Entrevista a Marta Oliveira
Técnica Superior de Motricidade Humana

“A minha relação com os idosos rege-se sempre pela dignidade, respeito e igualdade, mostrando-lhes sempre o maior apreço pelas suas ideias e pelas suas vivências.”
Ficha Biográfica
Nome: Marta Cristina dos Santos Oliveira
Idade: 32 anos
Profissão: Técnica Superior de Motricidade Humana
Livro preferido: “Quem ama não esquece” de André Sousa
Destino de sonho: Tunísia
Personalidade que admira: Fernando Pessoa
Muito obrigada, Marta Oliveira, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.
Paula Jorge (PJ) – Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?
Marta Oliveira (MO) – Antes de mais, gostaria de agradecer o honroso convite que me foi dirigido pela Gazeta da Beira para partilhar um pouco da minha experiência profissional na área da Reabilitação Psicomotora. Iniciei a minha formação escolar no ciclo preparatório e Escola Secundária de São Pedro do Sul. Quando terminei o 12º ano, ingressei no curso de Biologia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. A frequência das primeiras aulas foi para mim uma desilusão, senti que o meu futuro profissional não passaria por ser bióloga, a minha vocação era outra. Eu estava completamente desajustada daquilo que me motivava. Eu queria lidar com as pessoas, as suas vidas, as suas necessidades, participar no seu envolvimento na comunidade, e não passar os dias num laboratório ou num gabinete rodeada de papeis e relatórios. O meu futuro estaria ligado às causas sociais. Então, regressei para São Pedro do Sul onde comecei a reunir esforços no sentido de me candidatar a um Curso da Área Social. Em 15/09/2008, pouco tempo depois, ingressei no Curso de Motricidade Humana no Instituto Piaget em Viseu, onde estive 3 anos. No meu percurso académico, tive diversas experiências em estágios curriculares, passando por várias Instituições como por exemplo, APPACDM, APCV, onde aprendi e desenvolvi as minhas capacidades para trabalhar com a população com dificuldades e até algum grau de deficiência, trabalhei com diferentes tipos de deficiência: deficiência mental, trissomia 21, dislexia, autismo. Estas experiências demonstraram que de facto estava no caminho certo, pois a forma ternurenta como os utentes olhavam para mim e sorriam só veio, mais uma vez, provar que o trabalho que desenvolvi com eles foi muito útil e que a minha ajuda na sua vida diária se revelou fundamental para o seu bem-estar físico e emocional. O meu projeto final de curso, “Trissomia 21 no meio aquático”, veio reforçar ainda mais esta certeza de que o meu objetivo era dedicar o meu trabalho ao bem-estar das pessoas. Desenvolvi um projeto com um utente com Síndrome de Down, que consistiu na realização de exercícios em meio aquático. Foi uma experiência enriquecedora para ambas as partes e que consolidou o meu desejo de pretender seguir em frente com a minha escolha/vocação. Depois de finalizar o meu curso, entrei na Unidade de Cuidados Continuados de Oliveira de Frades, onde tive uma experiência alargada na área de Motricidade Humana. Lá, realizei o meu estágio profissional e aprendi muito sobre várias doenças. Adquiri estratégias para aplicar em cada uma delas e elaborei planos individuais para cada utente, de acordo com as suas necessidades. Este meu primeiro trabalho foi realmente o grande impulso para me fazer sentir que estava na área certa, a realizar aquilo que sempre quis e com o maior prazer. Posteriormente, surgiu uma oportunidade para fazer voluntariado em Bruxelas, onde estive durante alguns meses num Hospital oncológico. Lá, tive a possibilidade de lidar com situações completamente diferentes das que conhecia até ao momento. Esta opção acabou por mudar e muito a minha vida, dado que de repente deparei-me com uma cidade enorme, com outros costumes, e outra cultura, longe do aconchego do lar e da minha família. No entanto, tratou-se de uma experiência gratificante a nível profissional e pessoal. Depois do meu regresso a Portugal, trabalhei durante algum tempo no Centro Social de Vila Maior, onde fui muito bem acolhida e onde aprendi muito sobre como lidar com a faixa etária mais velha. Realizei uma Pós-graduação em Gerontologia Social, conseguindo com a mesma desenvolver e alargar conhecimentos sobre a terceira idade. Em 15/03/2018 fui contactada pela Direção da Associação de Solidariedade Social – ARCA, hoje a minha segunda casa, onde aprendo todos os dias a ser melhor pelos outros e onde dou o melhor de mim. Esforço-me por continuar a evoluir numa busca constante de autoconhecimento, pois só isso poderá fazer a diferença na minha vida pessoal e profissional. É claro que um dos meus objetivos é ter impacto na vida das outras pessoas, neste caso na dos nossos utentes.

PJ – Fale-nos da sua missão enquanto Técnica Superior de Motricidade Humana na ARCA – Associação de Solidariedade Social em Santa Cruz da Trapa.
MO – A minha missão como Técnica é desenvolver um serviço adequado à satisfação das necessidades e expetativas dos nossos idosos, fazendo diariamente o melhor que sei por eles; Prevenir situações de dependência e promover a sua autonomia, fazendo várias atividades diariamente para que eles não percam a capacidade de se manterem ativos; Promover relações pessoais e entre gerações, para que eles não percam contactos com os mais novos; Dar a minha contribuição para evitar, ou retardar ao máximo o internamento em Instituições Residenciais, de modo a que eles possam permanecer no seu ambiente familiar; Promover estratégias de desenvolvimento da autoestima, de autonomia da funcionalidade e da independência pessoal e social; A minha missão será sempre cuidar, fortalecer laços, quebrar barreiras e estimular. Saber ouvir, saber motivar, saber comunicar são para mim características fundamentais no desempenho da minha profissão. Demonstrar autonomia, saber trabalhar em equipa e ter uma boa capacidade emocional é muito importante. Nesta área, quem não souber respeitar o próximo não desempenha bem o seu papel.
PJ – Como define a relação que estabelece com os utentes com quem trabalha diariamente?
MO – A minha relação com os idosos rege-se sempre pela dignidade, respeito e igualdade, mostrando-lhes sempre o maior apreço pelas suas ideias e pelas suas vivências. Desenvolvo o meu trabalho tendo sempre em atenção o espírito de convivência e de solidariedade. Nos momentos que passamos juntos, ouço os seus desabafos, compreendo os seus anseios e os ajudo-os a ultrapassar os seus medos/angústias. A minha preocupação é ouvi-los, no sentido de saber o que é que eles gostam e querem fazer e contribuir assim para o seu bem-estar físico e emocional. Procuro realizar as atividades com foco nos seus interesses e expectativas. Não desisto dos objetivos traçados e procuro adaptar-me às situações, tendo sempre em atenção a realidade e as necessidades de cada um.

PJ – De uma forma geral, que atividades proporcionam aos utentes para que estes mantenham alguma qualidade de vida?
MO – Tenho um Plano de Atividades mensal pelo qual me oriento diariamente, e que pode ser adaptado de acordo com a especificidade/particularidade de cada idoso. As épocas festivas e os dias comemorativos são muito importantes, na medida que permitem realizar atividades diferentes e quebram algumas rotinas e são sempre datas que despertam memórias. Realizo atividades que envolvem a imagem, o som e a música. Estas atividades permitem aos idosos expressar-se musicalmente, desenvolvendo a capacidade de audição e de concentração. Além disso, também é feita a projeção de filmes e de fotografias, o que os leva a relembrar hábitos e costumes antigos e a reviver experiências do meio sociocultural em que estão inseridos. Trata-se de uma forma de promover o convívio e o bem-estar entre todos. Organizo também diversos ateliês de arte criativa como a expressão corporal e cénica de pinturas, trabalhos manuais, tapeçaria, teatro, costura, bijuteria. Estes ateliês são muito importantes, uma vez que permitem que os utentes se exprimam através de movimentos e desenvolvam a sua criatividade e a sua concentração. No que diz respeito aos jogos em grupo, como o jogo do Boccia, jogo do bingo e o jogo da malha, há que valorizar a sua importância, pois são fundamentais para a convivência entre todos. Além disso, são atividades divertidas, dinâmicas e importantes para manter o corpo e a mente saudáveis na terceira idade. Além de ajudarem a melhorar o humor e a qualidade de vida dos idosos, também contribuem para a melhoria da coordenação motora, concentração e agilidade das capacidades cognitivas. Existem também os encontros intergeracionais e interinstitucionais que promovem a o seu bem-estar. Todas as manhãs, oriento-os na realização de atividades físicas. A prática de atividade física na terceira idade é importante para reduzir as alterações causadas pelo tempo, como o enfraquecimento dos músculos, a perda de equilíbrio, a perda de agilidade e flexibilidade e da resistência muscular. É interessante ver como elas são importantes na sua rotina, já que, quando não são realizadas por qualquer motivo, são os próprios a solicitá-las.
PJ – Na sua perspetiva, até que ponto é importante o envolvimento das famílias na vida dos mais idosos?
MO – A família tem um papel fundamental na vida de todos nós. Quando se trata da terceira idade, a família torna-se mais importante, pela necessidade de cuidados e de atenção especiais. À medida que vamos envelhecendo, temos tendência a apresentar capacidades regenerativas decrescentes que nos levam a uma maior vulnerabilidade e predisposição ao declínio funcional, com elas ocorrem também mudanças físicas e emocionais que comprometem a nossa qualidade de vida. O envelhecimento é um processo biológico normal, mas definimo-lo muitas vezes como sendo uma fase da vida onde aparecem as doenças e as incapacidades. Nesta etapa da vida, cada vez existem mais pessoas, pessoas idosas que precisam do apoio dos seus familiares, necessitam de se sentir valorizadas, acarinhadas pela família e viver com dignidade. As necessidades afetivas nesta fase não são diferentes daquelas que temos noutras fases da vida, como a realização, a felicidade, o amor e o sentimento de pertença. Devido à pandemia, por uma questão de proteção da sua saúde, muitas famílias viram-se obrigadas a ficar fisicamente afastadas dos seus familiares que estavam institucionalizados. A impossibilidade de familiares poderem visitar durante a pandemia não foi benéfico para os mesmos, já que o seu isolamento agravou a sua saúde mental e trouxe mais solidão, depressão e tristeza. Houve momentos em que era visível nos seus rostos a preocupação, angústia, inquietação e inconformismo. Todos os dias de manhã, era necessário criar algumas dinâmicas para os distrair, animar e confortar. A família biológica não foi substituída, mas tentou-se atenuar a sua ausência com a nossa entrega e a nossa dedicação, amor e carinho. A ARCA será sempre a sua segunda família, e fazemos questão que sintam isso diariamente.
Na visão dos nossos idosos, a família é uma lufada de ar fresco, um porto de abrigo onde se sentem felizes e realizados, enquanto pais, avós, tios, irmãos, cunhados, ou seja, enquanto seres humanos. Por isso, afirmo que o acompanhamento familiar e o envolvimento na vida do idoso são muito importantes por todos os benefícios que essa relação traz à sua vida.

PJ – Acha que a nossa sociedade valoriza os mais idosos e os seus saberes? Qual é a sua opinião?
MO – Na minha opinião, a sociedade enfrenta um grave problema intergeracional de aceitar os mais idosos como uma parte ativa da população. Os jovens estão cada vez mais desvinculados dos “velhos”, que são vistos como pessoas sem expectativas de vida, sem oportunidades na sociedade e que acabam sendo alienados ao que lhes é proporcionado, sendo muitas vezes ligados à visão de incapacidade física e doença. Infelizmente, o que observamos e ouvimos cada vez mais nos meios de comunicação social são relatos de casos de negligência, isto é, a omissão por familiares ou instituições responsáveis pelos cuidados básicos para o desenvolvimento físico, emocional e social do idoso, tais como privação de medicamentos, descuido com a higiene e saúde, ausência de proteção contra o frio e o calor. O abandono é também é uma forma extrema de negligência. A violência psicológica, o abuso financeiro e patrimonial, mas tratos e a violência física contra idosos são muito comuns hoje em dia. Para muitos, os idosos são tidos como estorvo social. É uma perceção infeliz, uma vez que eles já contribuíram muito para a sociedade e para suas famílias. Os seus saberes são valorizados, mas apenas quando é conveniente, porque muitos consideram-nos desenquadrados da realidade social atual, em que nada já é como dantes e tudo está em constante mudança. É preciso parar para refletir. Refletir sobre o propósito da vida. E não esquecer que nós seremos os “velhinhos” de amanhã. Será que temos noção de que hoje são “eles” e amanhã seremos nós? Deixo esta pergunta para que todos possamos refletir sobre aquilo que um dia será o nosso futuro.
PJ – Na sua área, a aposta na formação enquanto Técnica é importante? Porquê?
MO – Sim, muito importante. Sendo a minha área Motricidade Humana, que é entendida como a ciência que estuda o ser humano e os movimentos do corpo em relação ao mundo interno e externo, que representa a agregação de representações mentais e corporais capazes de facilitar o desempenho das funções psíquicas, a minha atividade hoje incide na população idosa pelo que tenho realizado variadas formações a nível de técnicas de animação dos idosos para poder trabalhar da melhor forma com eles. A Motricidade Humana permite-me trabalhar com os “meus” idosos o corpo, a mobilidade, a ginástica adaptada, sendo que a animação sociocultural é uma área que ainda estou a conhecer e desenvolver sempre que possível com ajuda de técnicos especializados, formações e workshops.
PJ – Algumas histórias terá guardadas durante o seu percurso profissional. Quer partilhar connosco uma das histórias que mais a marcou?
MO – Todas as histórias são únicas e envolvem muitos sentimentos. Há relações que se criam com as pessoas com quem trabalhamos diariamente. Tenho tantas histórias que guardo no meu coração, são relações pessoais que guardo com carinho e me marcaram no momento. E eu tenho uma que me marcou particularmente. Trata-se de uma história que jamais irei esquecer e que vivenciei quando trabalhei na Unidade de Cuidados Continuados de Oliveira de Frades. Na altura, com 21 anos, eu tinha a meu cargo um número considerável de utentes com as mais diversas patologias. Nesse período, tive a possibilidade de trabalhar na reabilitação motora de um utente, que infelizmente não reunia condições de saúde para viver muito tempo. Um dia, com muita pena minha, esse utente foi para casa para ser cuidado e acompanhado pelos familiares durante as suas últimas semanas de vida. Passado algum tempo, recebo uma carta escrita por esse utente. Ao ver o seu nome, fiquei arrepiada, respirei fundo para conter as lágrimas. A carta dizia “Minha Martinha, sei que não vou viver muito tempo, mas no tempo que que ainda me resta, queria poder vê-la de novo. Espero que esteja bem e que me venha visitar uma última vez a minha casa. Os meus familiares sabem que me vem ver, ligue para a minha filha e ela lhe dará a morada, obrigada”. Naquele momento, as lágrimas tornaram-se incontroláveis. Não pensei duas vezes e, naquele dia, no fim do trabalho, fui a casa do utente. Quando lá cheguei, deparei-me com o senhor deitado numa cama, com a respiração ofegante. Ao sentir a minha presença, abriu os olhos e sorriu. A fotografia que um dia lhe oferecera estava pousada na frente da sua cama. Calculo que lá tenha estado o tempo todo… A filha disse-me que o pai nunca a quis tirar daquele local, pois fazia questão de a guardar ali até à sua partida. Levada pelas emoções, abracei o senhor com muito amor e carinho. Senti que o tempo parara naquele preciso momento, como se a nossa vontade fosse torná-lo eterno. Foi, sem dúvida, uma pessoa com quem aprendi muito, ensinou-me principalmente a ser uma pessoa ainda melhor e a valorizar o facto de estar viva e ter saúde. No dia seguinte, fui informada do seu falecimento. Fiquei com o meu coração despedaçado, mas feliz por ter conseguido concretizar um dos seus desejos.
PJ – Para além da sua atividade profissional, que outras paixões nutre, que a completam enquanto pessoa?
MO – A minha paixão é a minha filha, pois é nela que encontro a força e o equilíbrio emocional para conseguir superar as dificuldades do meu dia-a-dia. A minha outra paixão é o pai da minha filha e é nele que encontro a ajuda necessária para superar os problemas e as vicissitudes da vida. Os meus pais e os meus irmãos serão sempre o meu porto de abrigo neste mar agitado da vida. Quando me sinto menos bem, recorro a eles para encontrar alento e palavras de conforto, que me fazem acreditar no sucesso. Sem a minha família não seria certamente a pessoa que sou hoje com ideias bem definidos. Outra paixão é passear pela natureza, conhecer novos lugares, viajar para conhecer outros países.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
MO – Autêntica.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
MO – O meu coração diz muito em silêncio e os seus desabafos impotentes não conseguem alterar àquilo que veio mudar a nossa paz interior, porque as imagens e os relatos que nos chegam diariamente de uma guerra sem sentido e de uma pandemia que não dá tréguas atormentam-nos e tornam-nos inseguros. Vivemos dias tristes e inquietantes, em que a mentira muitas vezes se sobrepõe à verdade, em que a palavra de honra deixou de comparecer nas relações sociais. Vivemos num mundo de desigualdades e de injustiças, em que a vida humana cada vez tem menos importância. No que diz respeito à pandemia, o meu coração está atento ao futuro e àquilo que ele nos reserva. Todos queremos voltar à normalidade, sem medo de poder abraçar e acarinhar os nossos entes queridos. Queremos olhar uns para os outros sem desconfiança e aproveitar intensamente o que a vida tem de melhor para nos oferecer. O meu coração também me diz que tudo irá passar, e que devemos valorizar todos os momentos do nosso dia-a-dia junto daqueles que amamos. Para concluir, vou usar as palavras de um desconhecido para dizer que “a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Marta Oliveira! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
MO – Eu é que agradeço a oportunidade que me foi dada para poder partilhar com os leitores a minha experiência pessoal e profissional. Foi um gosto. Caros leitores, vivam com amor no coração e esperança na vida, assim as coisas boas virão.
28/04/2022

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