Crónicas do Olheirão de Mário Pereira

Precisamos de Pessoas


Embora gostemos de dizer que Portugal é um país que acolhe bem os estrangeiros, a prática não confirma isso. Aliás, acolher mal os estrangeiros parece ser a política oficial do estado português.
Só isso explica algumas atitudes do SEF, que é o primeiro serviço que os estrangeiros precisam de contactar, quando querem viver e trabalhar em Portugal. Se a política do SEF, e por consequência a do estado português, fosse acolher bem os estrangeiros, seria impossível acontecerem casos como o de um cidadão que passou três dias a tentar ligar para o SEF para marcar uma entrevista, que só pode ser marcada por telefone, e só foi atendido ao quarto dia depois de ter feito, seguramente, mais de 200 chamadas.
Só vejo duas hipóteses. Não têm nenhum funcionário a atender o telefone dias e dias seguidos ou a pessoa destacada para essa tarefa não gosta de atender o telefone.
O discurso contra os estrangeiros aparece regra geral associado à defesa da pátria, pelo que convém fazermos algumas contas simples.
Se cada um de nós olhar para a sua família, bastará contar quantos irmãos tinham os avós, quantos tinham ou têm os nossos pais, quantos irmãos e filhos temos nós, e sendo o caso, quantos netos.
Serão muitas as famílias em que o número de pessoas se reduziu a menos de metade em duas gerações e muitas são aquelas que não terão continuidade.
Isto significa que, sem o fluxo de estrangeiros, Portugal poderia chegar ao ano 2100 com metade da população atual, passando de 10 000 000 para 5 000 000, com agravante de a larga maioria serem velhos.
Se a população em Portugal se reduzir a metade estará em causa a continuidade como nação independente politicamente e também a viabilidade da nossa economia, pelo que não acolher bem os estrangeiros, que procuram Portugal para viverem será, a médio prazo, uma espécie de suicídio enquanto comunidade
Nós enfrentamos dois tipos de problemas. Por um lado importa que a população da Terra se reduza, para que a vida seja sustentável a longo prazo, por outro teremos de ter no nosso território pessoas suficientes para que a economia e os serviços funcionem.
Hoje as pessoas podem decidir se querem ter filhos e quantos e a tendência de décadas, nas sociedades ocidentais, é para as pessoas terem cada vez menos filhos.
Há quem diga que isso é culpa das políticas dos governos. Contudo a evolução das comunidades faz-se de decisões dos governos, mas sobretudo através das muitas decisões que cada um de nós vai tomando e há tendências que avançam independentemente das políticas dos governos.
Podemos dizer que as pessoas não têm mais filhos por falta de recursos, mas todos nós conhecemos pessoas que têm bons rendimentos e casas suficientes para vários filhos e optaram por não terem nenhum ou terem apenas um.
Manter a nossa população sem necessidade de receber imigrantes obrigaria a que em média cada mulher tivesse 3 filhos, o que não me parece venha a acontecer. Assim a escolha é entre receber bem quem nos procura ou definhar.

14/09/2023


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