EDITORIAL 852

Proteger os mais frágeis do calor que aí vem e restrição máxima no uso do fogo

Acabámos de atravessar uma onde de calor que chegou a atingir na região temperaturas máximas bem superiores aos 30 graus Celsius nalgumas zonas. Estes fenómenos deverão repetir-se, só no ano passado assinalaram-se seis ondas de calor, situação que tende a agravar-se por efeito das alterações climáticas.

Os meteorologistas avisam que estamos a entrar num período caracteristicamente quente, seco e estável. Duranta a próxima semana a previsão do IPMA é de que as temperaturas em Lafões possam chegar aos 35 graus no próximo domingo, dia 1 de julho.

O índice de radiação ultravioleta irá atingir valores muito elevados, o que recomenda os maiores cuidados com a exposição aos raios solares. As pessoas mais idosas ou com fragilidades de saúde provocadas por doenças crónicas devem ser protegidas, mantendo-as bem hidratadas e em locais frescos e arejados.

No ano passado, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge indicou as ondas de calor do verão como responsáveis pela morte de 2.401 pessoas. Mas ao aumento da temperatura, no caso português, juntam-se outros fatores decisivo para o agravamento da mortalidade, nomeadamente construção com mau isolamento térmico e fraca eficiência energética e a pobreza energética que, segundo o Eurostat, atingirá 17,5% das famílias, o dobro do que se passa no resto da Europa. João Vasconcelos, investigador do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, diz que “Portugal é o segundo pior país da União Europeia em termos de capacidade de as pessoas arrefecerem as suas casas” por insuficiência económica.

Associadas a valores baixos da humidade relativa do ar, estas condições meteorológicas traduzir-se-ão também num aumento significativo do Perigo de Incêndio Rural (PIR). Na nossa região, com extensas áreas rurais e com muita floresta com povoamentos de espécies com elevado potencial combustível, a restrição ao uso do fogo tem de ser praticamente absoluta. Toda a atenção a eventuais ignições que devem ser imediatamente comunicadas aos órgãos da proteção civil do respetivo município ou pelos números de emergência 112 ou 117.

29/06/2023


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