Entrevista a Carlos Laranjeira
Presidente da Junta de Freguesia de Manhouce

“É para mim um gosto enorme poder contribuir para melhorar e dar mais qualidade de vida às gentes da minha terra. Seja no melhoramento de acessos, construção de infraestruturas necessárias ao desenvolvimento local, ou simplesmente ajudar e resolver problemas, mesmo que não tenham a ver diretamente com a Junta de Freguesia.”
A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!
• Paula Jorge
Ficha Biográfica
Nome: Carlos Alberto Duarte Laranjeira
Idade: 49 anos
Profissão: Empresário – Restauração
Livro preferido: (Filme) Cinema Paraíso
Destino de sonho: Estados Unidos América
Personalidade que admira: Gastão Carvalhas (Falecido)
Paula Jorge (PJ) – Muito obrigada, Carlos Laranjeira, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.
Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?
Carlos Alberto Duarte Laranjeira (CL) – Cresci em Manhouce, onde frequentei a escola primária até à 4ª classe e concluí o 6º ano (telescola). Desce cedo comecei a trabalhar para ajudar nos trabalhos agrícolas, com a saída da escola fui trabalhar para o pinhal.
Em 1992 cumpri o Serviço Militar (Tropa). Em 1994 ingressei na hotelaria e restauração, onde estou até hoje.
PJ – Ser Presidente da Junta de Freguesia de Manhouce é, acima de tudo, uma missão. Conte-nos sobre esta sua experiência de vida.
CL – É para mim um gosto enorme poder contribuir para melhorar e dar mais qualidade de vida às gentes da minha terra. Seja no melhoramento de acessos, construção de infraestruturas necessárias ao desenvolvimento local, ou simplesmente ajudar e resolver problemas, mesmo que não tenham a ver diretamente com a Junta de Freguesia.
PJ – Enquanto Presidente da Junta de Freguesia será sempre o defensor de um de um povo e das suas tradições. Como lida com esta vertente?
CL – – Lido muito bem e faço gosto que assim seja!
Sou um defensor da história, das tradições do povo de Manhouce, é um dos melhores legados às gerações vindouras. São as nossas raízes, conhecimentos, práticas ancestrais e valores, que tornam os manhocences pessoas tão genuínas e unidas.
PJ – Fale-nos das instituições, associações e coletividades que existem em Manhouce.
CL – Existem várias. O Centro Social, que presta apoio à comunidade mais idosa e tem a vertente de centro de dia. A Associação Ditoso Saber, as Associações de Caça e a de Pesca Desportiva. Nas coletividades, o Rancho Folclórico e o grupo Vozes de Manhouce. Todas são importantes, cada qual na sua área.
PJ – Como viveram e continuam a viver estas associações com o estado de emergência e confinamento, devido à epidemia covid-19?
CL – O Rancho Folclórico sente a falta do palco, não pode realizar os ensaios, devido ao número de elementos. Causa alguma nostalgia não ter este convívio, as crianças pararam na sua aprendizagem das danças e retomar fica mais complicado. O Grupo das Vozes tem conseguido fazer alguns ensaios e ter alguma atividade, ainda assim muito resumida. Todas vão tendo a atividade possível, aguardando o regresso da normalidade.
Sandra Costa, Tesoureira; Carlos Laranjeira, Presidente da Junta de Manhouce; Domingos Duarte, Secretário
PJ – Temos na aldeia de Manhouce o expoente máximo dos cantares tradicionais, na pessoa da grande Isabel Silvestre, assim como os Cantares e Vozes de Manhouce. Fale-nos do orgulho deste legado.
CL – É gratificante pertencer a esta terra e a esta gente, em qualquer parte do país se ouve falar desta senhora de Manhouce. Sem dúvida que a Professora Isabel Silvestre levou as nossas cantigas mundo além. Relembro também o Grupo de Cantares e a pessoa do Mestre Silva que foi a rampa de lançamento. Atualmente, as Vozes de Manhouce perfilam na Candidatura do Canto a Três Vozes a Património Imaterial, que é mais um motivo de orgulho.
PJ – Na aldeia de Manhouce realiza-se o tão emblemático festival da vitela. Fale-nos sobre este evento e a mais valia que ele constitui para a aldeia e consequentemente para toda a região de Lafões.
CL – A Festa da Vitela foi evoluindo a cada edição. Cada ano que passa há um envolvimento maior da população, coletividades e associações locais, pela divulgação das tradições, mas também pela venda de produtos locais e artesanato. Dinamiza também o concelho, pois os produtores da região podem expor e vender na feira, esta atrai visitantes e curiosos a degustar a boa vitela da Raça Arouquesa e outros sabores de Lafões.
PJ – Gostaria de saber qual é a sua perspetiva relativamente àquilo que é uma riqueza para todos nós, que é o setor florestal, e as medidas que têm tomado para a sua preservação.
CL – A perspetiva é positiva. Têm sido efetuadas limpezas de faixas e melhoramentos nos acessos, podendo, deste modo, agir rapidamente no caso de incêndio. Foram requalificadas algumas áreas e plantadas árvores.
PJ – Quer partilhar connosco outro projeto em que esteja envolvido e ainda não tenhamos falado?
CL – Um dos projetos mais arrojados é o futuro Museu Etnográfico, não sendo propriamente pessoal, terei muito gosto em vê-lo edificado.

PJ – Para além das suas ocupações profissionais, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
CL – O meu maior gosto e paixão é poder conviver e estar com amigos.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
CL – Sonhador.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
CL – Sou uma pessoa feliz, com objetivos realizados.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Carlos Laranjeira. Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho neste ano de 2021 e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
CL – Valorizem o que temos na Região de Lafões!

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