António Eloy
Um erro grave, muito grave!
Desde meados do século XIX, com a justificação fornecida pela teoria marxista (a teoria do proletariado), toda a humanidade caiu num erro: desenvolver as forças produtivas.
Jacques Camatte
Um mundo conquistado pela tecnologia é um mundo perdido para a liberdade e a humanidade.
Renaud Garcia
Poder é o nome que damos a uma situação estratégica complexa numa dada sociedade. (…) As relações de poder são antes de mais productivistas. (…) Segundo uma estratégia precisa podemos modifica-lo.
- Foucault
1-Hoje temos três citações de três marxistas, ou melhor de três sociólogos que integram algum marxismo e que contrariam as teses dominantes nessa corrente crítica social, que não ideológica.
Não sendo o tema não quero deixar de registar o erro de assumir o marxismo como ideologia e em seguida a sua dogmatização no leninismo/trotsquismo ou em qualquer das diversas variantes, que perduram até hoje, e tem sido um escolho na assunção de políticas de mais direitos e mais qualidade de vida, por criar um obstáculo à operacionalização de outras políticas económicas, que não as produtivistas.
Conceitos nunca definidos como o de classe social, e assim como o ilusório, e hoje pelos próprios defensores dessa “classe”, proletariado, eliminado pelo principal teórico da Ecologia Política, André Gorz, nos “Adieux au Proletariat” e que é ora, também, declarado extinto, como estrutura (classe) sociológica ligada a lógicas de produção, por diversas correntes comunistas internacionais. Claro em Portugal continuamos a ter línguas de trapos e as cassetes a dominar o discurso de alguma esquerda, ainda incapaz de respirar o ar do tempo, mesmo o das cerejas.
2- No ponto anterior limito-me a retomar algumas discussões tidas desde os anos 60 sobre pensamento e acção, colocando-me desde sempre eu na linha libertária, conselhista socialmente e liberal em termos de direitos civis, ou seja sendo capaz de contradizer o próprio discurso hoje dominante em nome da sua desconstrução para amanhã.
3- Mas voltemos ao erro, ao grande erro que percorre, qual fantasma, as nossas sociedades, é o erro do crescimento, baseado no pensamento dos fisiocratas, que continuou a ser elaborado de Adam Smith a Marx e Proudhon todos eles viam no crescimento das forças produtivas base para alargamento do capital, sendo que no caso dos dois últimos um considerava que uma mirífica classe expropriaria esse (para quê?) e o outro considerava na sua base o roubo (que obviamente tem que ver com a expropriação primitiva em 1º lugar e a política dos limites ,”enclosures”, e com a revolução industrial), mas todos esses teóricos, continuaram numa lógica meramente economicista, típica e base de todos os estudos da velha economia defendendo mais, mais, mais produção, sem perceber os limites impostos pela entropia, até que surge Georgescu-Roegen, nomeadamente, que vira o absurdo conceito de crescimento e produtividade em crescendo, com a integração da bio-economia e da entropia nessa.
Matéria para muita produção teórica, essa sim a desenvolver em movimento perpétuo, igualmente. Não há nenhuma doutrina que possa ser espírito e como tal adulada.
Claro, já me têm perguntado e então? E então? Essas missas que apresentas aqui e ali e escreves, também aqui, têm algum objectivo?
Pois claro que têm, desde logo lançar discussões e criar incómodos, mas também reforçar a corrente, não ideológica mas prática e funcional, que se articula em torno da ecologia política, que em Portugal tem ilustres referências, desde logo o meu querido Gonçalo Ribeiro Telles, com quem partilhámos tantas lutas, sendo que como é obvio nos distanciava o pensamento e a sua elaboração que aqui nesta Gazeta tenho expendido, mas sendo que estávamos unidos pela base, um pensamento que se articula em torno da lógica do vivo, das leis da termodinâmica e da construção pela humanidade dos seus espaços de vida integrados nas paisagens. Continuaremos. E a lutar contra o erro.
13/04/2023

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