Entrevista a João Heitor Girão Vieira
Presidente da União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões

“Quando abracei este projeto foi com a convicção de que um Presidente de Junta é um indivíduo que tem que estar disponível e próximo das pessoas, alguém que conhece o seu território e as necessidades dos seus habitantes.”
• Paula Jorge
Ficha Biográfica
Nome: João Heitor Girão Vieira
Idade: 47 anos
Profissão: Professor
Livro preferido: Ao longo da minha vida foram vários os livros que me marcaram por diferentes razões, saliento um escritor que acompanho atualmente Ken Folett, gostei muito da sua trilogia: O Século – A Queda dos Gigantes, O Inverno do Mundo e No Limiar da Eternidade.
Destino de sonho: Felizmente já tive a possibilidade de conhecer, com a minha mulher, alguns países pelos quais nutri sempre alguma curiosidade. No entanto, quando chego a São Pedro do Sul tenho a certeza que este é o melhor destino.
Personalidade que admira: São várias as personalidades que admiro em diferentes áreas, nomeadamente William Churchill, António Guterres, Nelson Mandela.
Muito obrigada, João Heitor, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.
Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio. Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?
João Heitor Girão Vieira (JV) – Antes de mais queria agradecer o convite para esta entrevista. O ensino básico e secundário foi feito em São Pedro do Sul. Recordo-me com alguma nostalgia o meu sexto ano, porque era aluno de uma das turmas que inaugurou a Escola Básica de nº 2 de São Pedro do Sul, tudo era novidade. Relativamente ao meu percurso no Ensino Secundário, recordo todas as competições desportivas em que participei, nomeadamente no ano de 1990, em que fomos Campeões Nacionais de Andebol, no âmbito do Desporto Escolar. A minha constante participação, como aluno, no Projeto Desporto Escolar, influenciou a minha escolha profissional. Para a concretização deste objetivo, frequentei a Licenciatura em Educação Física e Desporto, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e o Mestrado em Treino de Alto Rendimento Desportivo, na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto. Desde 1999 que sou professor de Educação Física, do 3º Ciclo e Secundário, e depois de ter passado por algumas escolas do distrito efetivei na Escola Secundária de São Pedro do Sul, no ano de 2006. Saliento que desde 2013, faço parte do executivo da União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões, como tesoureiro e vogal e desde 2017, como Presidente de Junta, e desde 2017 sou Presidente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul.

PJ – Ser Presidente da União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões é, acima de tudo, uma missão. Conte-nos sobre esta sua experiência de vida.
JV – A minha experiência na União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões iniciou-se no quadriénio 2013/2017, depois do convite que me foi endereçado pelo Sr. Arménio Paulino, para fazer parte da sua equipa. Esses quatro anos permitiram-me conhecer o funcionamento e as principais áreas de intervenção da nossa União de Freguesias. O trabalho em equipa é fundamental para que se consiga chegar a todos, tentando resolver os problemas e desafios que nos são colocados pelos munícipes. Em 2017 fui convidado para me candidatar a presidente da União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões, para o quadriénio 2017/2021. Tive a preocupação de constituir uma equipa com elementos representativos das diferentes povoações da União de Freguesias, para que fosse possível identificar e responder assertivamente às necessidades de Todos. Quando abracei este projeto foi com a convicção de que um Presidente de Junta é um indivíduo que tem que estar próximo e disponível das pessoas, alguém que conhece o seu território e as necessidades dos seus habitantes. Tentei cumprir a missão para a qual fui indigitado com o maior profissionalismo possível, gerindo todos os recursos disponíveis de uma forma justa e equilibrada e respondendo prontamente às inúmeras solicitações feitas pelos nossos fregueses dentro das competências que nos foram conferidas. Estando este mandato a chegar ao fim, quero relembrar que recentemente foram atribuídas às Juntas de Freguesias um conjunto de competências e alguns recursos financeiros que vieram alargar o nosso raio de ação, dando-nos mais autonomia, mas que ao mesmo tempo nos coloca novos desafios. Sem dúvida que este mandato ficou marcado pela pandemia, que nos desafiou, em todos os níveis, que nos obrigou a estar longe dos nossos, mas permitiu-nos desenvolver a nossa capacidade de adaptação a situações adversas.
PJ – Enquanto Presidente da União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiõesda será sempre o defensor de um povo. Quais são as principais carências da população que lidera?
JV – Vivemos num local marcado pela ruralidade, pela interioridade e pelo envelhecimento populacional. Este contexto conduz a algumas carências económicas e sociais, as quais tentamos responder através da nossa loja social e grupos/associações de voluntários que apoiamos. A atual situação pandémica conduziu a um aumento das solicitações de ajuda, tendo sido nossa prioridade responder às mesmas. Para tal criou-se um fundo de apoio social e desenvolveu-se um trabalho colaborativo com a Segurança Social e o Centro de Emprego com o objetivo de criar rápidas soluções para pessoas a passarem por dificuldades.
PJ – Fale-nos das instituições, associações e coletividades que a União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões apoia ou presta ajuda.
JV – São Pedro do Sul sempre foi um Concelho muito eclético quanto ao associativismo desportivo, recreativo e cultural, estando grande parte destas Instituições, associações e coletividades sediadas na União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões. Uma das nossas prioridades, espelhada no programa eleitoral que suportou a nossa candidatura, é o Associativismo. Neste quatro anos, todas as coletividades, Associações e Instituições que nos solicitaram apoio foram ouvidas e, sobretudo, subsidiadas para o desenvolvimento das suas atividades, nomeadamente: Associação Cultural de Drizes, Associação Cultural e Recreativa de Negrelos, Associação Cultural e Recreativa de Arcozelo, Associação Teatro Amador de Baiões (ATAB), Associação Cultural Recreativa do Bairro da Ponte Associação 1 Mão por 1 Pata de São Pedro do Sul, Associação de Educação Física e Desporto de São Pedro do Sul, Academia de Andebol de São Pedro do Sul, Termas Óquei Clube, Associação Unidos da Estação, União Desportiva Sampedrense, Clube Bola Basket, Footlafões – Associação Académica, GTT.SPS – Grupo Todo o Terreno de São Pedro do Sul, Grupo de Voluntariado Comunitário de São Pedro do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Espíritos Inquietos – Grupo de Intervenção Cultural, Grupo das Amigas Voluntárias de São Pedro do Sul, Loja Social de São Pedro do Sul, Rancho Folclórico as Lavradeiras de Negrelos, Corpo Voluntário de Salvação Pública de São Pedro do Sul, Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de São Pedro do Sul, Cénico – Grupo de Teatro Popular, Conferência de São Vicente de Paula de São Pedro do Sul, Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul, Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul. – A colaboração que se tem com todos, é no sentido da promoção da nossa identidade cultural, recreativa e associativa, de apoio aos mais carenciados e às atividades desportivas, para todas as idades, como promotoras de bem-estar e saúde, e àqueles que nos prestam socorro. Apoiamos, ainda, o Agrupamento de Escolas em todos os seus projetos e iniciativas.
PJ – Como viveram e continuam a viver estas associações com o estado de emergência e confinamento, devido à epidemia covid-19?
JV – Com a pandemia todas estas Associações ficaram com um número significativo das suas atividades suspensas, com a exceção dos grupos de voluntários que tiveram um papel fundamental no Apoio Social prestado aos mais afetados pela pandemia, através de ações de solidariedade que continuaremos a apoiar e a incentivar. É nossa preocupação, depois deste flagelo provocado pela pandemia, apoiar ainda mais o associativismo para que reiniciem as suas atividades, que são fundamentais à coesão da população, honrando os seus costumes e tradições.

PJ – Gostaria de saber qual é a sua perspetiva relativamente àquilo que é uma riqueza para todos nós, o setor ambiental, e as medidas que têm tomado para a sua preservação.
JV – São Pedro do Sul é um concelho que vive do turismo e do conceito de Saúde e Bem-estar associado ao nosso Centro Termal, que é, como sabemos, o melhor do País. Portanto, é crucial que se preserve todo o seu enquadramento natural, respeitando as suas espécies autóctones, os seus rios e as suas serras. Para tal, é prioritário a definição de medidas de prevenção ambiental. O saneamento básico e a construção de estações de tratamento de águas residuais e a estação de tratamento de água para consumo, são obras fundamentais e que pecam por tardias. Procedeu-se ao melhoramento da recolha e armazenamento das águas para consumo, através da criação de infra-estruturas, de modo a evitar, por exemplo, falhas na rede nos meses de verão. Nos últimos quatro realizaram-se algumas campanhas de incentivo à prática de separação seletiva dos resíduos domésticos, reforçou-se o número de Ecopontos e ilhas ecológicas, procedeu-se a campanhas de recolha de monos e outros materiais, divulgou-se os horários do Ecocentro (local onde as pessoas podem entregar objetos que já não usam). Este quadriénio foi marcado pelo grande incêndio em outubro de 2017, para colmatar este flagelo organizou-se um conjunto de ações de reflorestação, em colaboração com o Projeto Eco-escolas, Clube de Ciência Viva do Agrupamento de Escolas de São Pedro do Sul e com o apoio da Câmara Municipal, por exemplo no maninho da Nossa Senhora da Guia. Estão a ser feitos todos os esforços tendo em vista a despoluição do Rio Vouga, para que possamos voltar a usufruir das suas águas.
PJ – Fale-nos do trabalho que o seu executivo tem feito em prol da cultura das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões.
JV – Em termos culturais temos apoiado todas as iniciativas desenvolvidas pelas Associações sediadas na nossa União das Freguesias, nomeadamente relacionadas com o teatro através do Cénico – Grupo de Teatro Popular com os seus ciclos de Teatro, realizados no Cineteatro Jaime Gralheiro, a Associação de Teatro Amador de Baiões, com a criação e interpretação do Presépio vivo no Natal e Peças de Teatro Popular, a Associação Cultural e Recreativa de Negrelos com o seu Carnaval, o Rancho Folclórico as Lavradeiras de Negrelos com o seu Festival Anual e as Marchas Populares realizadas por altura das festas de São Pedro. Colaboramos com o Agrupamento de Escolas através da doação de livros para a Biblioteca do Centro Escolar e apoio ao trabalho desenvolvido no âmbito da Educação Especial, bem como aos projetos Eco-Escolas, Clube de Ciência Viva e à Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento.
PJ – Quer partilhar connosco outro projeto em que esteja envolvido e ainda não tenhamos falado?
JV – Atualmente está em fase de execução um projeto da União de Freguesias de S. Pedro do Sul, Várzea e Baiões, o “Roteiro Histórico e Religioso do Vale do Vouga”. Este permitirá visitar e, sobretudo, valorizar património histórico, religioso e cultural do nosso concelho, bem como observar o rio Vouga e toda a sua paisagem envolvente. Este projeto, tem como principal objetivo, valorizar parte da riqueza histórica e natural do nosso concelho. Assim, será construída uma ponte em madeira, com trinta e cinco metros, junto à Capela da Nossa Senhora da Nazaré em Drizes, em Baiões, na Nossa Senhora da Guia, será construído um Miradouro, onde, será, possível observar o Vale do Vouga. Ao longo do percurso haverá sinalização, iluminação e painéis informativos, com QR Codes, nos locais com património histórico e religioso. A extensão deste percurso é de catorze quilómetros, representando um marco em termos de conhecimento do património histórico religioso e natural do nosso concelho. Todo o trajeto deste roteiro está interligado, levando os seus visitantes a visitar elementos patrimoniais de relevo no nosso concelho, conciliando espaços naturais e urbanos, e potenciando o património cultural existente. Para além do referido, permitirá contemplar e desfrutar a natureza, os espaços verdes, os parques e reservas florestais, possibilitando a visita a edifícios religiosos e históricos, tais como a Capela Nossa Senhora da Nazaré (em Drizes), a Capela de S. Martinho (Termas), o Solar do Condado de Beirós, o Solar dos Malafaias e a Pedra Escrita, na localidadede Serrazes terminando no Castro da Nossa Senhora da Guia, em Baiões. O valor do investimento é de 100 mil euros e é financiado, em 80%, pela ADDLAP – Associação de Desenvolvimento Dão, Lafões e Alto Paiva, com o apoio do Programa de Desenvolvimento Rural 2020.
PJ – Para além das suas ocupações profissionais, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
JV – O que mais me completa é saber que tenho uma família que me apoia e que me completa. Muitas vezes, o tempo é pouco para estar com a família (com as minhas filhas, a Leonor e a Madalena, e com a Fernanda, a minha mulher, que está sempre presente, é incansável e quem tem um papel fundamental nas minhas decisões). Portanto, tenho sempre a preocupação que é preciso gerir muito bem a minha agenda, para que possa passar tempo de qualidade com a minha família. O desporto, principalmente o Futebol, sempre foi uma área que me fascinou, inicialmente como praticante e depois como treinador. A prática desportiva esteve sempre presente em toda a minha juventude, em todo o meu percurso académico e estará sempre ligada à minha forma de ser e de estar. Esse gosto começou quando era miúdo e brincávamos na rua no Bairro da Ponte, onde de uma forma espontânea todos participavam. Iniciei a minha prática desportiva no Clube Desportivo de Drizes, como muitos Sampedrenses, sob o comando do saudoso Sr. Joaquim Ramalho, depois mais tarde com o Futebol e Basquetebol no Sampedrense, o Andebol no Desporto Escolar. Posteriormente formei-me em Educação Física e Desporto, com especialização em treino de Futebol que neste momento interrompi para abraçar este cargo na União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões que me completa e preenche.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
JV – É muito difícil reduzir uma pessoa a uma única palavra, mas arrisco: Dinâmico.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
JV – O que diz o meu coração, não sei! Mas digo-lhe que sinto neste momento: Resiliência. Nunca esta palavra foi tão usada e fez tanto sentido para mim. Lidar com as mudanças impostas pela pandemia e adaptarmo-nos às mesmas, foi uma enorme prova de superação.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, João Heitor. Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho neste ano de 2021 e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
JV – Deixo uma mensagem de esperança a todos os Sampedrenses, que em breve esta terrível pandemia terminará e iremos estar novamente juntos, sem restrições, a festejar com aqueles que nos são mais próximos. Acrescento, ainda, que todos os Sampedrenses devem sentir que a União das Freguesias de São Pedro do Sul, Várzea e Baiões estará sempre disponível para os ouvir e ser um aliado na melhoria das suas condições de vida.
27/05/2021

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