Carlos Vieira
O baile mandado do “centrão”

António Costa esforçou-se, a partir de 2019, por acabar com a “geringonça”, a maioria parlamentar que constituiu um alento de esperança para a maioria dos portugueses que, vítimas da austeridade da Troika e dos governos de direita, começaram a ver a sua vida a melhorar. Para Costa, a “geringonça” só serviu como trampolim para o poder e foi colocando o PS a sabotar as negociações com os partidos de esquerda, ignorando as suas propostas e chegando à deselegância de os designar como “empecilhos”. Perante uma proposta de OE22 que não dava resposta aos principais problemas do país (a defesa do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública, para além de não garantir direitos fundamentais consagrados na Constituição, como o da Habitação, o direito a uma vida digna e ao trabalho com direitos), os partidos de esquerda não tiveram outro remédio senão votar contra. O PS podia ter apresentado outro Orçamento susceptível de ser viabilizado pelos partidos de esquerda, mas, com o beneplácito de Marcelo, preferiu apostar nas eleições que, com a ajuda de sondagens a ameaçar uma falsa bipolarização com a direita e a extrema-direita unidas, lhe deu a maioria absoluta. O medo da extrema-direita tem sido alimentado pelo PS, com a preciosa colaboração da sonsice de Montenegro, como um seguro contra uma subida eleitoral do PSD e da esquerda. Mas o que tem vindo a alimentar o populismo da extrema-direita racista, xenófoba e homofóbica, com o rabo fascista de fora, tem sido a política dos partidos do centro e da direita, com a sua endémica corrupção, nepotismo, tráfico de influências e protecção dos grandes interesses instalados. Veja-se a profusão de casos escandalosos, de demissões, mentiras e uso abusivo do SIS que têm vindo a ser escrutinados no inquérito parlamentar à TAP proposto pelo BE. Costa, provavelmente, até já deve ter pensado que com tantos incompetentes, “trapalhonços” e empecilhos no seu governo, mais valia ter negociado com a “Geringonça”. O caso “Tutti Frutti”, ao revelar os alegados acordos entre PS e PSD nas eleições autárquicas de 2017, para trocas de lugares e avenças, é bem demonstrativo desse “baile mandado” do “centrão”: “Ora agora mandas tu/ Ora agora mando eu/ Ora agora mandas tu/ mandas tu mais eu!”
ALTO E PÁRA O BAILE!
15/06/2023

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