António Eloy
Contra as fronteiras marchar, marchar (I)
A moral e a Política
Contra as fronteiras marchar, marchar (I)
“O heroísmo de todos aqueles que ao longo de milénios morreram pela democracia, merece que usemos comedidamente o seu nome, neste tempo em que o mal parece destinado a prevalecer sobre o bem e a justiça.”
V.S.M.
“ O bem e o mal não existem na Natureza”
Espinoza
1- Sou um europeísta radical, defendo um governo europeu, que resulte de um Parlamento com poderes reais e não dos meramente gongóricos deste actual, que seja eleito, tanto quanto possível por lista políticas e ideológicas e partidos transnacionais, e assuma todos os poderes do decrépito colégio de comissários em lógica colegial de governo europeu e remeta o conselho para órgão de consulta, dado defender paralelamente a continuação, transitória, de governos nacionais.
2- Claro que na base de tudo isto deve estar a defesa intransigente dos direitos de cidadania (e aproveito para considerar execrável a cedência ao chantagista e islamita, falta pouco para a sharia entrar em vigar na Turquia, o ajoelhar que Erdogan conseguiu a troco de nada, acabou com o direito de asilo e a independência dos tribunais soberanos, por parte da Suécia!, lamentável) e também é claro o bio-regionalismo ou identidades nacionais ou locais, sendo de pensar um conselho consultivo com base nessas.
3- Falar de bio-regionalismo é evocar um mártir do estalinismo/lysenkismo, a pior ditadura do século XX (e não estou a desvalorizar o nazi-fascismo, que teve uma base rácica intolerável), sobretudo porque envenenou o pensamento e destruiu quase toda a esperança de qualquer política futura socialista. Pois Vavilov, o genial geneticista, que desenvolveu a teoria do “terroir” os locais de origem das diversas espécies foi vilipendiado e morto por esse duo, mas a sua obra hoje ao contrário de outras continua a guiar-nos…
4- E as fronteiras, pois recordo uma história verdadeira, Portugal e Espanha não tem fronteiras fixadas. Todos os dois anos é renovado o contrato da Contenda (Moura/Aroche) e Olivenza teoricamente é território português, que alguns querem reconquistar. Tive grandes discussões sobre o tema, nesta linha: em Olivenza não querem ser portugueses mas apreciaram a evolução dos ditos conquistadores que abandonaram as armas e conseguiram com os oliventinos a dupla nacionalidade, paralelo ao ensino do português na primária e uma valorização sócio-cultural significativa. As fronteiras deixaram de fazer sentido, o que conta é a cultura e tudo o que ela arrasta.
5- Pois o tema que me motiva é matéria para pensar. O tal Staline e a URSS mudaram todas as fronteiras do leste europeu, transferiram populações inteiras (a Crimeia era dos tártaros, 4 milhões que foram expatriados…. hoje só lá há russos! Imaginem). A Ucrânia tem partes do seu território na Roménia, na Moldovia, e grandes partes suas são de facto russas (traficâncias do tal personagens). Então estão a lutar porquê e para quê? Imaginam?
6- Sou um defensor do diálogo para a paz, do cessar fogo, da defesa civil não violenta, do pacifismo mais radical e da acção directa não violenta. Sou um opositor intransigente do Império, dos, e das suas lógicas totalizantes e também de quem só sabe falar de armas, armas, mais armas.
7- Estamos envolvidos em novas lutas contra minerações absurdas, quando o que haveria a fazer é estimular a reciclagem que cria empregos, poupa recursos e desenvolve a economia circular e nessas lutas não há fronteiras, rios “nacionais” estão em risco assim como populações, escreveremos sobre o tema em breve. E também não podem ficar sem uma palavra as armas, para as quais se minera tanto e que são o 2º ou 3º maior emissor (sem considerar o seu uso) de dioxido de carbono,,,, mas não estão nos acordos de Paris, assim como os aviões….
8- Continuaremos, como referimos…. se houvermos, depois da pausa…. que nos ilumine, e aproveitemos para pôr o Pentagono a levitar….
14/07/2022

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