CRI / ASSOL
Mastigar, respirar e falar melhor!

No ritmo frenético e exigência crescente do dia-a-dia, é comum depararmo-nos com a dificuldade em gerir afazeres domésticos, compromissos profissionais, organização da rotina dos mais novos, preparação de refeições…
Trabalhando em contexto escolar, temos constatado que os lanches dos nossos alunos estão cada vez mais adaptados à comodidade e facilidade das embalagens e alimentos pré-confecionados. É comum encontrarmos nos lanches dos mais pequenos pães de leite (muitas vezes por serem mais moles e de fácil mastigação), bolinhos, bolachas embaladas em pacotinhos pequenos, fruta em bisnagas, etc.
De facto, a oferta de mercado atual adaptou-se às necessidades de muitos pais e mães à beira de um ataque de nervos, estando à nossa disposição um sem número de soluções práticas e rápidas – mas nem por isso mais saudáveis ou nutritivas.
Embora a mastigação seja vista como uma função ligada apenas ao propósito da nutrição, a verdade é que a introdução alimentar complementar de sólidos a partir dos 6 meses potencia e permite um harmonioso desenvolvimento de todas as estruturas orofaciais (lábios, língua, bochechas), ao nível da sua mobilidade e força. Estes aspetos influenciam a capacidade de executar uma boa mastigação, mas também são muito importantes ao nível da promoção da deglutição (engolir os alimentos), respiração nasal e articulação dos sons da fala.
Verificamos que as crianças que apresentam uma respiração oral evidenciam, muitas vezes, flacidez e falta de força ao nível da musculatura das bochechas, língua e lábios, bem como alterações das estruturas ósseas (maxilares e arcada dentária). Estas alterações podem levar ao aparecimento de problemas de fala, desde imprecisões articulatórias à distorção de alguns sons.
É importante refletir, enquanto profissionais e pais, sobre a importância do processo de mastigação, não só no que respeita à função nutritiva e digestiva, mas também como um pré-requisito essencial para o normal desenvolvimento das estruturas orofaciais.
Por ser uma fase sensível, onde a introdução de sólidos por vezes coincide com o término da licença de maternidade, alguns pais sentem-se receosos em introduzir estes alimentos logo a partir dos 6 meses.
De forma a ajudar a aumentar os níveis de conhecimento e segurança nesta fase do desenvolvimento alimentar do bebé, poderá ser importante o aconselhamento junto dos profissionais de saúde infantil, visto que existem atualmente técnicas disponíveis que indicam formatos seguros para a apresentação dos alimentos sólidos.
E agora… toca a mastigar!
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