora de algumas empresas (pequenas, médias e grandes). Mais tarde, tentei conciliar com negócios por conta própria, abrindo a minha própria empresa. E hoje estou ligada à consultoria e formação.

 

PJ – É uma pessoa ligada ao mundo literário. Pode falar-nos do seu percurso ao nível dos livros, enunciando como viveu a publicação do seu livro e os momentos mais marcantes?

APR – O meu percurso é muito curto. Tenho apenas um livro publicado que neste caso passo a citar, é um romance «O PENTÁGONO NÃO ESTÁ EM WASHINGTON»  de Annaa Novo. Penso que como muita gente que escreve, eu escrevo como se tivesse lá, reportando toda a minha alma para o momento, ou a história de vida que envolve o personagem, é exatamente como se deixasse de ser eu, para me ver e projetar no outro. Assim esqueço de mim, para viver noutros locais, outras histórias. Viver intensamente, levando alma e sangue, aquilo que nos faz rir, chorar ou até pulsar o coração. Esse sentimento de quem escreve e cria, gera raiz, realidade, é como no cinema, ou no teatro, é tudo muito real. Ao fim de concluir é necessário fazer o desmame de cada lugar, acontecimento, ou personagem para voltar àquilo que sou no aqui e agora. Nesta obra houve de fato acontecimentos muito inebriantes que me fizeram refletir. Foi uma fase da minha vida de muita empolgação, emoções fortes, eu diria até o desvendar dos mistérios da alma. Há tanto para dizer num momento de silêncio e não dizer para não banalizar, ou depreciar.

 

PJ – Dê-nos a sua opinião sobre como é lançar um livro em Portugal, atualmente, referindo-se às dificuldades com que um escritor se depara.

APR – Eu pessoalmente demorei imenso para lançar esta obra. Hoje penso que é mais fácil que há quinze, ou vinte anos atrás. Há mais editoras ao dispor, mais meios que possibilitam formar cada vez mais novos autores. Financeiramente é oneroso e até morosa a recuperação do investimento inicial. Principalmente se é um novo autor e não tem uma boa divulgação, ou publicidade por trás que sirva de suporte. Leva o seu tempo ter reconhecimento. Se fizerem como eu que talvez não seja exemplo a seguir, mas se o fizer com alma e coração terá com certeza o melhor das recompensas e o mais sublime reconhecimento. É um filho gerado com amor a cada segundo, a cada hora, a cada dia. É uma experiência única, intensa, rica que somente acontece para quem percorre o caminho.

PJ – Acredita que a sociedade e as instituições que nos representam dão a devida importância ao setor da cultura?

APR – Não. Deveríamos dar mais importância a este setor, ele é alavanca do conhecimento, do bem-estar, do equilíbrio social e da riqueza de um povo, de uma região, de um país e do mundo. Acredito que num futuro próximo nos tornemos mais dependentes da cultura e por conseguinte mais ricos e mais equilibrados.

 

PJ – Muitas histórias terá guardadas durante todo o seu percurso de vida. Quer que partilhar connosco uma das histórias que mais a marcou?

APR – Algumas histórias de alma sim, que fazem parte do que sou hoje. Histórias que não são fáceis de dissertar em meia dúzia de linhas. Gostei muito das histórias que vivi na minha adolescência. Histórias no teatro, na dança, na escola, na vida afetiva, na família, histórias de crescimento interior muito pessoais que me envolvem a mim e outras pessoas que respeito e de quem me orgulho imenso.

PJ – Quer falar-nos de alguns projetos em que esteja envolvida e que ainda não tenhamos falado? Ainda é cedo.

APR – Quando for a hora, levantamos a ponta do véu.

 

PJ – Para além de tudo o que já foi referido, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

APR – Gosto imenso de dança, cinema, teatro, música, comunicar com animais e plantas, beber da alma da natureza, proteger animais e aquilo que falei, gosto de aprender, de gerar conhecimento acerca de áreas que me fazem amadurecer e redescobrir. Adoro meditar, estar com amigos, divertir-me. E o que não posso esquecer, SINTO NECESSIDADE DE SER CRIANÇA, SENTIR-ME LÁ, VIVER LÁ, COMO SE O TEMPO NÃO TIVESSE PASSADO POR MIM. DESPERTAR A MINHA CRIANÇA INTERIOR, TEM SIDO O MELHOR PROJETO DE AMOR A MIM MESMA.

 

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

APR – Não. Em duas sim: «revelação e mistério.»

 

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?

APR – Está ativo e quero mantê-lo vivo

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Ana Paula Ribeiro! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.

APR – O gosto é todo meu. Agradeço à Paula Jorge, ilustre colega e amiga, e a toda a equipa deste jornal (GAZETA DA BEIRA), pela abertura e pela belíssima oportunidade que me ofereceram, para falar acerca de mim mesma, não sendo propriamente fácil contornar com palavras.

Desejo a todos os leitores dias fantásticos com imensa paz interior, muita abundância e prosperidade a todos os níveis (saúde, família, trabalho, dinheiro, realização de sonhos, sentido de vida e imensos dias felizes). Aproveito para desejar um Santo Natal e Festas Felizes neste fecho de ano de 2022. A cada um de vós UM FANTÁSTICO 2023.

15/12/2022


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