Mulheres de Abril – 48 anos depois

UMAR - Viseu

Mulheres de Abril – 48 anos depois

• Núcleo da UMAR de Viseu

 

“As mulheres não tinham liberdade, eram vistas como inferiores”.

“Os homens eram mais ditadores, mandavam em tudo”.

“Ainda não estamos comparadas com os homens, mas temos mais liberdade”.

“Mudou tudo, até nos hábitos. Havia dias do mês em que não nos podíamos molhar e a regar com os pés na água”.

“Não podíamos andar de calças, mas nós víamos as raparigas da cidade que vinham cá passar férias e nós queríamos ser como elas”.

“As primeiras a usar calças, aqui na aldeia, fui eu e uma prima e chamavam-nos nomes por isso”.

“A gente já não tem receio, mas com o meu marido não mudou muito!”

Estas são algumas das palavras expressas por mulheres das aldeias de Sequeiros, Rompecilha, Covelinhas e Aveloso de Sul num documentário de 2021, publicado no facebook do projeto Giesta da Associação Fragas e editado pela Plataforma Já Marchavas de Viseu.

Elas sabem ver que já não é como dantes.

Elas reconhecem direitos alcançados.

Elas viram mudanças acontecerem.

Mas elas sabem que ainda existem direitos a alcançar e que a democracia dentro de casa ainda está por conseguir. “O meu marido não mudou muito !, afirma uma delas. A sobrecarga de tarefas em casa contínua a ser delas, depois de terem tratado do gado e/ou da horta.

Do estudo que o projeto GIESTA: “Mulheres e Raparigas do interior e do meio rural – Promover a Igualdade” realizou junto de mulheres de 16 aldeias da região de Lafões conclui-se que 60% das mulheres nunca saíram do concelho onde nasceram e continuam a residir e que 76% trabalham numa agricultura de subsistência, sem quaisquer apoios. Quase metade destas mulheres tem filhos/as emigrantes.

Os seus níveis de escolaridade continuam muito baixos: 52% tem a 3ª classe (11%), a 4ª classe (31%) e 10% não sabe ler ou escrever.

Esta fotografia não fica bem ao Portugal de 48 anos de democracia.

Estamos a falar de mulheres do interior do país, também este votado ao esquecimento durante muitos anos.

Quando falamos da Territorialização da Igualdade é para estas e outras mulheres que se tem de trabalhar.

Queremos saudar todas as mulheres, que nestes últimos 48 anos, se têm envolvido nas lutas pela defesa dos direitos das mulheres e contra as suas múltiplas discriminações. Queremos saudar as autarquias que têm sabido estar perto dessas mulheres.

Contudo, existem ainda muitas e muitas mulheres que, nos tempos atuais, se sentem discriminadas, injustiçadas, sem acesso a questões fundamentais como o direito a uma habitação digna, com vidas precárias, sujeitas a violências que podem culminar em femicídios.

É por essas mulheres que a UMAR quer continuar a lutar.

É contra os retrocessos que o conservadorismo quer impor que nos queremos mover.

É para dar mais força aos feminismos plurais dos tempos atuais que agimos.

É para apoiar os caminhos de insubmissão e de autodeterminação das mulheres que existimos.

 

Núcleo da UMAR de Viseu – Abril de 2022

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