Um mercado diferente

Vila de Oliveira de Frades acolheu a 4ª edição do Flea Market

Flea Market é uma feira de troca e venda de produtos em 2.ª mão, artesanato, produtos da terra, alimentos e bebidas confecionadas

No passado Sábado, dia 7 de Dezembro, durante todo o dia, o Cine-Teatro Dr. Morgado, abriu as portas para a quarta edição do  Flea Market, uma iniciativa conjunta do projecto Começardozero, da ACROF e do Município de Oliveira de Frades. Uma mercado diferente, onde os feirantes profissionais não entram, só os amadores, que têm assim, a oportunidade de dar a conhecer os seus próprios produtos e, também, vender, antiguidades e produtos em segunda mão que já não utilizam.

A música animada, que se ouvia ao longe, convidava os oliveirenses, a visitar um mercado fora do comum. Artigos em segunda-mão, antiguidades, produtos autóctones, criações próprias, no Flea Market, podia-se encontrar quase tudo. Um dia diferente dos demais, num espaço animado por movimento, cheiros e cores.

 

 

 

 

As histórias por detrás do Flea Market

Nesta 4ª edição do Flea Market foram cerca de vinte os participantes que, individualmente ou grupo, decidiram aderir à iniciativa. Cruzaram-se produtos distintos, cruzaram-se histórias e percursos de vida, cruzou-se uma experiência comum a que todos atribuem saldo positivo.

Colheita de Sabores é a união dos licores D’Aldeia, dos Doces Tia Téta e do Mel Multifloral

Colheita de Sabores é um projecto comum de três jovens naturais de Arcozelo das Maias. Carlos Fernandes, produz licores, Nelson Tiago mel e Tiago Ferreira, com a ajuda da mãe,  doces. “Como os produtos, todos caseiros, estavam dentro da mesma linha”, decidiram reunir-se e até então, o projecto está a ter bons resultados. O Flea Market é mais uma das feiras, deste género, que os três jovens participam. Desta vez, o objectivo principal foi “perceber como tudo funcionava e divulgar os produtos na vila”.

Já Cristina Marques, juntou-se a mais duas colegas. Depois de se “aperceberem o quão fúteis” eram e da “quantidade de coisas que têm acumuladas em casa, as quais não usam” decidiram fazer uma “selecção” e abriram a banca com os seus produtos em segunda mão. A roupa e o calçado  já lhes permitiram “amealhar uns trocos”, sendo que, como concluem, “está a correr bem melhor do que esperávamos”.

Também Margarida Dias, apresenta, nesta feira, algumas das suas criações. Depois de ficar desempregada, viu no artesanato uma saída. Arte que a pouco e pouco, foi aprendendo a executar, mas sobretudo a amar. Com o dia já avançado, a artesã, no Flea Market pela primeira vez, considera que esta é uma experiência a repetir.

Margarida Dias divulga o seu artesanato no Flea Market

Para Bruno Fernandes o saldo também é positivo, não só em termos monetários, uma vez que já conseguiu amealhar “dinheiro suficiente para, pelo menos pagar as despesas”, mas sobretudo em termos de experiência. Na sua banca vendem-se “preciosas antiguidades”, os vinis e os livros, a que o tempo veio dar outro encanto, têm conseguido despertar a atenção dos colecionadores, também aqui, em Oliveira de Frades. Quanto à iniciativa, como defende Bruno Fernandes, “é uma excelente ideia para a vila, a qual, traz uma outra dinâmica que é necessária”.

Não eram só estreantes as bancas do Flea Market. A curiosidade pela iniciativa fez como que  Esmeralda Madeira já tivesse participado na primeira edição. A experiência foi positiva e por isso decidiu repetir. Artigos para senhora, desde roupa a bijutaria, compõem a sua banca. Como conta, são muitas as razões que tornam este mercado tão interessante, “para além de sempre vendermos algumas coisas que temos, acabamos por comprar uns aos outros, ter conhecimento e fazer amizades”.  Para Esmeralda Madeira, as principais diferenças entre a primeira e esta última edição são, como refere “ menos participantes e menos afluência”, o que, como acrescenta, não impede que o Flea Market seja uma iniciativa muito interessante e para continuar.

Flea Market um projecto com futuro

Nuno Silva, do projecto Começardozero, é um dos organizadores do  Flea Market e um dos pioneiros da iniciativa que vai já na quarta edição. Inspirados nos valores que norteavam outros exemplos por todo o país, o projecto Começardozero, a ACROF e o Município decidiram criar uma nova réplica. Um dos componentes principais deste projecto é a divulgação dos produtos autóctones de Oliveira de Frades, mas, o  Flea Market é também uma forma das pessoas “ganharem algum dinheiro, em tempo de crise, com a venda, quer das suas criações, quer de artigos em segunda mão”.

A este mercado, estão ainda, como conta a organização, sempre associados, momentos culturais. Desta vez, ainda da parte da manhã,  o mercado foi animado pelas aulas abertas, promovida pela ACROF, já à noite, decorreu um espaço musical, o VIII encontro de Música Tradicional com a participação dos Grupos  “Cantares do Ídolo” (Ribeiradio – Oliveira de Frades) e “Juventuna de Nesprido” (Viseu).

Segundo a organização, apesar de se ter verificado um menor número de participantes e uma menor afluência, quando comparado com outras edições, o balanço é muito positivo e a iniciativa é para continuar. Tudo indica que o  Flea Market vai regressar a Oliveira de Frades já no próximo trimestre.

• Patrícia Fernandes

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