António Coutinho quer acesso direto de Sever do Vouga à A25 ainda neste mandato

Novo Presidente da Câmara inicia mandato com muitos projetos em carteira

Ed647-p01-SeverVougaAntónio Coutinho já faz parte da Câmara de Sever do Vouga, há 12 anos como Vice-Presidente. Depois de ser o número 2 de Manuel Soares, assume, naturalmente, o lugar de presidente da autarquia. Em inicio de mandato, António Coutinho, fala dos projetos para o concelho: O acesso direto à A25, o futuro da Vougapark e da AGIM, as Uniões de Freguesias e a luta a favor dos serviços públicos. O novo Presidente responde a estes e outros temas, nesta entrevista. O futuro de Sever do Vouga, em análise na Gazeta da Beira.

• Patrícia Fernandes

Gazeta da Beira (GB) – Já está na Câmara Municipal há 12 anos, era o número 2 de Manuel Soares. Esta é uma aposta na continuidade?

António Coutinho (AC) – Este não é um mandato de rotura, nem podia ser, sendo eu vice-presidente da Câmara anterior. É óbvio que há alguma continuidade, até porque, há projetos que ainda não estão terminados, portanto, embora seja um ciclo novo, com gente nova e em lugares diferentes, haverá sempre alguma continuidade, porque nós fazíamos parte do executivo anterior.

GB- Foi eleito vice-presidente da CIRA, qual a importância desta eleição para Sever do Vouga. Quais as prioridades da comunidade?

AC- É sempre melhor estarmos em certos lugares do que não estarmos, embora em termos de representatividade não signifique muito. Normalmente, a CIRA decide pelo consenso dos 11 municípios. Agora, é óbvio que, como vice-presidente, estarei mais próximo das decisões e das escolhas. Quanto às grandes apostas, estamos a trabalhar no próximo quadro comunitário e ainda estamos na fase de elaboração de projetos, com muitas ideias e a afinar, aquilo que serão as grandes apostas da comunidade. Estamos a trabalhar ao nível do empreendedorismo, no lançamento das incubadoras de empresas. Há uma incubadora da Universidade de Aveiro que é a IERA que, depois, conjuga os trabalhos com as outras incubadoras dos municípios. Alguns municípios como Sever do Vouga, já têm as suas incubadoras a funcionar, outras estão ainda na fase de arranque.

GB-O futuro da Vougapark passa pela incubação de empresas? Até ao momento, grande parte da Vougapark ainda está por ocupar, neste sentido, quais as perspectivas para 2014?

AC- Este ano vai ser decisivo para o arranque da ocupação dos espaços na Vougapark. Entende-se que a Vougapark é uma área de acolhimento empresarial, para a qual temos 3 situações diferentes: Primeiro, um espaço de acolhimento de empresas novas, a incubar. Depois há um espaço de acolhimento de empresas já existentes e, por fim, temos um espaço comum, onde se vão fixar empresas de serviços partilhados, tais como, serviços de contabilidade, serviços jurídicos, apoio ao empreendedorismo, apoio à internacionalização, que vão dar apoio a outras empresas. Na última reunião de Câmara, já lançamos um programa de promoção da Vougapark que passa, não só por uma maior divulgação, mas, também, por uma fase de descontos, redução de preços, tudo isto, para que as empresas se venham a instalar lá.

Considero que estamos a ter uma boa adesão e em pouco tempo teremos lá cerca de 11/12 empresas e, até ao final do ano, temos como objetivo, que a Vougapark esteja ocupada, em cerca de 50%.

GB- Para além disso, o que mais está a ser feito para atrair empresas e investimento para Sever do Vouga? Tendo em conta a situação específica da Zona Industrial de Cedrim, há a possibilidade de dar terrenos ou vendê-los a preços mais simbólicos, como aliás, já estão a fazer outras autarquias?

AC- Relativamente à Zona Industrial de Cedrim, no sentido de acolher mais empresas, ou permitir a ampliação das empresas já existentes, procedemos à alterações, em reunião de Câmara, do regulamento da zona industrial. Neste sentido, pudemos atribuir mais um lote a uma empresa que quer ampliar as suas instalações. Pelos lotes de Cedrim estamos a praticar preços muito diminutos, mas, a procura, não tem sido muita, o que está relacionado com a situação económica nacional. Nós temos espaços para ceder e nesse sentido, tem-se intensificado a divulgação. Depois, há que estudar caso a caso, sendo que, poderemos conceder algumas benesses para atrair mais investimento.

GB- Aquando da sua campanha eleitoral, disse que uma das prioridades era uma ligação directa de Sever do Vouga à A25. Qual é o ponto de situação e que valias pode trazer a ligação ao concelho? Acredita que esta obra pode estar concluída ainda este mandato?

AC- Uma acessibilidade directa à A25, que permita melhorar as condições de saída e de entrada de mercados e da produção das grandes empresas, é uma das nossas grandes prioridades. Ao melhorarmos a economia da terra, estamos, também, a melhorar a qualidade de vida dos nossos munícipes. Tivemos uma reunião com a Câmara de Albergaria-a-Velha para executarmos ajustes nessas ideias e estudar alternativas e desvios de percurso, temos inclusive, já aprovado, um estudo ambiental de um troço do acesso à A25, integrado na possível construção do IC35, que vinha de Penafiel até a Sever do Vouga. A construção da IC35 está parada, portanto, nós, nos últimos anos, estamos a apostar neste troço, que é o acesso de Sever do Vouga à A25. O nosso objetivo é que este acesso ligue a Vila e as zonas industriais, nomeadamente a Zona Industrial dos Padrões, e que permita, assim, a expansão de zonas industrias e a criação de novas áreas mais a jusante e mais próximas da A25, para assim, intensificar a vinda de empresas para Sever do Vouga.

Não sei se conseguiremos terminar este projeto neste mandato mas espero que sim. Estamos muito confiantes no novo quadro comunitário e vamos fazer valer este acesso como uma prioridade para toda a região e não só para Sever do Vouga e no seio da CIRA para que se veja a importância deste acesso para este tipo de mobilidade e acessibilidade.

GB-A AGIM tem tido um papel fundamental para o desenvolvimento do concelho. Agora que é o novo presidente da associação, onde quer chegar?

AC- Espero que com as candidaturas que tem em carteira e com o novo quadro comunitário, a AGIM possa intensificar o seu contributo, não só para o desenvolvimento do concelho, mas também, para a dinâmica da Vougapark, na medida em que temos dois eixos principais de actuação da Vougapark: a metalomecânica e o agroalimentar. Neste caso, as empresas transformadoras dos produtos agrícolas, nomeadamente dos pequenos frutos. A AGIM teve agora uma candidatura aprovada: o” Cluster dos pequenos frutos”, que é mais uma aposta na dinamização dos pequenos frutos, da transformação, da intensificação e diversificação da cultura de mirtilo, framboesa, groselha, etc., no concelho.

GB-O seu slogan na campanha eleitoral era: “Pelas pessoas” e a ação social é uma das prioridades do orçamento para 2014. O que é que vai ser feito neste âmbito?

AC- Nós temos vindo apostar forte na área social e em áreas associadas, como a educação e a cultura. Em apoios diretos: apoios a alunos carenciados, apoios para bolsas de estudo, transportes, AEC, tudo isto nós mantemos, com uma aposta ainda mais forte. Possivelmente, vamos dar mais bolsas de estudo este ano, tendo em conta a situação económica das famílias. Associado a isto, temos, depois, o apoio que damos às associações desportivas, culturais, bombeiros e às IPSS, apoios que queremos intensificar. Por via destas instituições, queremos dar melhor qualidade de vida às pessoas. Estamos ainda a prever outras situações novas, em regulamento que estamos a inscrever, como a situação das Bolsas de Terra, hortas comunitárias, onde as pessoas podem ter um cantinho para os seus produtos e assim, diminuir os encargos do orçamento familiar.

Depois, temos apoios previstos para pessoas que não têm capacidade de pagar a renda da casa, água, lixo, porque, por qualquer motivo, atravessam uma situação mais complicada. Algumas destas situações já estão a funcionar, como o apoio à habitação degradada, uma área que queremos apostar ainda mais, por via da regeneração e reabilitação urbana, através do próximo quadro comunitário.

GB- E relativamente aos idosos?

AC- Nesse âmbito, estamos a pensar em algumas situações que têm que ver com a segurança e a vigilância, nomeadamente, ao nível dos contactos de proximidade e de segurança e ao nível da sensibilização. Para isso, importa trabalhar com as forças de segurança para que aqueles que vivam mais longe, sozinhos, possam correr menos riscos de serem assaltados ou ludibriados.

GB-A Barragem Ribeiradio Ermida, à partida, vai ficar pronta no final deste ano. A sua construção foi dos polos dinamizadores da economia local, contribuindo com emprego para os severenses. Depois da sua conclusão que perspetivas traz para Sever do Vouga?

AC- Acredito que a Barragem traga alguns benefícios para a região, principalmente, ao nível do turismo, porque vai criar um enorme espelho de água e associado a isso, há algumas atividades que podem aí ser feitas. Algumas infraestruturas estão associadas à construção da própria barragem, nomeadamente a reposição de praias fluviais. Penso que a barragem vai ser impulsionadora de outro tipo de turismo e da atração de pessoas de fora ao nosso concelho e vai também facilitar a regularização dos caudais e o abastecimento de água no futuro.

GB -A nível turístico Sever do Vouga tem muitas potencialidades. O que é que pode ser feito para dinamizar os recursos turísticos do concelho?

AC- Sever do Vouga tem muitas potencialidades e tem tentando explorá-las. Precisávamos de mais investimento privado em determinadas áreas. Considero que há margem para termos aqui uma unidade hoteleira de alguma dimensão, que pudesse alojar mais pessoas, grandes grupos, como por exemplo as pessoas de um autocarro ou mais.  Já temos hoje muito alojamento, mas é tudo na área do turismo de habitação ou do alojamento local, portanto, são pequenos espaços que alojam diretamente poucas pessoas, pequenos grupos ou famílias. Seria pois necessário apostar aqui num alojamento hoteleiro de maior dimensão. Está em construção um hotel rural em Talhadas, com cerca de 18 quartos, mas precisávamos de uma unidade maior. Nós temos um projeto para as minas do Braçal, o qual vinha colmatar algumas falhas, nomeadamente a nível do alojamento em quantidade. A Câmara tem o projeto, tem espaço, está disposta a ajudar, mas este tipo de projetos está sempre dependente da iniciativa privada.

GB- Que valias têm a ecopista e o protocolo para o caminho de Santiago, recentemente assinado, para Sever do Vouga e para a região?

AC-A ecopista é uma grande mais-valia para Sever do Vouga. Para além da beleza natural magnífica que o espaço contém, que contempla o troço do rio Vouga e os vales do Vouga, o facto de termos uma extensão da ecopista ao longo de todo o concelho, no antigo canal da linha do caminho-de-ferro, faz de nós um município com uma vantagem que os outros não têm. O ideal, como estava previsto, era que a ecopista fosse de Aveiro a Viseu, ainda não foi possível, esperemos que no futuro venha a ser assim, mas a nossa parte já está cumprida. De facto, tem sido um meio de atração de muitos visitantes e nós andamos a intensificar a sua divulgação.

Associados à ecopista, uma vez que vão apanhar grande parte desta, os caminhos de Santiago, também vão ser uma mais-valia, mais associado ao turismo religioso. Vamos conseguir conjugar vários aspetos, não só a ecopista em si, mas, também, algumas atrações turísticas da região do Vouga, como a Ponte de Santiago, a Vougapark e ter o apoio na estação de Paradela, tudo isto vai ser visitável e percorrido pela rota dos caminhos de Santiago.

GB-A nova lei da União de Freguesias, em Sever do Vouga, uniu Dornelas a Silva Escura e Paradela a Cedrim. Enquanto o primeiro caso foi relativamente pacífico, o segundo levantou alguns problemas, inclusive, acesas manifestações do povo. Qual é a sua opinião sobre esta lei na generalidade e nos casos particulares do concelho?

AC- Não vejo grandes vantagens na união, pelo menos, naquilo que a lei pretendia, que era reduzir significativamente os custos das autarquias, apesar disso, também não vejo grandes desvantagens. Quanto ao facto de haver ou não haver união, penso que são questões temporárias, são questões que o tempo apaga. É algo novo, e é natural que tudo o que nos seja imposto de cima levante algumas dúvidas e provoque alguns conflitos. É normal que haja alguma instabilidade inicial que o tempo curará.

 

GB- Sever do Vouga está em risco de perder o Tribunal e o serviço de Finanças. Que consequências traz para o concelho? O que é que o município prevê fazer para contrariar estas medidas do governo central?

AC- Esta política de redução de custos tem vindo a contribuir para uma maior desertificação do interior. Evidente que quando isso se passa nos municípios que já tem dificuldades em atrair população, qualquer corte ou anulação de serviços, vem contribuir para essa desertificação. Se as pessoas não têm os serviços perto de si, vão tentar viver para locais onde possam encontrar esses serviços mais facilmente, é uma questão de proximidade. Não há portugueses de primeira e de segunda e penso que os severenses têm os mesmos direitos dos lisboetas, temos o mesmo direito de ter o tribunal e serviço de finanças, já para não falar na redução verificada na área da saúde.

No que diz respeito ao tribunal, que é o sabemos oficialmente, na medida em que há já uma lista e  base de uma legislação, que vai sair e que vai ditar o encerramento de alguns tribunais, onde figura o nosso, nós temos que dizer a toda a gente, que está mal e que não concordamos. Para isso, temos andado a fazer reuniões com a Associação Nacional de Municípios e com a Ordem dos Advogados. Solicitei, ainda, uma audiência com a senhora ministra, para lhe dizer que, talvez, em Lisboa eles não consigam avaliar a situação como nós no local, e que eles estão enganados.

Quanto às finanças, ainda não temos qualquer indicação do encerramento a nível das entidades governamentais, apenas ouvimos falar nos jornais, mas desde essa altura, já nos temos movimentado. Já fizemos uma moção com inúmeros municípios, que enviámos para vários organismos, no sentido de lhes fazer ver que as finanças também são cá necessárias.

GB- Qual é o futuro de Sever do Vouga, onde é que gostava de levar este concelho?

AC- O que eu quero é trabalhar pelas pessoas, quero chegar ao fim do mandato e sentir que a qualidade de vida dos severenses melhorou, que ainda é melhor do que atualmente. Se conseguirmos isso, é uma grande satisfação para nós. Evidentemente que, para atingirmos isso, temos uma série de objetivos a cumprir na área social, na área da educação, com a criação de novos centros escolares, porque ainda não está tudo feito, embora muitas infraestruturas já estejam construídas. Nestes próximos anos, temos grandes objetivos, muitas ideias nas mais diversas áreas, sem nunca perder o grande objetivo que é: pelas pessoas, com mais atenção às pessoas, como mais ação social, com mais educação, com mais cultura.

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António Coutinho, em perfil

É independente,contudo, já se candidatou pelo Partido Socialista porquê?

Eu sou independente, porque embora tendo uma linha política e alguns ideais, nunca gostei de ser filiado a nenhum partido político e nunca o fui, para que não tenha o compromisso de “dizer ámen”, quero ser mais livre do que isso. Na altura, integrei a lista do PS por convite do doutor Manuel Soares, pessoa que apreciava e continuo a apreciar.  Integrei essa lista porque alinhei na ideia que o doutor  Manuel Soares tinha para o concelho, e também pelo trabalho que este já tinha desenvolvido no concelho. Portanto, aceitei integrar, na altura, a sua lista (PS) e foi por aí que continuei.

 

Para si, qual é o papel de um autarca e o que é que o motiva?

O trabalho contínuo pela melhoria das condições da sua população. Todos os dias procuramos melhorar as condições de vida dos nossos munícipes e essa é uma busca permanente. Nunca há nada concluído, ou antes, nunca paramos por aqui, queremos sempre mais.

 

A política e a vida pública são uma profissão ou uma vocação?

Eu distingo um pouco a política propriamente dita, da política autárquica. Nas autarquias  as pessoas  dedicam-se mais aos seus locais e  querem o bem para os seus concelhos numa luta constante pela melhoria  das condições de vida da população e da sua terra. Fazem-no,  não por ser a sua profissão, e eu penso que tem que ser assim, eu não imagino uma política autárquica que fosse só construída por gestores. Nas autarquias estão pessoas de menos ou mais qualificação, o que é importante é a pessoa em si e a dinâmica que quer construir para a sua terra.

Já a política nacional, é muito a política dos partidos e quem nela está vai subindo na hierarquia, até chegar a político de topo e essa sim, é mais profissional. Eu não considero que os autarcas são esses políticos.

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Principais dados bibliográficos

Data de Nascimento: 16 de Abril de 1961

Local de Nascimento: Silva Escura, concelho de Sever do Vouga.

Estado Civil: Casado, com 2 filhos

 

Percurso académico

Vereador da Câmara Municipal de Sever do Vouga

Licenciatura em Educação Visual e Tecnológica

Professor de EVT do Quadro do Agrupamento de Escolas de Sever do Vouga

Vários anos na Gestão Escolar e também como diretor AssociativoRedação Gazeta da Beira