Reflexões Partilhadas
A propósito de gratidão e de saudade… Com Donzilia Martins

Dou continuidade a esta rubrica, confessando ao amigo leitor que, não só gosto de escrever, como também aprecio ler o que se vai escrevendo com alguma crítica e criatividade. Deste modo, vou percorrendo as redes sociais e a comunicação social, em geral, para tentar, também eu, aumentar as perspetivas e visões de vida, que nos permitem melhorar enquanto seres humanos. Viver focados no nosso umbigo não nos deixa perceber que existem opiniões à nossa volta tão válidas e importantes quanto as nossas. Espero que estas reflexões possam ser do vosso agrado e contribuam para o vosso engrandecimento. Aguardo feedback dos leitores.
Apresento a Escritora Donzilia Martins, de Murça, residente em Paredes, que durante o mês de junho, no Facebook, escrevia assim:
VISITA
Há muito que a sonhava!
Ia pousando na mesa
Os livros que preparava
Para levar à princesa.
Hora a hora ia pensando:
Quando poderei lá ir?
O tempo ia adiando
E a vida a querer fugir.
Nunca se deve adiar
O tempo, pois ele nos foge
Voa breve e o amar
É para ontem e pra hoje.
E chegou o feliz dia
Em que a fui visitar
Ó meu Deus quanta alegria
No meu peito a palpitar.
Num sentido e doce abraço
Ambas trocamos os olhar
Com um terno e forte laço
Que jamais se irá quebrar.
A vida faz-se em momentos
Que repartimos amor
Até se esquecem tormentos
A tristeza e a dor.
A verdadeira amizade
É isto que sinto em mim
Levarei para a eternidade
Essa luz até ao fim.
E Deus pra mais compensar
Outra amiga de eleição
Hoje me vem visitar…
Obrigada do fundo do coração.

CAIXAS E CAIXINHAS DE PAPEIS
Toda a minha vida armazenada em folhas de papel!
“Não há espelho mais transparente que uma página escrita”
Ali a vida inteira repartida em pedaços,
dores e alegrias, medos e cansaços, sonho e desilusão,
sucesso e fracasso, conquistas e derrotas, glórias e paixão.
Toda a minha vida ali encaixotada, espartilhada, em caixas
e caixinhas comigo dentro.
Às vezes mexo e remexo, abro um caderno e a alma salta,
ri, canta, chora de saudade, e vem dar-me um beijo
pela luta, pelo caminho, pelo registo das palavras que não morrem.
Tudo quer vida, e, elas ressuscitadas,
são um grão de pó astral no vasto universo.
Não as rasgo, amacio-as nos dedos, e as mãos cheias,
só vazias do tempo que não tenho caem no colo.
Mas fala o verso.
“VIVEMOS COM O QUE RECEBEMOS, MAS MARCAMOS A VIDA COM O QUE DAMOS”
W. CHURCHILL
E tanto que recebo cada dia!
Não são os bens materiais que me enchem a alma,
mas as palavras, um pequeno gesto, um simples olhar
e o meu peito rejubila e fica sem saber agradecer.
Ontem estava triste e de repente uma bênção de Deus
caiu sobre mim como que a sufragar-me a angústia,
e toda a dor foi nada perante palavras de terna amizade.
Em geral os “grandes astros” obreiros de arte,
são parcos em elogios, em abrir a alma aos outros.
Parece que têm pudor em comparar, porque o deles é sempre melhor!
Mas outros não. Ontem uma GRANDE SENHORA da cultura e da poesia
maior do que eu, foi anjo, foi azul, bálsamo, chuva a matar a sede,
analgésico a quebrar a dor, música divina a rasgar o tempo.
As suas palavras encheram todos os vazios da minha alma,
afastaram todos os medos e fizeram-me acreditar
que, se calhar, até sei fazer versos, e não sabia que sabia…
E não tive palavras para lhe dizer o quanto bem me deu,
o quanto dulcificou o meu caminho, o quanto me embalou o sonho.
Só temos o que Deus quer, e eu, tão pequenina, recebi palavras grandes
que não couberam no meu peito e transbordaram em lágrimas de gratidão.
Obrigada minha “IRMÃ DO CORAÇÃO”
pela generosidade. Pedi que lhe agradecesse o céu
pois me marcou a vida com o tanto que me deu.
Para a AURORA SIMÕES DE MATOS com o terno e grato abraço
Da Irmã do coração Donzília Martins 23 de junho 2023
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