Reflexões Partilhadas

A propósito do sentimento da alma… com João Carlos Vale

Dou continuidade a esta rubrica, confessando ao amigo leitor que, não só gosto de escrever, como também aprecio ler o que se vai escrevendo com alguma crítica e criatividade. Deste modo, vou percorrendo as redes sociais e a comunicação social, em geral, para tentar, também eu, aumentar as perspetivas e visões de vida, que nos permitem melhorar enquanto seres humanos. Viver focados no nosso umbigo não nos deixa perceber que existem opiniões à nossa volta tão válidas e importantes quanto as nossas. Espero que estas reflexões possam ser do vosso agrado e contribuam para o vosso engrandecimento. Aguardo feedback dos leitores.

Apresento de novo o escritor João Carlos Vale, de Tondela, que nos meses de janeiro e fevereiro, no Facebook, escrevia assim:

“Quem és tu?

Por vezes há quem se aproxime de nós e nos faz acreditar na sinceridade das suas palavras e na sua boa intenção. É normal que a maioria de nós, não acredite que alguém de nós se aproxime, o possa fazer de forma deliberada para aproveitar as nossas fragilidades e a nossa ingenuidade. Digo ingenuidade, pois muitos de nós acreditamos piamente nas boas intenções e que não nos fariam aquilo que nós nunca faríamos a ninguém.

Como nos enganamos e como permitimos que nos enganem. Nem toda a gente tem amor no coração, nem toda a gente tem princípios éticos, benevolentes e altruístas e cada um de nós só pode dar aquilo que tem e, quem tem más intenções apenas isso pode dar.

A idade vai por norma agravando algumas das nossas capacidades físicas, nomeadamente a visão. Porém, quem aprende com os erros do passado, consegue vislumbrar à distância um oportunista ou um falso amigo. Outros no entanto (e aqui me incluo), continuam a ser ingénuos e vão caindo em cantigas de encantar e em vendedores da “banha da cobra”. Felizmente tal situação tem ocorrido com cada vez menos frequência, pois se a visão está a ficar degradada, a minha capacidade auditiva mantem-se felizmente boa, o que me permite escutar os assertivos conselhos dos meus verdadeiros amigos. De igual forma, as longas e amargas horas que já vivi e que felizmente consegui ultrapassar, permitem-me hoje – também eu – funcionar como um simples conselheiro, um farol ou um porto de abrigo para os meus verdadeiros amigos, já que dos falsos (incluindo os oportunistas) apenas quero duas coisas: Distância e muita distância. Nunca é demais lembrar que o falso amigo é o pior dos nossos inimigos.”

 

“Para que servem os professores?

Não sou professor, mas já fui, assim como já fui aluno e ainda sou. Hoje vejo com tristeza e com imensa preocupação, o desprezo com que são tratadas determinadas profissões e o facilitismo de alguns em fazer cortes radicais, não se preocupando em escutar as reivindicações de quem protesta. E não falo só dos professores. Num passado não muito distante, a figura do professor e por exemplo dos agentes de autoridade, era por todos respeitada pelo papel que ambos desempenhavam na sociedade. É certo que sempre houve e infelizmente continua a existir quem não respeite a imagem da profissão que escolheu e os deveres inerentes à autoridade que detêm.

Recordo de alguns tristes episódios que ocorreram nos últimos tempos com agressões a professores e a agentes da autoridade e ouvir alguém dizer que ser agredido faz parte da profissão de um polícia, ou outras a dizer, a propósito da morte de recrutas no Corpo de Comandos, que se deviam acabar com os Comandos. Seguindo estas idiotices, poderemos dizer também que devemos acabar com os professores, com os polícias e com os militares. Assim teremos um País inseguro e imbecilizado onde irão triunfar apenas aqueles que consigam ter a apoiá-los um seita de acéfalos seguidores que o irão aplaudir em todas as imbecilidades e atrocidades que disser.

Pessoalmente eu estarei sempre ao lado dos professores, dos agentes da autoridade, dos militares, enfermeiros e de todos aqueles que lutam por uma melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo que trabalham pelo bem estar de todos. E faço-o independente dos sindicatos que apoiam a greve, pois não há greves boas ou más. Há greves justas ou não. Tristemente há quem entenda que as greves promovidas por determinados sindicatos são justificadas e por outros não o são. Quanto á operação de fiscalização dos autocarros que transportavam os professores para a manifestação em Lisboa, nada a opor face à legalidade do acto, mas gostaria de ver a mesma atitude em outros movimentos combinados de autocarros para eventos desportivos ou para manifestações partidárias.

Felizmente não sou seguidista e penso pela minha cabeça e reconheço em todos os partidos sem excepção propostas boas e outras sem sentido, por isso estou do lado das reivindicações dos professores independentemente do(s) sindicato(s) que os apoiam ou do partido que apoia o governo.”

11/05/2023


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