Francisco Queirós
As Fábricas do Eleitorado fiel! …
Esta campanha autárquica mostra-nos o poder municipal transformado numa indústria: não se trata a realidade, discutem-se cenários. Não se responde às questões dos cidadãos, criam-se clientes (Eleitores Fiéis!)

Em Portugal 126.780 pessoas estão empregadas em câmaras, juntas de freguesia e naquele universo opaco de empresas, associações, fundações municipais e comunidades intermunicipais. Como não estou candidato a nada posso dizer o que penso sobre estes números: uma parte significativa destas pessoas não faz nada e outra parte ocupa-se em atividades burocráticas sem outro interesse que não seja o da manutenção dessa mesma burocracia!
O Poder Municipal está transformado numa indústria! Maioritariamente Socialista, mas que é transversal a todas as demais forças políticas: não responde às questões dos cidadãos, antes cria um Eleitorado / Cliente!
Sinal do unanimismo reinante a presente campanha autárquica é daquelas em que menos se escrutinou o trabalho dos autarcas, tudo se resume a uma discussão em torno dos dois ou três tópicos que a cartilha socialista agendou: a solução mágica do arrendamento acessível, os malefícios do alojamento local e depois um ou dois assuntos que variam com o município.
Ninguém pergunta quanto custam casas de Habitação Social aos contribuintes. Quantos funcionários, serviços, departamentos e gabinetes vão ser necessários para gerir tudo isto? Como se age em caso de incumprimento? Ou mais propriamente perante os incumprimentos vence a tese do BE de que não se pode despejar ninguém?
Ainda sou do tempo em que quem queria ter uma casa trabalhava para a poder construir/comprar…
Como penso de forma Anglo-saxónica não quero ter casa nenhuma, por isso pago o aluguer do apartamento que habito em Viseu. Creio que se não pagar serei despejado…
O Município politico-mediaticamente ideal, desde há muito mas agora de forma grosseira e descarada, é aquele em que se assume como objectivo a assistencialização da classe média; em que, como diz José Manuel Fernandes: a solução para ter casa se tornou de repente em ter o Estado como Senhorio; não existem despejos (também não existe manutenção dos edifícios nem responsabilização de quem os degrada); as crianças frequentam escolas públicas que se pretendem substituir às famílias; os transportes públicos, municipalizados obviamente, são oficialmente gratuitos ou quase (na prática o seu custo cresce exponencial e descontroladamente mas o que conta é que são “gratuitos”); onde se inauguram todos os anos vários espaços municipais que nada acrescentam aos já existentes a não ser em criar-se mais uma cafetaria e vários empregos. Enfim, um Município em que todos dependem da Câmara!
Não é, portanto, “rocket science” criar um Eleitorado Amigo e Fiel!

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