Entrevista a Joaquim Agostinho

Empresário de S. Pedro do Sul

 

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

 

• Paula Jorge

“Para o sucesso profissional é preciso uma grande capacidade de trabalho, seriedade e palavra, perspicácia e respeito por tudo o que nos rodeia – tendo tudo isto, a sorte também aparece de vez em quando e agarrando-a conseguimos ter algum sucesso profissional.”

 

Ficha Biográfica

Nome: Joaquim Agostinho Alves Rodrigues

Idade: 48 anos

Profissão:  comerciante (empresário hoteleiro)

Livro preferido: “Em que posso ser útil”, de Pedro Vieira

Destino de sonho: Egipto, o berço da civilização

Personalidade que admira: General Ramalho Eanes

Muito obrigada, Joaquim Agostinho, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.

Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio. Descreva-nos o seu percurso académico e o profissional, não esquecendo a parte do serviço militar, pois sei que teve e continua a ter uma grande importância na sua vida.

Joaquim Agostinho (JA) – Sou nascido e criado na bonita aldeia do Pisão, de onde saí com 15 anos para o Porto para trabalhar. Fiz a escolaridade obrigatória, da altura 6.º ano, sendo que nos últimos dois anos já trabalhava de manhã e estudava à tarde. Nasci numa família séria, de muito trabalho, muitos valores humanos, onde o amor de avós e netos imperou na minha criação e educação, com maior relevância a minha AVÓ Levira, um ser humano incrível, em que toda ela era AMOR e conseguiu deixar-me um legado tão grande e tão útil na minha vida como pessoa e como profissional que ainda hoje amo incondicionalmente a minha avó, irei eterniza-la com o projeto CASA DA AVÓ. O meu pai tinha a arte de carpinteiro, a minha mãe é agricultora e ainda é uma mãe e uma avó incrível. Foi e continua a ser importante na minha vida pessoal e profissional, a minha criação pobre, mas muito rica de valores, de amor, de aprendizagem e convivência com os mais velhos, adquirindo o saber deles. Uma vez, no Porto, começa a maior etapa da minha vida. Tinha que me fazer homem mesmo ainda não o sendo, com 15 anos, saído de uma aldeia serrana e estando numa realidade totalmente diferente, que era a cidade do Porto, mais concretamente o Carvalhido, indo trabalhar para uma churrasqueira. Começa aí a minha arte na hotelaria até ser interrompida pelo serviço militar, que eu me honro ter servido em Abrantes, experiencia essa fundamental na cimentação da minha pessoa como homem que honra e respeita o que faz. Fiz amigos para a vida e adquiri experiencias e saberes utei para a minha vida futura que ainda hoje são muito atuais. O nosso país ganharia e estaria muito mais bem servido de cidadãos, homens e mulheres e profissionais se tivéssemos o serviço militar de novo, temos um défice de patriotismo que era adquirido no serviço militar e agora se perdeu irremediavelmente nestas gerações. Depois comecei uma nova aventura profissional na Suíça, onde trabalhei 6 anos e aprendi muito para o meu futuro como profissional e como novo projeto por minha conta, como patrão, adquirindo o café Cantinho dos Artista, na Negrosa, este é o primeiro de vários investimentos que já fiz.

 

PJ – Tem diversos empreendimentos na área da restauração/hotelaria/turismo a funcionar atualmente. Quer falar-nos de cada um dos projetos que possui?

JA – Tudo começa no Cantinho dos Artistas, na Negrosa/São Pedro do Sul, adquiri o meu primeiro negócio aos 27 anos, um espaço mítico que eu transformei numa fonte de rendimento com um crescimento acentuado, fruto do meu trabalho e da pessoa que heroicamente me acompanha há 21 anos, a Ângela, esta casa deu-me o ser e criou-me alicerces para outros voos profissionais e pessoais, aqui conheci e vivi coisas fantásticas que fiquei a ser um ser humano muito melhor. Continua a ser um espaço de família, pequeno e acolhedor onde nos conhecemos quase todos e integramos os que vêm de fora e sempre perspetivando novas oportunidade e aproveitando para alargar a empresa para outros lados, saindo para o lenteiro do rio, onde tive um projeto virado para as pessoas e dando vida ao espaço que na época era muito mal frequentado e devolvendo o lenteiro do rio ao nosso povo. Seguiu-se a Cafetaria A Estrela, na esquina da rua Serpa Pinto, a antiga padaria, onde voltei a ser referência no acolhimento de jovens e seniores que apanhavam as carreiras da Guedes na garagem em frente. Terminei no lenteiro e não perdi tempo, fui para o bar do Gerós, nas piscinas, que estava fechado e eu catapultei com inúmeras atividades de lazer na água, juntamente com a Termalistur, espaço onde ainda hoje estou. Sendo sempre o meu objetivo ir para as Termas fiquei com os cogumelos no estacionamento das Termas, onde tive a esplanada do Vouga durante dois anos, indo finalmente para a Pastelaria D. Afonso Henriques, um projeto a longo prazo, mas muito aliciante. É neste momento uma referência nas nossas, cada vez mais bonitas, Termas. Em cinco anos fiz três vezes obras de melhoramento e crescimento para poder crescer e acompanhar a procura, casa essa que estava fechada pela Carcoreste, onde neste momento tenho 10 colaboradores do melhor a trabalhar comigo.  Juntamente com a abertura da pastelaria vendi a cafetaria Estrela e dei início a mais um grande projeto e sonho de há muito a Casa da Avó, no Pisão, onde deposito, neste momento, mais energias, não descurando nenhum dos outros é neste que tenho mais projetos para avançar.  Ainda estou também no bar do Pisão, no Carvalhedo do Bio parque. Neste momento onde tenho o maior investimento futuro será na expansão da Casa da Avó, crescer em termos de espaços de dormidas, lazer na aldeia, diversificação de oferta na qualidade humana e de serviços que a Casa da Avó já oferece e virá a oferecer futuramente. O projeto Casa da Avó surge do grande AMOR que a minha avó Elvira tinha por nós, os netos, e o que eu tinha por ela. Era uma mulher pequenina, mas muito grande em amor por nós, deixou-me um legado de valores enorme. Neste momento o projeto tem a primeira fase concluída, mas em breve arrancarão mais duas fases distintas, dois projetos novos e diferenciadores que muito irão trazer a aldeia do Pisão.

PJ – Sei que é uma pessoa com uma enorme sensibilidade, com uma grande capacidade de trabalho, com valores íntegros e que valoriza muito as pessoas e a família. Estas vertentes serão a base para o sucesso profissional que alcançou até então?

JA – Sim, são, sem duvida alguma, são os alicerces e o suporte em momentos difíceis. Temos que ter imensa sensibilidade trabalhando em hotelaria e com pessoas para podermos dar um toque final no nosso trabalho e sermos diferenciadores, dou como exemplo a sauna que eu fiz no canastro que eu tenho na Casa da Avó, os livros, a leitura e as peças de arte que eu tenho nos meus espaços comerciais.  Aproveito para acrescentar a parceria que tenho com um dos melhores artistas da zona centro, o senhor Zé Mário. É o responsável cultural dos meus espaços, tudo isto por pura amizade que temos e iremos continuar a ter.

A família é o suporte e os que por vezes sofrem connosco, os meus diretos, pai, mãe, irmã, avó, mas também os que tenho que vieram com a grande mulher que tenho, a Ângela, os pais, os irmãos, os sobrinhos, são minha família também e com valores como os meus, melhor não podia ser. As pessoas, os amigos também muito preciosos, mas para o sucesso profissional é preciso uma grande capacidade de trabalho, seriedade e palavra, perspicácia e respeito por tudo o que nos rodeia – tendo tudo isto, a sorte também aparece de vez em quando e agarrando-a conseguimos ter algum sucesso profissional.

 

PJ – O que é ser um bom profissional na sua área, ao serviço de uma comunidade, neste caso a comunidade de S. Pedro do Sul?

JA – É pensar como empresário, mas agir como comerciante à moda antiga. Empresário, a finalidade é o lucro e o crescimento da empresa para cimentar os projetos. Comerciante à moda antiga é aquela figura que quando é preciso está lá, recebe as pessoas pelo nome e sabe o que querem. U tenho várias iniciativas para a comunidade, como A Magia do Natal na Negrosa, o que me dá imenso prazer fazer com o Zé Mário.

 

PJ – Qual o impacto que teve e continuará a ter a pandemia covid-19 nos seus empreendimentos?

JA– O impacto é elevado, para além dos dois anos de atraso da pandemia temos mais dois ou mais para recuperar e pôr a tesouraria em ordem. Eu suportei toda a minha equipa de colaboradores e ainda fiz e concluí obras já projetadas antes da pandemia, por isso vai ser difícil.

 

PJ – Para além da sua ocupação profissional, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

JA – O Futebol distrital, em particular as camadas jovens.

PJ – Imagine a sua vida sem a sua ocupação profissional, como seria?

JA – Desinteressante, monótona tenho que ter projetos sempre para crescer, eu vivo para trabalhar e não trabalho para viver.

 

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

JA – Impactante.

 

PJ – Para fechar esta entrevista, o que mais o preocupa no futuro?

JA – Pessoalmente, a falta de valores morais e éticos de grande parte desta sociedade e a incapacidade de os passar às gerações vindouras que serão os homens de amanhã. Profissionalmente, as constantes mudanças e alterações dos mercados que nos podem trocar as voltas nos projetos de futuro, o que hoje é bom e pode crescer, amanhã não presta e pode ser a ruína da empresa.

 

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Joaquim Agostinho! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!

14/09/2021


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