Carlos Pires

Professor e treinador da Academia de Andebol de São Pedro do Sul

“Acima de tudo queremos potenciar tudo o que São Pedro do Sul tem de bom para oferecer a quem nos visita. Acreditamos que podemos ser um excelente veículo de promoção da nossa região, levando longe os nossos produtos, gentes e costumes.”

 

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

 

Ficha Biográfica

Nome: Carlos Miguel Pires

Idade: 46 anos

Profissão: Professor

Livro preferido: Camaradas de Guerra, Sven Hassel

Destino de sonho: Casa

 

Muito obrigada, Carlos Pires, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.

 

Paula Jorge (PJ): Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?

Carlos Miguel Pires (CMP) – Licenciei-me em Educação Física, na Escola Superior de Educação de Viseu e iniciei a minha atividade profissional enquanto professor em 1996. Em jovem trabalhei em cafés e restaurantes, bem como no antigo RH em Viseu.

 

PJ O desporto esteve sempre na sua vida – é uma missão, uma forma de estar, uma filosofia de vida?

CMP – Desde sempre me lembro de ter interesse pelo desporto, é acima de tudo uma paixão que se transformou num modo de vida. As emoções que resultam da competição, a camaradagem da equipa, a superação das dificuldades, o crescimento resultante do trabalho, são tudo consequências que tornam o fenómeno desportivo viciante e que me absorveram desde o início.

 

PJ – Fale-nos do grandioso projeto que é a Academia de Andebol de São Pedro do Sul? Como nasceu, a sua missão e objetivos, o que já alcançaram?

CMP – A Academia de Andebol de São Pedro do Sul é um projeto que se encontra ainda nos primeiros anos da sua juventude. Fundada em 2015 resulta da seção de andebol da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamentos de Escolas de São Pedro do Sul, em função da criação do escalão de seniores femininos nesse ano, escalão sem enquadramento na APAESUL.

Penso, no entanto, que será justo e correcto considerarmos que o projeto se iniciou na época 2011/2012 com a filiação na Associação de Andebol de Viseu e na Federação de Andebol de Portugal e a entrada em competição de uma equipa de infantis femininos, equipa essa que está na origem da atual equipa de seniores femininos do clube.

A missão do clube passa pela promoção da prática desportiva, através do andebol, no concelho de São Pedro do Sul, com enfoque em valores que transportamos e defendemos e que incutimos em todos os nossos jovens praticantes, tais como educação, esforço, compromisso, humildade e ambição. Temos ainda o objetivo de promover os produtos de São Pedro do Sul, os nomes das suas empresas e as marcas que nos distinguem, divulgando-os em todas as competições nacionais em que estamos envolvidos. Desde sempre manifestamos disponibilidade em colaborar com todas as instituições públicas e privadas da nossa região.

Do ponto de vista dos resultados alcançados será de realçar a subida à 1ª divisão nacional feminina e 2ª divisão nacional masculina durante a presente época, colocando-nos a competir a um nível que é único na nossa região. Do ponto de vista desportivo este será o principal resultado desportivo, havendo ainda campeonatos regionais conquistados em todos os escalões masculinos e femininos ao longo dos anos de existência do clube.

Salientar também a chamada a diversas seleções jovens e centros de treino nacionais de alguns jovens que fizeram e estão a fazer o seu percurso na nossa formação. Durante a presente época é de destacar a chamada do Tiago Rocha, guarda-redes formado em São Pedro do Sul e atualmente a competir na Associação Artística de Avanca, no campeonato nacional da 1ª divisão masculina, à seleção nacional de sub19 que se prepara para disputar o Campeonato da Europa do escalão.

Para além destes resultados desportivos saliento também o envolvimento e formação de diversos agentes desportivos, pais de atletas que se foram envolvendo e que estão, hoje em dia, por dentro de toda a dinâmica do clube, de modo a encontrarmos soluções para o desafio que é ter cerca de 150 atletas em atividade.

 

PJ – O que é que um clube como a Academia de Andebol traz para uma cidade do interior, nomeadamente para São Pedro do Sul?

CMP – Acima de tudo queremos potenciar tudo o que São Pedro do Sul tem de bom para oferecer a quem nos visita. Acreditamos que podemos ser um excelente veículo de promoção da nossa região, levando longe os nossos produtos, gentes e costumes. Esta época teremos a oportunidade de competir com equipas de todas as regiões nacionais, sobretudo através das equipas seniores feminina e masculina. Já este ano tivemos oportunidade de ver os nossos jogos com o Benfica serem transmitidos pela televisão, iremos deslocar-nos à região autónoma da Madeira para jogar com o Sports Madeira, Madeira SAD e Marítimo, tudo oportunidades de divulgação muito importantes.

Desde o primeiro ano de atividade que desenvolvemos o Termas Andebol Cup, torneio que dinamizamos durante o período da Páscoa e que teve na sua última edição 1500 participantes que ficaram alojados em São Pedro do Sul durante 3 dias, proporcionando um retorno económico muito importante a diversos estabelecimentos da nossa cidade.

Já tivemos também a oportunidade de organizar diversos estágios de seleções nacionais em diversos escalões, tais como Portugal, Estados Unidos da América, Bahrain, Argentina, Suécia, Dinamarca, Noruega, Espanha, bem como das equipas seniores de dois dos principais clubes nacionais, Benfica e FC Porto.

Durante estes estágios proporcionamos o contacto com os atletas aos alunos da região, proporcionando-lhes a oportunidade de satisfazerem curiosidades e ouvirem o relato das experiências pessoais destas referências desportivas.

PJ – Vivemos numa era digital, onde os jogos online dominam, os computadores, os telemóveis, entre outros, se implantaram e vão permanecendo. Qual o seu posicionamento perante esta realidade?

CMP – A era digital está para ficar e evoluir, não adianta querer contrariar, pelo contrário, teremos que a utilizar a nosso favor e potenciar o conhecimento que os nossos jovens dela têm. Compete-nos a todos, como educadores, fazer ver que tudo o que é consumido em excesso pode trazer efeitos negativos e que é necessário os nossos jovens terem um crescimento multifacetado que lhes permita formar um conjunto de ferramentas que os torne mais aptos a enfrentar as dificuldades da vida.

A prática desportiva tem aqui também um papel fundamental, sendo fácil hoje em dia a comunicação com os atletas e possibilidade de lhes proporcionar treinos mais individualizados que vão ao encontro das suas necessidades.

 

PJ – Como é que a Academia de Andebol lidou e continua a lidar com a pandemia Covid-19?

CMP –Ao longo deste processo de aprendizagem que tem sido a COVID-19 passamos por diferentes etapas, desde a expectativa inicial de que tudo era passageiro, ao contacto regular pelas plataformas digitais, o desânimo, o retorno da expectativa, a diminuição da frequência dos contactos online e aumento dos planos de treino individuais, até à atualidade em que queremos retomar em segurança o treino e o contacto em equipa.

Todos sabemos que só conseguiremos ultrapassar este inimigo invisível se formos rigorosos e respeitarmos as indicações que nos vão sendo dados.

 

PJ – Que projetos espera ainda ver concretizados?

CMP – Na presente época o nosso principal objetivo desportivo passa pela manutenção das equipas seniores no patamar competitivo alcançado, apesar de sabermos da dificuldade que é competir com clubes muito mais antigos e alicerçados neste nível, com possibilidades de beneficiarem de outros recursos.

Queremos aumentar o número de atletas e a qualidade do processo de treino, com um investimento muito forte nos escalões de bambis e minis.

Estamos também a preparar protocolos de cooperação com países de língua oficial portuguesa que tragam mais alunos para as nossas escolas, com potencial de formação desportiva e académica. A baixa demografia do nosso concelho é um dos principais obstáculos a combater.

A construção de um pavilhão próprio é um sonho que começa a ganhar contornos e ao qual queremos começar a dedicar tempo de estudo e viabilidade.

 

PJ – Para além das suas ocupações profissionais, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

CMP – Tirando a minha profissão que me ocupa cerca de 10 a 12 horas por dia, a principal paixão é a minha família, esposa e filho, a quem agradeço toda a ajuda e colaboração que me têm dado durante todo este processo.

 

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

CMP – Crente.

 

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?

CMP – Que vamos conseguir encontrar soluções para ultrapassar esta pandemia e que vamos desenvolver uma sociedade que consegue combater as desigualdades sociais, em que o mérito é reconhecido e apoiado, capaz de proporcionar uma educação que ajuda a combater a pobreza. Gostaria de poder dizer que seremos capazes de respeitar a natureza e aprender a viver com ela e não só dela, dando-lhe espaço para recuperar de todos os abusos de que tem sido vítima. No dia em que formos capazes de perceber que a felicidade está mais perto do que pensamos e que reside nas coisas mais simples, em que o importante é o viver do momento e não o registo do mesmo, acredito que aí seremos melhores pessoas.

 

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Carlos Pires. Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho neste ano de 2021 e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.

CMP – Protejam-se e protejam todos os que vos envolvem, é fundamental acabarmos com esta pandemia e dar uma ajuda a todos os profissionais que têm estado a salvaguardar a nossa existência mais básica e fundamental. Neste momento não vejo nada mais importante do que continuarmos a cumprir regras de distanciamento evitando contactos sem cuidados e higienização, mantendo-nos alertas e vigilantes. O sucesso desta luta depende de nós.


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