Entrevista a Maria Paula Carvalhas

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida.
Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!
Ficha Biográfica
Nome: Maria Paula Antunes Meneses Carvalhas Correia dos Santos
Idade: 59
Profissão: Educadora de Infância
Livro preferido: “A morte é um dia que vale a pena viver” de Ana Cláudia Quintana Arantes
Destino de sonho: S. Pedro do Sul
Personalidade que admira: A magnífica comunidade de S. Pedro do Sul
Muito obrigada, Paula Carvalhas, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.
Paula Jorge (PJ) – Pode descrever-nos o seu percurso académico.
Maria Paula Carvalhas (MPC) – Depois da escolaridade básica e do ensino secundário completado em S. Pedro do Sul, segui rumo a Coimbra, frequentando o Curso de Línguas e Literaturas Modernas. A meio tive o grato privilégio de ter encontrado uma pessoa especial que me fez mudar o rumo, em direção ao que seria uma das paixões da minha vida – Ser Educadora de Infância.
PJ – Neste seguimento, fale-nos do seu percurso profissional.
MPC – Uma caminhada muito grata. 35 anos como Educadora de Infância.
Um percurso recheado de bons momentos, de alegrias e de um trabalho árduo que sempre tem tido como lema ajudar a construir vidas – as das nossas crianças – interagindo com as famílias e as comunidades em que estamos inseridos.
Realço 6 anos da minha passagem pelo Centro de Área Educativa de Viseu (entre 1995 e 2000), em que mais uma vez tive o grato privilégio de estar fortemente ligada à possibilidade de acesso à igualdade de oportunidades das nossas crianças, através da coordenação da criação de 74 jardins de Infância, na área de influência do CAE Viseu (14 concelhos) integrados no Programa de Expansão e Desenvolvimento da Educação Pré-Escolar.
Decorrente da minha atividade profissional pude ainda integrar a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do nosso concelho e ser Diretora da Residência de Estudantes de S. Pedro do Sul, por duas vezes, o que foi tremendamente gratificante.

PJ – Todos sabemos que é uma mulher de grandes causas; abraça projetos que envolvem pessoas e missões humanitárias muito para além do normal. Fale-nos sobre a sua passagem como Presidente da Direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul.
MPC – Mais do que falar da minha passagem como Presidente da direção da AHBV de SPS penso ser mais pertinente referir algumas notas relativas a 14 anos de entrega e de pertença à sua direção.
14 anos de trabalho árduo, empenho, dedicação, com algumas dificuldades, que foram ultrapassadas pelo querer e a honra em dignificar uma Instituição de Utilidade Pública que deverá estar sempre, e só, ao serviço das comunidades que servimos. E porque esse foi sempre o desígnio, renovámos a frota automóvel, tendo permitido que os nossos doentes pudessem passar a ser transportados com a dignidade e conforto que merecem, preocupámo-nos com o bem estar dos nossos bombeiros e honrámos sempre os compromissos assumidos.
E porque falamos de honra quero aproveitar a oportunidade para agradecer publicamente a dois bombeiros de excelência – Os Chefes Salomão Cardoso e José Pinto, sem os quais, não teria sido possível “levar o barco a bom porto”, num período de tempo particularmente difícil.
Igualmente uma palavra de gratidão a todos os colegas que me acompanharam no exercício das minhas funções na direção e ao senhor Comandante Ribeiro de Almeida, nomeado por nós, a quem desejo que saiba honrar sempre uma Instituição prestigiada, com 135 anos de vida e todos os seus órgãos.
À atual direção, que continuem o bom trabalho desenvolvido, acrescentando ainda melhores serviços, melhores oportunidades.
Da minha parte, atualmente Presidente da Assembleia Geral, poderão todos contar com a minha lealdade e assunção das minhas responsabilidades.
PJ – Para além de estar ligada aos Bombeiros Voluntários, abraça outras causas, como a de ser Voluntária da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Como começou a sua entrega a esta causa?
MPC – Muito cedo. Educada que fui pelos meus pais de uma forma muito especial, em que os valores da solidariedade, generosidade e entreajuda sempre estiveram presentes, foi com naturalidade que através de um vizinho, o Sr. José Penedo, na altura o elo de ligação entre a LPCC e o nosso concelho, comecei a participar no Peditório Nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Em 1978, tendo sido criado oficialmente o Grupo de Voluntariado Comunitário de S. Pedro do Sul, do Núcleo Regional do Centro da LPCC, e a necessidade do envolvimento de voluntários, continuei a colaborar, tendo-me “alistado” em 1980.
Acreditei que esta Causa fazia sentido na minha vida! E na vida dos outros também.
E aqui estou, 40 anos depois, com um tremendo orgulho, uma enorme honra e uma paixão sem limites!
PJ – Quais são os grandes objetivos do Grupo de Voluntariado Comunitário de S. Pedro do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro?
MPC – Sensibilizar para a adoção de estilos de vida saudáveis;
– Informar sobre a instituição e serviços;
– Colaborar no apoio social ao doente oncológico e sua família;
– Colaborar na prevenção do cancro;
– Angariar fundos.
Objetivos estes que se concretizam através de ações na comunidade, que são pautados por princípios de idoneidade, atitudes solidárias e altruístas, preocupação e interesse pelo outro e sentido de responsabilidade e compromisso, por parte dos seus voluntários.

PJ – Considera que a população local do concelho de S. Pedro do Sul está recetiva a esta causa da luta contra o cancro?
MPC – De todo. Prova disso e da sua extrema generosidade são os bons resultados do Peditório Nacional a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a enorme participação nas atividades – ações de educação para a saúde, caminhadas e outras – que o Grupo de Voluntariado leva a efeito anualmente e a crescente procura de informações sobre os serviços da LPCC, com vontade em colaborar e adesão de novos voluntários.
De realçar ainda a elevada taxa de participação das mulheres no Rastreio do Cancro da Mama, da responsabilidade do NRC.LPCC, que tem lugar no nosso concelho, de dois em dois anos.
PJ – Muitas histórias terá guardadas, ao longo dos anos, abraçando esta missão do Grupo de Voluntariado de S. Pedro do Sul da Liga Portuguesa Contra o Cancro. Quer partilhar connosco uma das histórias que mais a marcou?
MPC – Muitas histórias, sim, com igual significado, cada uma à sua maneira, pois representam a caminhada de luta contra o cancro, as nossas angústias, as nossas fragilidades, mas também a nossa motivação e o acreditar que juntos e em comunidade conseguiremos vencer o cancro.
Mas marcaram-me sim, duas, de forma muito particular, e penso que a todos em S. Pedro que participaram ativamente, em 2013, na cerimónia de encerramento do projeto “Um Dia Pela Vida”, a 20 de Julho. – “A Cerimónia das Luminárias” e o facto de durante todo o dia, a participação da magnífica comunidade de S. Pedro do Sul ter sido tão grande e intensa na “Pista da Caminhada” que até se arrancaram as pedras.
Desse dia para a frente, intensificou-se a Caminhada “Contra o Cancro, pela Vida” no nosso concelho, bem como se intensificou também o nosso “dar das mãos”.
PJ – Quer falar-nos de outros projetos, ligados a esta missão da luta contra o cancro, ou a outro nível, em que esteja envolvida, neste momento, ou a curto/médio prazo?
MPC – Nesta missão de luta contra o cancro, nós voluntários do GVC de SPS da LPCC, estaremos empenhados na operacionalização do nosso Plano de atividades, que passará pela realização de várias ações de educação para a saúde e de prevenção do cancro, no nosso concelho, a realização da nossa 10.ª Caminhada “Juntos Venceremos o Cancro”, no dia 28/06/2019, integrada nas Festas da Cidade, a participação no Peditório Nacional, nos dias 30, 31 de Outubro, 1 e 2 de Novembro, a participação em ações de formação para enriquecimento próprio, o apoio a doentes e suas famílias e outras, que serão divulgadas a seu devido tempo.
A nível pessoal estarei envolvida numa missão que igualmente merece a minha entrega: a minha família.

PJ – A Paula Carvalhas é uma lutadora (permita-me que lhe diga!). Onde vai buscar essa energia e força de vontade para trabalhar e nunca baixar os braços?
MPC – É intrínseco. Não lhe sei explicar!
PJ – Numa só palavra, pode descrever-se?
MPC – Resiliente.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
MPC – Diz-me que a vida é um dom que não devemos desperdiçar e que só faz sentido se deixarmos marcas. Marcas de gente de bem, de trabalho, de generosidade e de entrega a Causas que nos preencham, como eu costumo dizer, o coração e a alma.
PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Paula Carvalhas! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.
MPC – Obrigada eu, Paula Jorge e Gazeta da Beira pela possibilidade de partilhar com todos um bocadinho da minha vida. Uma enorme honra.
Juntos e em comunidade viveremos melhor.
Aos leitores, uma pequena mensagem: “Façamos o bem. O resto vem”!
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