Crónicas do Olheirão de Mário Pereira
Umas notas sobre os Rankings e as notas

A publicação do ranking das escolas do ano de 2022, em que o Agrupamento de Escolas de Campia Vouzela aparece como a primeira escola entre as escolas públicas, sugere-me algumas notas sobre os rankings e as notas escolares.
Apesar das dúvidas sobre o valor dos rankings importa dar os parabéns ao Agrupamento de Campia Vouzela pela sua posição.
A haver rankings deveria haver dois separados, pois não é sério comparar colégios privados, que escolhem os seus alunos, com as escolas públicas, que acolhem todos os alunos da sua zona.
Desde que há rankings das escolas que lhe são feitas muitas críticas, desde logo porque induzem a ideia de que quem tem melhores notas tem mais mérito, o que, muitas vezes, quer dizer apenas melhores condições e mais explicações.
Os rankings resultam da excessiva valorização que é feita das notas pelas escolas, o que leva a coisas pouco saudáveis. Como exemplos podemos apontar, entre outras, as explicações que são hoje um negócio florescente ou as escolas, que inflacionam as notas (o que é apenas uma maneira suave de dizer falsificam).
Tudo isto é paradoxal, para não dizer inútil, porque as notas da escola valem muito pouco no mundo pós escolar.
A carreira dos professores é, provavelmente, a única em que as notas da escola são decisivas ao longo de toda a vida profissional, talvez por isso os professores e as escolas lhe atribuam uma importância absurda.
Fora da carreira docente a nota pode ter algum peso no início da carreira, mas depois ninguém pergunta pelas notas do 12º ano, da licenciatura ou do mestrado.
Nunca ouvi alguém dizer que escolheu um advogado, um médico, um psicólogo, um barbeiro ou um mecânico pela nota do curso. Todos, incluindo os professores, escolhemos pelo reconhecimento profissional que conseguiram.
Eu já estive envolvido na contratação de várias pessoas, com diferentes formações, e não me lembro de alguma vez a nota do curso ter sido tida em grande atenção, seguramente, nunca foi fator decisivo.
Provavelmente, a única utilidade de toda esta luta pelas notas nos exames do secundário seja poupar às universidades o incómodo de terem de escolher os seus alunos.
É importante que os jovens e os seus pais saibam, que no setor privado, mais do que a nota do curso podem ser decisivas coisas como fazer parte de um grupo de musical, ser ativo em alguma atividade social, praticar um desporto ou fazer algum trabalho nas férias, etc.
A razão para que as notas não sejam consideradas no mundo do trabalho é porque as escolas não ensinam e não avaliam muitas das competências necessárias ao sucesso profissional. Ao longo da minha vida profissional nunca vi ninguém, aos 40 anos, ter problemas, porque teve uma má nota no curso, mas tenho visto pessoas terem problemas sérios devido ao seu feitio, por não conseguirem lidar com os colegas, por falta de empenho ou por dificuldade em comunicarem com os outros, tudo coisas que as notas da escola não avaliam.
29/06/2023

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