António Eloy
Os braços da Hidra
Os braços da Hidra
“Os lugares mais sombrios do inferno são reservados para aqueles que mantêm sua neutralidade em tempos de crise moral.”
Dante Alighieri
Do caos, com um sopro divino, se fez luz. Estou neste ponto, em elaboração de mais um livro, A Hidra e o Antropoceno, em que irei escrever sobre momentos da ecologia política em Portugal e desenvolverei, com a autorização do director desta Gazeta, noutro capítulo a Hegemonia, onde desenvolverei artigos aqui publicados e a cidadania anestesiada por um sistema político completamente perverso que não responde minimamente, sequer, a um simulacro de representação. A nossa democracia está há muito em coma e mesmo nos cuidados intensivos, basta ver as percentagens de votantes e os votos reais. Já escrevi sobre isso no #Clientelismo, doença infantil da Democracia# Edições Colibri, onde não vou tão longe como o meu querido amigo Gonçalo Ribeiro Telles na análise dos presidentes de Câmara (todos uns corruptos!, GRT dixit), mas onde elaboro na linha do pensamento do mestre com mais outros ares..
Esses serão duas das áreas deste livro, que ainda contará, possivelmente, com uma colaboração.
Mas o tema central será a hidra do antropoceno, as suas sete cabeças, que têm que ser todas queimadas.
A primeira é o intensivismo, a concentração de terras e de produções com recurso a exploração intensiva das águas, degradação dos solos e muitos, muitos pesticidas e outros produtos mortais. Irei falar da história e de alguns factos actuais, a desgraça (sobre a qual nos criam ilusões e mentiras de Alqueva ou os novos projectos de destruição do Tejo, trtansvases e novas barragens) o agro-intensivismo que é uma das bases em que assenta o caminho da destruição e morte da biodiversidade, das abelhas e da ruralidade, tudo em nome de mais produção sem qualquer ligação à vida. E falarei de alternativas, a agro-ecologia, relação diferentes com a terra, agro-silvo-pastoris e agricultura biológica e outras formas de dar vida aos solos
Seguirei pelo extractivismo, que é uma das pragas do nosso mundo, o esventramento da terra, a delapidação dos recursos hídricos, as doenças e a expulsão de populações, e a inversão da lógica da sustentabilidade. Falarei de muitas lutas e também das alternativas ao extractivismo, investimentos na reciclagem e na sobriedade.
E continuarei pelo energivorismo, claro mencionarei o passado as nossas lutas contra os fósseis e claro contra a nuclear, que aparecerá noutros momentos, as verdadeiras energias suaves e a sua cooptação por parte de empresas que só delas procuram as mais valias e se compaginam com destruição de recursos. As energias suaves têm que ser articuladas com novos quadros de produção diversas da macro produção. Tema que tratarei com o conhecimento de mais de 40 anos de ligações energéticas.
Tema que me foi sugerido pelas muitas leituras e contactos e amizades que tive com grandes figuras do ecologismo, Ivan Ilitch, Walter Patterson, Pierre Samuel, David Brower e tantos outros, além do conhecimento de textos seminais de André Gorz ou Naomi Klein, o tecno-cientificismo, uma lógica que se compagina com o pior, produtivismo, seja marxista, liberal ou meramente monetarista. Não há técnica nem ciência neutra e esta não serve senão para nos alienar das soluções para os problemas que enfrentamos, Eu ludista, também, me confesso.
Aqui chegado tenho que deixar os outros três braços da hidra para Setembro, caso o director deste jornal me renove o convite para aqui discorrer sobre algumas verdades, que como ele sabe só essas são revolucionárias, mas como dizia Orwell muitas, muitas mesmo, são mentiras…invenções, alienações e deturpações….
Só como indicação eles são o destrutivismo/militarismo, hoje tão na linha da frente, e que está relacionado com tudo, aliás todos os braços da hidra se articulam uns com os outros, e prosseguirei com o produtivismo, onde terei ocasião para reduzir o número dos meus, já poucos, amigos, e terminarei pelo consumismo, onde contarei, também muitas histórias reais. Boas férias para quem as poder.
13/07/2023

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