EDITORIAL 854

Eleições em Espanha – um “imbróglio” com solução à vista?

Apesar de muitas vezes vivermos de costas voltadas, o facto é que os destinos de Espanha e de Portugal estão indissociavelmente ligados em múltiplos aspetos, da economia à cultura, e inevitavelmente também na política. Convivemos nesta quase ilha que é a Península Ibérica e partilhamos história e geografia, ou seja, tempo e território.

Por tudo isto, não nos são indiferentes as eleições legislativas antecipadas do fim de semana passado no Estado espanhol. Com uma participação de quase 70%, acima do que é habitual em Portugal, (mais 3% do que nas anteriores  eleições de 2019), as expetativas criadas pelas sondagens de uma derrota da esquerda e de uma vitória conjunta da direita e extrema-direita que lhes permitisse formar governo, não se concretizaram.

Se assim tivesse sido, certamente que direita e extrema-direita em Portugal ficariam animadas, com o PS e os partidos à sua esquerda a enfrentarem maiores dificuldades.

Quatro partidos apresentaram listas de âmbito nacional, para além das formações nacionalistas de âmbito regional: Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez), Partido Popular (PP, direita), Movimento Sumar (esquerda) e VOX (extrema-direita).

O PP obteve 136 lugares no Parlamento, mas nem com os 33 deputados obtidos pelo VOX consegue maioria absoluta para formar governo. O PSOE conseguiu 122, mas também não alcança maioria com os 31 deputados do Sumar.

Num parlamento com 350 eleitos, restam 28 deputados para disputar pelo PP e pelo PSOE para poderem formar eventuais alianças de governo lideradas ou por Alberto Núñez Feijóo (PP) ou por Pedro Sánchez (PSOE).

O analista Paulo Portas diz que isto é um “imbróglio” e aposta em novas eleições para o resolver, como talvez preferisse a direita confrontada com grande dificuldade em formar governo nestas condições. Porém, o facto é que a maioria dos tais 28 deputados que podem ser decisivos para uma maioria são quase todos de pendor mais à esquerda (ERC – catalães, EAJ-PNV – bascos, EH Bildu – bascos e BNG – galegos)

Quer isto dizer que o tal “imbróglio” pode ter uma solução sem repetição de eleições e, o mais provável, a ser alcançada é que o seja pelo PSOE e Pedro Sánchez.

De qualquer modo são más notícias para uma direita espanhola que contava com a extrema-direita para chegar já ao poder e menos más para a esquerda que mantém a hipótese de convencer alguns dos pequenos partidos nacionalistas a apoiarem a formação de um governo.

Mais uma vez as sondagens falharam, primeira e evidente conclusão. Quanto aos próximos episódios vamos aguardar, mas para a direita e extrema-direita portuguesas as notícias também não foram as melhores.

27/07/2023


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