Programa executado pela AEL luta por uma região mais competitiva
Equipa jovem e local tem contribuído eficazmente para o sucesso do projecto, da esquerda para a direita, Rui Pena (coordenador da equipa de consultores), Lurdes Martins, André Guedes, Carlos Araújo, Sofia de Sousa, Sandra Bastos, João Batista e Gil Ferraz (presidente da AEL)
Ajudar as empresas a serem mais competitivas. É este o principal objectivo do QIPME, um programa de Formação – Ação para Pequenas e Médias Empresas, apoiado pelo POPH, executado pela AEL e gerido pelo CEC – Concelho Empresarial do Centro. O programa, que está a beneficiar 25 empresas lafonenses, teve início em maio e prevê-se que se prologue até início de 2014. Passados já vários meses do seu início, o balanço é para já, como refere Gil Ferraz, presidente da Associação Empresarial de Lafões (AEL), bastante positivo. Uma iniciativa que está a conseguir abrir o diálogo entre empresas, um passo importante para a sustentabilidade da região.
O reflexo do projecto: Presente e Futuro
Em tempos de crise, este projecto tem potenciado novas perspectivas e acções, afirmando-se um passo firme rumo ao futuro. Um programa que, para além de criar novas oportunidades para as empresas, ajudando-as a combater as adversidades, tem ainda, conseguido juntar os empresários em prol de um objectivo comum: desenvolver as empresas e a região.
Como defende Gil Ferraz é “essencial que Lafões se torne mais competitivo e que seja um ponto de referência a nível nacional e internacional”. Um ponto em comum entre os aderentes que pode originar sinergias interessantes entre o tecido empresarial. Como defende Rui Pena, coordenador da equipa de consultores, “as empresas têm muito a ganhar se trabalharem em conjunto, se colaborarem, se fizerem parcerias”. Reduzindo-se, nesta lógica, custos e multiplicando-se oportunidades.
Muitas das melhorias, como explicou Rui Pena em declarações à Gazeta da Beira, já estão a fazer-se sentir, contudo, muitas outras, só se vão sentir a médio prazo. Paulatinamente, as empresas reformulam-se, renovam-se e acrescentam valor ao valor que têm. Como refere Rui Pena: “as empresas têm, muitas vezes, tudo o que é preciso para serem bem-sucedidas, mas, podem não estar a aproveitar convenientemente os recursos que têm, e esse é o nosso trabalho”.
Este programa parece já ter conquistado os empresários. Como conta uma das consultoras ligadas ao programa, Sandra Bastos: “Inicialmente, alguns empresários, sentiam-se de certo modo, invadidos, uma vez que nós tínhamos que estar presentes nas rotinas das empresas”. Esse sentimento, contudo, como acrescenta a consultora, facilmente se dissipou. Como explica “os empresários estão cada vez mais empenhados, participam cada vez mais nas actividades promovidas e assumiram um papel activo nas estratégicas delineadas para as empresas, o que indica que estão satisfeitos com o programa e que algumas das melhorias já se fazem sentir”. O entusiasmo dos empresários tem sido uma arma fundamental para o sucesso do programa, mas não é a única. Como defende Rui Pena: “conseguiu-se juntar uma equipa jovem e local extremamente empenhada e exemplar, que está a fazer a diferença”.
O programa, as medidas e o plano de acção
Um programa desburocratizado, personalizado, que prima pela proximidade e pelo contacto directo com as empresas. Estas são as principais características do projecto que atualmente está a ser desenvolvido na região pela AEL e que é completamente financiado pelo FSE e Governo da República Portuguesa. Numa primeira fase, todas as empresas (que após candidatura foram aceites), receberam várias visitas de consultores e foram alvo de um diagnóstico, no qual, foram identificadas as potencialidades e as limitações das empresas, por forma a traçar um plano de acção. Um diagnóstico concreto, à medida de cada empresa, até porque, como explica o presidente da AEL “estamos a falar de empresas diferenciadas, com realidades muito distintas. Estão a beneficiar deste projecto desde gráficas, metalúrgicas, empresas de comunicação, de produtos alimentares… portanto, o plano de acção tem de ser, necessariamente, muito diferente e claramente adaptado”.
Actualmente, este projecto vai já na segunda fase, a fase da implementação de medidas, na qual, estão a ser dedicadas cerca de 100 horas de consultoria e 70 horas de formação para cada empresa. Nesta segunda fase, o programa “entra em acção”, de acordo com os objectivos definidos no diagnóstico. Cada empresa beneficia de formações temáticas, consoante os seus âmbitos de atuação, assim como, momentos de consultadoria especializada dirigida a empresários, gestores ou quadros. Os consultores, em diálogo como os empresários, efectivam, neste sentido, várias medidas que visam colmatar dificuldades e multiplicar benefícios. Inovação, Gestão Estratégica e Internacionalização são algumas das áreas de intervenção deste programa.
Gestão estratégica em foco
As pequenas e médias empresas podem triunfar

A Gazeta da Beira acompanhou uma das sessões para os empresários, incluída no programa. A sessão ocorreu, no auditório 25 de Abril, no edifício da Câmara Municipal de Vouzela, durante todo o dia, do passado sábado, dia 9 de novembro. A Gestão Estratégica foi o tema central.
Carlos Pereira da Cruz usou a história de David e Golias para ilustrar as potencialidades das Pequenas e Médias Empresas. Como explica o orador, estas empresas têm que ser criativas para conseguir impor-se no mercado, isto porque, como salienta, se usarem as mesmas armas que as grandes empresas, serão esmagadas. Assim, mais do que na quantidade, objetivo das grande empresas, a aposta deve ser, segundo Carlos Pereira da Cruz, na diferenciação do produto, dando-lhe valor acrescentado. Como referiu: “As Pequenas e Médias Empresas devem seguir o caminho menos percorrido, procurar trabalhar como um alfaiate, que trabalha à medida do consumidor, fazer arte, conseguir destingir-se das produções em massa”.
Para Carlos Pereira da Cruz, na conjuntura atual, em que a balança comercial se inverteu, isto é, hoje, há mais oferta do que procura, produzir é mais fácil do que vender. Perante esta lógica, as empresas têm que definir muito bem o seu público alvo. Como referiu, “os clientes não podem ser tratados como um nome colectivo, há uma variedade de interesses, rendimentos, e diferentes benefícios procurados que devem ser tidos em conta”. Assim, o empresário, para definir a sua estratégia deve, segundo o orador, fazer uma verdadeira “radiografia” ao consumidor.
A Crise não passa automaticamente, são preciso acções
Perante o panorama actual, marcado por uma grande crise, Carlos Pereira da Cruz procura ser optimista, como disse: “é na noite mais escura que se vê melhor as estrelas”. Neste sentido, o orador afirma que “não estamos condenados, existem alternativas”. A mudança é possível e está nas mãos das empresas. Como defendeu na conferência : “A retoma não é uma maré que ocorre naturalmente, a retoma tem que ser feita pelas empresas”.
Da parte da tarde, os empresários tiveram contacto com duas empresas de sucesso: A Casa Prisca e a Camivil, as quais, deram o seu testemunho, contaram as suas histórias e partilharam estratégias e experiências.
Empresas são unânimes
O projecto está a fazer a diferença
A Gazeta da Beira esteve em conversa com alguns dos empresários que aderiram a este programa. As opiniões recolhidas foram unânimes. Todos reconheceram que o programa é uma arma importante para ultrapassar a crise e para abrir nova oportunidades para o futuro. As iniciativas, mais do que chamar a atenção da plateia, têm conseguido a sua participação. Paralelamente, criam-se laços importantes entre os empresários que partilham interesses, experiências e motivações. Ficam alguns exemplos.
BeiraGlass
José Moreira é o sócio gerente da BeiraGlass, uma empresa sediada na zona industrial de Oliveira de Frades, que conta já com oito anos de existência. Para José Moreira, este programa veio trazer um novo ânimo para a empresa, até porque, como refere, “é importante inovar e ir ao encontro das necessidades, não é bom ficarmos acostumados”. Neste sentido, a empresa está a criar uma nova imagem, um novo site e a desenvolver algumas formações nas áreas da manutenção eletromecânica e contabilidade, ferramentas que José Moreira considera essenciais para o futuro. Como refere à Gazeta da Beira: “Com este programa estamos a conseguir melhorar a eficiência, aprender novos métodos de trabalho e estar sempre atualizados”.
Metalúrgica da Seixa
A Metalúrgica da Seixa já tem uma história longa que passa por várias gerações. Há 60 anos a laborar, a empresa, que hoje conta com 24 trabalhadores, vê no mercado nacional o principal alvo. Também para o gestor da Metalúrgica da Seixa, Ângelo Correia, este projecto tem sido uma mais valia importante. Atualmente estão decorrer algumas formações na empresa: desenvolvimento pessoal, soldadura, higiene e segurança no trabalho, inciativas importantes que, como refere o gerente, vêm “colmatar antigas falhas e permitir a evolução da empresa e dos colaboradores”.
Induser
Para Clarinda Teixeira, em tempos de crise “não se podem deixar escapar as poucas oportunidades que vão surgindo”. A sócia gerente da Induser, empresa com já 22 anos, sediada em Campia que conta com 13 trabalhadores, garante que “só tem “ dizer bem desta intervenção”. Para Clarinda Teixeira, estas iniciativas permitiram, ainda, conhecer outros empresários o que pode ser, como explica, uma valia futura, capaz de gerar novas oportunidades. Nesta empresa estão previstas várias formações, tais como: motivação e trabalho em equipa, qualidade e gestão de produtos, segurança e higiene no trabalho e primeiros socorros.
Biwear
A empresa Biwear sediada em Oliveira de Frades, já labora há 16 anos. Atualmente, são cinco os trabalhadores que criam vestuário de trabalho, com maior incidência nos mercados espanhol, português e francês. Quando este programa foi proposto ao gerente Licínio Vaz, este só aceitou aderir, depois de se certificar que este projecto primaria pela qualidade e que não interferiria com o desempenho normal da empresa. Quase meio ano depois, em conversa com a Gazeta da Beira, o empresário considera que a equipa tem feito um excelente trabalho. Nesta empresa estão a ser desenvolvidas formações nas áreas da modelagem e línguas, nomeadamente espanhol e francês, sendo que, o mercado estrangeiro reflecte uma incidência de cerca de 85% das vendas desta empresa. Licínio Vaz defende que as formações ministradas têm sido “bastante úteis no desenvolvimento das competências dos colaboradores e que, de facto, valeu a pena participar”.
Alumínios do Zela
José Manuel Loureiro é o gerente da Alumínios do Zela, uma empresa com 5 trabalhadores, um dos quais o seu filho, José Maurício, o seu braço direito. No início, o empresário teve alguma reticências ao projecto, mas lá acabou por aceitar. Agora, todas as dúvidas já estão dissipadas, como refere à Gazeta da Beira: “Desde que o programa começou tenho gostado muito do que tem sido feito, assim como, das pessoas com que tenho lidado”. Desenho técnico, higiene e segurança no trabalho, acções correctivas no âmbito da implementação da marcação CE, que visa valorizar a marca, são as principais formações que estão a ser ministradas nesta empresa.
As 25 empresas que beneficiam do projecto
1. Moinho de Chuva – Fabrico e Comércio de papéis, S.A.
2. Metalúrgica da Seixa S.A.
3. Jacob Ronher Têxteis, S.A.
4. Empresa Jornalística Gazeta da Beira, Lda.
5. Carmo – Estruturas em madeira, S.A.
6. Entrac – Empresa de Trabalhos de Construção, Lda.
7. Beirapapel, lda.
8. Biwear – Vestuário de Trabalho, Lda.
9. Fumeiros Florindo – Carnes e Enchidos de Lafões, Lda.
10. Padaria Lafonense, Lda
11. BeiraGlass – ind. Com. Vidros, lda.
12. Multisac – embalagens flexiveis, unip.
13. Escadimais – Fábrica de Escadas e Esca de Alu Lda
14. Induser-Industria Serrana de Plasticos, Lda.
15. J. C. Barros – Metalomecânica, Unipessoal, Lda
16. Carmo S.A.
17. Amélia Marques
18. Rádio Lafões – Clube de animação e informação CRL
19. Perfisa – Fábrica de Perfis Metálicos, S. A.
20. Serração Dias & Figueiredo, unipessoal Lda
21. Promolafões – promoção de eventos, Lda
22. Alumínios do Zela, lda.
23. Sociedade Editora Lafonense, Lda.
24. Gráfica Vouzelense.Lda
25. Cooperativa Rádio Vouzela, C.R.L.
• Patrícia Fernandes
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Na edição anterior (edição 641)
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